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Nigel Farage reeleito como deputado em eleição suplementar

Farage foi reeleito numa eleição suplementar boicotada pelos principais partidos britânicos. Venceu com 63,3% dos votos (mais de 22 mil), face aos 9.455 do Count Binface e a mais de 50% de abstenção.

Agência Lusa
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O líder do Partido britânico Reform UK, Nigel Farage, venceu a reeleição como deputado esta madrugada, numa eleição suplementar que foi boicotada pelos principais partidos.

Os resultados desta eleição parlamentar, realizada na quinta-feira no círculo de Clacton-on-Sea, uma cidade costeira no sudeste de Inglaterra, indicam que o líder do Reform UK recebeu 63,3% dos votos (22.239 votos, ou seja, ainda mais do que nas eleições de 2014, quando recebeu 21.225).

Os principais partidos britânicos — Trabalhista, Conservador, Verdes e Liberais-Democratas —, bem como a formação de extrema-direita Restore Britain, decidiram boicotar a eleição, recusando apresentar candidatos. O principal adversário de Farage foi o candidato satírico ‘Count Binface’ (“Conde Cara de Balde do Lixo”), que obteve 26,93% dos votos (9.455).

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A taxa de abstenção foi significativa, atingindo os 55%, muito superior à das eleições gerais de 2024, quando foi de 41%, num eleitorado de 79.785 pessoas.

“Pedi aos eleitores de Clacton que fossem os meus juízes”, reiterou o político de 62 anos, num discurso proferido no condado de Essex e reproduzido na rede social X.

https://twitter.com/Nigel_Farage/status/2087781445028729237

Após várias polémicas, incluindo notícias de irregularidades no financiamento do Reform UK, Farage demitiu-se do mandato em julho, o que desencadeou a realização de uma eleição parlamentar parcial, à qual se recandidatou.

“O veredito foi dado, e é uma vitória convincente e esmagadora (…) recebemos muito mais votos do que nas eleições gerais de 2024”, declarou o político populista, figura central da campanha do ‘Brexit’.

Farage não compareceu no centro de contagem dos votos, como é habitual, alegando, numa reunião com os seus apoiantes, que a polícia local o tinha alertado para “uma campanha para perturbar e denegrir os resultados”. De acordo com vários meios de comunicação social, a polícia negou ter feito qualquer aviso oficial deste tipo.

“Eu seria louco de aparecer lá, tendo conquistado uma vitória tão esmagadora (…) apenas para ser menosprezado e humilhado por zés-ninguém”, disse Farage, aludindo aos outros candidatos, que estiveram presentes na contagem.

Os resultados da eleição demoraram mais do que o habitual, uma vez que a contagem foi dificultada por um boletim de voto com quase um metro de comprimento. Um número recorde de 34 candidatos, na sua maioria independentes e desconhecidos, estavam na corrida, algo que dificultou a contagem, devido a um boletim de voto com quase um metro de comprimento.

O político populista, figura central da campanha do ‘Brexit’, tem estado sob pressão para explicar por que não declarou donativos financeiros significativos recebidos antes da eleição como deputado.

O jornal The Times avançou que a polícia britânica está a investigar donativos no valor de 500 mil libras (cerca de 588 mil euros) feitos por Fiona Cottrell ao partido Reform UK antes das eleições legislativas de julho de 2024, nas quais Farage foi eleito deputado pela primeira vez.

Um porta-voz da polícia confirmou a abertura de uma investigação em fevereiro de 2025, na sequência de uma denúncia da Comissão Eleitoral relativa a donativos a um partido político antes das legislativas, sem divulgar nomes.

Farage está também sob investigação da autoridade parlamentar de ética, devido à transferência de cinco milhões de libras (5,7 milhões de euros) por Christopher Harborne, um bilionário radicado na Tailândia, meses antes da candidatura.

A investigação foi suspensa após a demissão, podendo agora ser retomada.

De acordo com o jornal Guardian, o donativo foi alvo de uma denúncia à Agência Nacional contra o Crime, apresentada por instituições bancárias devido a suspeitas de branqueamento de capitais.

Ainda segundo o Times, Farage terá recebido mais donativos não declarados de George Cottrell, um empresário do setor das criptomoedas condenado por fraude nos Estados Unidos em 2017 e filho de Fiona Cottrell.

(Notícia atualizada às 11h05 com os dados mais recentes da votação. Também foi clarificado que o boletim de voto não tinha quase dois metros de comprimento, mas sim um.)