Quase duas décadas depois, o Benfica está de volta ao playoff da Liga Europa. O jogo desta quinta-feira não passou de uma mera formalidade depois da goleada de há uma semana, no Estádio da Luz, embora o jogo tenha sido substancialmente diferente e terminado empatado, após uma exibição paupérrima de um conjunto encarnado em ritmo de gestão e que, com um novo ataque, voltou a apresentar dificuldades no capítulo da finalização. Este foi o terceiro jogo sem vencer da nova águia, agora com Marco Silva, treinador que conseguiu vencer apenas dois jogos, embora esses triunfos tenham resultado em dois apuramentos europeus. Por outro lado, a equipa portuguesa leva apenas três vitórias nos últimos oito jogos oficiais, colecionando quatro empates e uma derrota.
https://observador.pt/2026/08/13/marco-mudou-a-pele-da-aguia-no-assalto-ao-castelo-de-edimburgo-mas-nao-conseguiu-evitar-os-facilitismos-a-cronica-do-hearts-benfica/
Se contarmos com a Liga dos Campeões, a última vez que o Benfica esteve num playoff internacional aconteceu na época passada, com direito a triunfo frente ao Fenerbahçe, então treinado por José Mourinho. No total, os encarnados disputaram seis playoffs nas provas da UEFA e seguiram sempre em frente. Para lá do duelo com os ucranianos, contam-se, na Champions, as eliminatórias com Twente (5-3, 2011), PAOK (5-2, 2018), PSV (2-1, 2021), Dinamo Kiev (5-0, 2022) e Fenerbahçe (1-0, 2025). O cenário positivo alastra-se inclusivamente a Marco Silva, que está pela segunda vez nas pré-eliminatórias da Liga Europa, depois de, em 2013, ter levado o Estoril à fase de grupos. Na terceira pré-eliminatória derrotou o Hapoel Ramat Gan (1-0) e, no playoff, venceu os dois jogos diante do FC Juniors OÖ (4-1 no total).
Na caminhada rumo à fase de liga, o Benfica vai agora medir forças com os dinamarqueses do Aarhus, que foram eliminados da Liga dos Campeões pelo Sabah, com uma goleada sofrida no Azerbaijão (4-0). O Aarhus é o atual campeão da Dinamarca, tendo reconquistado o troféu 40 anos depois. Este será mais um embate com história para as hostes vermelhas e brancas, já que os encarnados deixaram pelo caminho os dinamarqueses nos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus de 1961, com vitórias na Luz (3-1) e na Dinamarca (4-1). Antes de vencer o troféu pela primeira vez frente ao Barcelona, o Benfica conquistou os nórdicos através de José Augusto, que marcou três golos ao Aarhus e saiu aos ombros de portugueses e dinamarqueses. Em 1987 o Benfica voltou a eliminar o Aarhus, com golo de Nunes.
https://twitter.com/museubenfica/status/2038692737906786367?s=20
“Não liguem muito às minhas reações no banco, vão perceber que muitas vezes são do momento. Não tirem conclusões erradas do meu pensar. Gosto de pensar no jogo como os jogadores. Reajo positiva e negativamente porque quero ajudar o máximo possível. Não gosto de estar sossegado. Sobre o jogo, cumprimos a missão, viemos para ganhar e mostrámos isso na primeira parte, mas na segunda parte não o conseguimos demonstrar. Na primeira parte criámos situações claras para marcar, inclusive mandámos uma bola aos ferros. Na segunda parte não entrámos como queríamos. Tinha alertado para isso. Há que reconhecer que, com sete alterações [no onze], ficou provado que alguns destes jogadores não têm condições para jogar 90 minutos como queremos jogar. A nossa pressão não funcionou bem hoje [quinta-feira]. Isso sai do corpo e há jogadores que têm de crescer em termos físicos para darem o que quero da equipa”, começou por analisar o treinador à SportTV.
“A linha de quatro defesas que jogou esta noite, se calhar, não vai jogar junta o resto da época. Houve muitas situações que queríamos experimentar hoje. Demos 45 minutos aos centrais [Lenglet e Tomás Araújo] para gerir de forma inteligente. Temos de gerir de forma inteligente porque temos jogos de três em três dias e é importante fazê-lo. Era importante ver outros jogadores em competição. Queríamos ter ganhado o jogo. Em alguns momentos superámos o desafio na primeira parte. A segunda parte não foi bem conseguida, mas era de esperar pelos poucos minutos e entendimento. Durán? Tem que ir crescendo com os outros e perceber a nossa dinâmica. Com bola vai perceber facilmente. Sem bola demora um pouco mais, mas vai chegar onde quero. Tem que crescer. Não tem jogado muito e precisa de minutos em campo. Deixámo-lo jogar 90 minutos para ele crescer fisicamente e ajudar a equipa”, acrescentou Marco Silva.
https://twitter.com/_Goalpoint/status/2088003379863720248?s=20
“Samuel Soares? Como tenho dito, as razões pelas quais coloco o jogador A, B ou C a jogar é porque eu decido assim. Depois dou as explicações que devo dar. Aarhus? Vamos falar do Casa Pia agora, é mais importante para nós. Hoje já não há adversários acessíveis. Temos que nos respeitar a nós enquanto clube e respeitar os adversários. Hoje em dia no futebol não há nada fácil”, concluiu Silva.