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(A) :: Afinal não foi só a seleção espanhola que venceu no Mundial. Foi também Beckham, a Adidas e a Levi's

Afinal não foi só a seleção espanhola que venceu no Mundial. Foi também Beckham, a Adidas e a Levi's

As lonas brancas da Levi's, a incontornável Adidas e o fenómeno Vozinha, que passou de jogador a marca. O Mundial 2026 não se jogou apenas dentro de campo: houve vencedores e vencidos fora dele.

Manuel Conceição Carvalho
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O Mundial 2026 vai ficar na memória do futebol pelos golos, pelas histórias e pela final entre Argentina e Espanha. Mas também pelo que aconteceu em termos comerciais. A FIFA gerou 15 mil milhões de dólares num único ciclo de quatro anos e as marcas não passaram ao lado da atenção mediática que um Campeonato do Mundo traz consigo.

A batalha mais visível travou-se entre as duas gigantes do vestuário desportivo: Adidas e Nike. A Adidas saiu vencedora da edição com um argumento difícil de contrariar: os dois finalistas, Argentina e Espanha, vestiram o seu logótipo. A venda de camisolas quadruplicou em relação ao Mundial no Qatar e as receitas ligadas ao torneio deverão ultrapassar os 1,7 mil milhões de dólares. No centro desta estratégia esteve a Trionda, a bola oficial do torneio, que a Adidas transformou em objeto de culto: réplicas gigantes espalhadas pelas cidades-sede e, de acordo com o The Athletic, vendas que duplicaram face a 2022.

https://twitter.com/FIFAcom/status/2052070889773318380

A campanha Backyard Legends foi uma das apostas da marca alemã neste Mundial, com influenciadores e atletas de elite reunidos num modelo híbrido entre o cinema e a publicidade: Timothée Chalamet, Lionel Messi, Bad Bunny, Jude Bellingham, Lamine Yamal, Trinity Rodman, Zidane, Beckham, Del Piero, o Ballon d’Or Ousmane Dembélé, Raphinha e Pedri. A iniciativa recebeu uma nomeação para um Emmy.

https://www.youtube.com/watch?v=mJJY53qhJe0

Fora do relvado, nenhum nome foi tão omnipresente como David Beckham. Aos 51 anos, o ex-jogador inglês protagonizou campanhas para 11 empresas distintas ao longo do torneio — da tecnologia bancária à alimentação rápida —, passando ainda, por exemplo, pelo estágio da seleção inglesa nas instalações do Inter Miami, clube que David Beckham cofundou.

Um dos momentos mais comentados da edição não envolveu nenhum patrocinador oficial. A Levi’s, impedida pelas normas da FIFA de exibir a sua marca no estádio de Santa Clara, usou lonas brancas para cobrir os seus logótipos — e partilhou o processo com ironia nas redes sociais.

Os números das plataformas digitais confirmam a dimensão do fenómeno. O TikTok registou 1,2 mil milhões de visualizações relacionadas com o torneio. Kansas City foi a cidade-sede com maior crescimento no gasto dos consumidores, revela ainda o mesmo meio.

Há ainda o caso de Vozinha, guarda-redes cabo-verdiano, que passou de jogador a marca. O atleta africano que estava no Chaves iniciou o Mundial com cerca de 50 mil seguidores. Depois do seu primeiro jogo na prova, diante da seleção espanhola, acumulava cerca de um milhão. Atualmente conta com mais de 29 milhões de seguidores apenas no Instagram.