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Madrid estima em 5.000 os migrantes que permanecem em Ceuta

Entre os migrantes que continuam em Ceuta, encontram-se identificados 1.898 menores. Ministro do Interior espanhol garante que as pessoas em situação irregular vão regressar "com a maior brevidade".

Agência Lusa
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O ministro do Interior espanhol estimou esta quinta-feira em cerca de 5.000 as pessoas ainda em Ceuta, depois da entrada irregular maciça de mais de 70.000 migrantes oriundos de Marrocos, no final de julho.

Entre eles encontram-se identificados 1.898 menores, num processo que está praticamente concluído, disse Fernando Grande-Marlaska aos jornalistas na Delegação do Governo em Ceuta.

Entre os adultos, foi concluído o tratamento de mais de meio milhar de pedidos de asilo internacional, a maioria dos quais com uma decisão desfavorável à concessão de proteção internacional.

Marlaska anunciou também um novo reforço policial em Ceuta, que se junta ao que as forças de segurança espanholas têm vindo a realizar na cidade autónoma no norte de África desde o final de julho.

Atualmente, há 880 agentes policiais, mais 270 do que antes da crise, e 714 guardas civis, quase mais 200, esclareceu.

A Polícia Nacional espanhola vai contar nestes dias com um reforço adicional da Unidade de Prevenção e Reação, de 45 novos agentes, juntamente com 20 da Brigada Central de Estrangeiros e Fronteiras para apoiar o Gabinete de Asilo e Refúgio.

O Governo espanhol vai também acelerar a identificação e os procedimentos necessários para proceder ao regresso a Marrocos dos migrantes entrados irregularmente, uma vez determinada a situação administrativa, disse Marlaska, explicando que a prioridade inicial foi a identificação dos menores.

O ministro garantiu que as pessoas em situação irregular vão regressar “com a maior brevidade”, voltando a sublinhar que quem entrou ilegalmente não pode permanecer em Ceuta.

Também não vão ser transferidos para a península nem entrar no espaço europeu de livre circulação Schengen, salvo casos excecionais de máxima vulnerabilidade previstos pela legislação espanhola e internacional.

Marlaska indicou que aqueles que permanecerem escondidos para evitar a identificação vão acabar por ser localizados e que, uma vez comprovada a situação de permanência irregular, será iniciado o processo de expulsão.

No caso daqueles que tenham cometido crimes, assinalou que o procedimento será acelerado e que o Ministério do Interior solicitou ao poder judicial as autorizações necessárias para proceder à expulsão.

A 30 e 31 de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta em 24 horas, tendo a maior parte (70 mil) voltado posteriormente a Marrocos, de acordo com dados das autoridades de Espanha.

Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Na sequência desta crise, foram reforçados os controlos policiais tanto em Marrocos como em Espanha, que, nos últimos dias, instalou barreiras flutuantes no mar em Ceuta e Melilla.

Apesar deste forte destacamento policial, os apelos para tentar uma nova entrada em massa em Ceuta e Melilla a 15 de agosto continuam a multiplicar-se nas redes sociais marroquinas.

As cidades autónomas de Ceuta e Melilla são dois enclaves espanhóis localizados junto à costa de Marrocos e são as duas únicas fronteiras terrestres da UE com África.