Uma multidão de pessoas estava ávida por assistir à chegada dos noivos no passado sábado à Sé do Funchal. A cerca de três quilómetros dali, havia ainda um outro grupo à porta do hotel Savoy Palace, onde estavam hospedados o casal e os seus familiares. Duas motas da polícia estacionadas em frente ao empreendimento ajudavam a construir o enredo de que dali poderiam sair Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez a caminho do seu casamento. Apesar de relatos de que o staff do Savoy teve dificuldades para impedir que pessoas entrassem no empreendimento só para observar e fotografar, os sete carros conseguiram sair do hotel a caminho da igreja, onde ainda mais fãs de várias nacionalidades aguardavam o futebolista e a sua noiva.
Quando uma das pessoas gritou “olha a Georgina!”, a multidão avançou para a parte sul da igreja, oposta àquela onde estava a maioria das pessoas. A mudança de trajeto, contam ao Observador os condutores dos carros contratados para o casamento, foi uma estratégia para conseguir levar a noiva, que deveria ser a última a chegar, o mais perto possível da Sé. “Havia muita gente a aguardar à porta da igreja, centenas de pessoas. Foi um bocadinho complicado“, disse Miguel Gouveia, um dos donos da empresa de transporte OldTimer Tours, contratada pelo casal. Por volta das 14h, um Rolls-Royce estacionou mesmo à porta da Sé do Funchal, para que de vestido branco de saia bufante, coroa na cabeça e bouquet de flores na mão com um crucifixo, saísse a noiva: era Nicole Cunha, não Georgina Rodríguez.
O casal madeirense Fábio Ramos e Nicole Cunha foi o que de facto tinha agendado uma receção no hotel Savoy Palace e a cerimónia na Sé do Funchal naquele dia. Cerca de cinco dias antes, diz o empresário Miguel Gouveia, já se ouviam na ilha as conversas de que o futebolista e a sua noiva estavam para chegar. A empresa de carros, que já há dois anos tinha marcado o evento com Fábio e Nicole, tentava esclarecer os curiosos que o casamento de Ronaldo não estava na agenda da igreja nem do Savoy naquele fim de semana, mas não foi suficiente. “Uma mãe e uma filha, que estavam de férias vindas do continente, perguntaram-me se o casamento era de ‘alguém especial'”, diz Miguel. Uma fotojornalista que estava no local e havia fotografado a chegada do noivo com os seus pais mostrou a imagem às turistas. Não era Ronaldo nas fotografias, mas mãe e filha permaneceram na mesma à espera da noiva.



Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro é a pessoa com mais seguidores no mundo no Instagram e também o futebolista mais bem pago do planeta. O pedido de casamento a Georgina, com quem está num relacionamento há dez anos, foi feito a 11 de agosto de 2025. O anel de noivado, com uma grande pedra, foi exibido numa publicação no Instagram. “Sim, quero. Nesta e em todas as minhas vidas”, escreveu Gio, revelando o “sim” como resposta a Ronaldo. Desde então, teve início uma série de especulações sobre quando e onde seria realizada a cerimónia. A Quinta da Regaleira, em Sintra, seria o sítio escolhido para o casamento no dia 1 de agosto, anunciou o programa de televisão V+ Fama, da TVI, a 28 de julho. “A Quinta da Regaleira estará aberta em condições normais e no seu período habitual”, esclareceu no entanto, no rescaldo desta notícia, o sítio turístico ao Observador. O único evento realizado naquele fim de semana no espaço em Sintra foi um concerto aberto ao público.
O boato de que Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez trocariam as alianças no Funchal surgiu no dia 1 de agosto, numa publicação do jornal britânico The Sun, que cita “relatos locais” de que a receção ocorreria no hotel Savoy Palace, seguida da cerimónia na Sé do Funchal. No dia 4 de agosto, o Observador contactou pela primeira vez a Catedral do Funchal a questionar se o casamento do futebolista estava marcado para ocorrer naquela igreja no dia 8. O cónego Marcos Gonçalves respondeu que “infelizmente” a informação não era verdadeira. “Não temos nenhuma reserva para o casal Ronaldo e Georgina. Seria uma honra“, disse. Vídeos em grupos locais da Madeira nas redes sociais mostram centenas de pessoas em frente à igreja no passado sábado. Após o casamento de Nicole e Fábio na igreja, a reação do pároco da Sé do Funchal mostrou-se diferente do entusiasmo inicial.
“Nunca vimos nada assim. Foi muito complicado a noiva entrar na igreja da Sé para casar”, escreveu a igreja na sua página no Facebook. O Observador contactou a Sé do Funchal uma segunda vez esta quinta-feira. “Não estamos interessados” em comentar, limitaram-se a responder sobre a multidão gerada e todo o frenesim. Em seguida, foram apagadas duas das três publicações feitas pela Sé do Funchal no Facebook após o casamento — mas a captura de ecrã das mesmas havia sido feita anteriormente pelo Observador, pelo que se pode ver abaixo.


A única publicação mantida foi aquela em que saúdam os recém-casados naquela igreja. O texto da legenda foi editado após este segundo contacto, o que pode ser verificado no “histórico de edições” da mesma. “Muitas felicidades ao casal Nicole e Fábio. Depois de muita confusão na rua com tantos jornalistas e turistas finalmente conseguimos fechar a igreja e celebrar”, foi escrito na primeira versão, agora resumida a “Muitas felicidades ao casal Nicole e Fábio. Deus vos abençoe”. Na até então mais recente publicação na página da Sé do Funchal sobre o casamento, — e que foi também apagada — a igreja afirmou que acolhe, ao longo de todo o ano, “numerosas celebrações de matrimónios, estando habitualmente agendados casamentos aos sábados”. Mas apelou a que episódios como o do passado sábado não se repitam. “Estes casais e as suas famílias têm direito a viver um momento tão importante das suas vidas com paz, privacidade e serenidade“.
Já a empresa de transportes levou com bom humor aquele dia de trabalho “diferente, mas que correu bem”, como descrevem. E supõe ainda que as motas da polícia à porta do Savoy eram, na verdade, para fazer a segurança da equipa do Casa Pia Atlético Clube, que estava no hotel antes de enfrentar o CS Marítimo no Estádio dos Barreiros naquele dia 8 de agosto. A empresa do grupo de músicos contratados para se apresentar na igreja também fez piada da situação. “Casamento do Ronaldo e Georgina! Podia ser, mas não foi… foi da Nicole e Fábio! Um casal jovem, lindo e apaixonado que teve uma receção apoteótica e inesquecível junto à Sé Catedral do Funchal!”, escreveram no Facebook.

Os rumores do príncipe herdeiro saudita
Na pista do Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo, aterrou na passada terça-feira um avião Boeing 787 Dreamliner com a bandeira saudita, assim como a inscrição “Reino da Arábia”. A chegada da aeronave seria um sinal: a coroa saudita poderia estar a caminho da ilha para passar uns dias de férias. Aquele avião não traria ainda os membros da coroa saudita, que mantêm tradicionalmente uma postura extremamente reservada e avessa ao mediatismo. Teriam sido transportados apenas membros da comitiva que acompanhariam a família real à Madeira. Os jornais madeirenses avançaram com as informações de que o Príncipe herdeiro Mohammed bin Salman estaria na ilha, assim como a princesa Sara bint Mashour Al Saud.
A RTP Madeira assegurava, na terça-feira, que o Príncipe herdeiro estaria na Madeira por duas semanas, sendo acompanhado por uma grande comitiva — desde convidados, staff, equipas de segurança, que estariam distribuídos por vários hotéis. Mohammed bin Salman deveria ter aterrado na Madeira esta quinta-feira, por onde ficaria alguns dias.
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A chegada da aeronave saudita ao Funchal ocorreu no dia em que Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez anunciaram que se tinham casado em Cascais. O príncipe herdeiro saudita e líder de facto do país sempre foi próximo do capitão da Seleção Nacional. Daí que se tivesse inicialmente especulado que Mohammed bin Salman poderia estar presente numa cerimónia organizada pelo casal na Madeira, de onde é natural o atleta que joga atualmente no Al-Nassr.
O Al-Nassr é maioritariamente controlado pelo Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano gerido pelo Governo da Arábia Saudita e presidido por Mohammed bin Salman. Sendo o capitão da equipa saudita — e tendo surgido notícias de que a sua proposta de renovação em 2025 poderia incluir uma participação acionista de 5% no clube —, os dois homens são próximos. O Diário de Notícias da Madeira escreveu mesmo que os elementos da coroa saudita vinham “conhecer a terra natal do craque madeirense Cristiano Ronaldo”. E especulou-se que poderia ser um dos convidados para uma festa realizada na ilha após o casamento civil.
Para esse efeito, já estariam a ser ultimados os pormenores para a chegada de Mohammed bin Salman, como a reserva da sala VIP do aeroporto do Funchal e uma operação de segurança montada pela Polícia de Segurança Pública (PSP). Sobre a visita, vários jornais madeirenses indicaram que o príncipe herdeiro ficaria hospedado no Savoy Palace, um hotel luxuoso de cinco estrelas no Funchal — e onde Nicole e Fábio tinham feito a receção do seu casamento.

Teriam sido mesmo encerrados, segundo avançou o Jornal da Madeira, os últimos pisos do estabelecimento hoteleiro para receber Mohammed bin Salman. Por sua vez, à revista Sábado, fonte institucional madeirense confirmou a vinda do príncipe herdeiro à Madeira. Esta quarta-feira, ainda assim, começaram a surgir algumas dúvidas sobre a vinda de Mohammed bin Salman à ilha. O Diário de Notícias da Madeira publicou, a meio da tarde, que a sua presença não estava confirmada na região autónoma.
O Observador tentou perceber, junto do comando regional da PSP na Madeira, se havia mesmo uma operação de segurança a ser montada para receber o príncipe herdeiro. Apesar de Mohammed bin Salman não ser chefe de Estado (o cargo ainda é ocupado pelo Rei Salman), continua a ser uma figura bastante influente — e é quem lidera o reino, uma monarquia absolutista. Em resposta ao Observador, fonte da polícia garantiu esta quarta-feira: “A PSP não tem nenhuma operação em curso para receber a família real saudita”. Questionada sobre as informações de que outros órgãos de comunicação social tinham avançado sobre esta operação, a PSP remeteu para esses jornais. “Desconhecemos a chegada de qualquer delegação”, vincou a mesma fonte.
Na quarta-feira à noite, após este esclarecimento da PSP, o Diário de Notícias da Madeira adiantou que a viagem à Madeira teria sido cancelada, uma vez que a família real teria ficado insatisfeita com o facto de ter sido publicada de antemão, alegando uma “violação de privacidade” que causou o cancelamento dos planos. O Observador tentou entender — junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Governo regional madeirense — se tinha havido alguma viagem programada. A diplomacia portuguesa assegurou que não tinha conhecimento de nenhuma visita de Mohammed bin Salman. No mesmo sentido, fonte do Governo regional madeirense assegurou ao Observador que “nunca houve” qualquer informação de que a coroa saudita viesse à ilha.

Ainda assim, segundo fontes consultadas pelo Diário de Notícias da Madeira e pela Sábado, várias empresas que tinham sido contratadas pela coroa saudita viram os seus serviços serem cancelados. Fonte institucional disse mesmo à Sábado que o cancelamento teve impactos económicos nas instalações hoteleiras. Apesar de ter aterrado um avião no Funchal que trazia parte da comitiva saudita, a viagem nunca foi oficialmente confirmada pela família real da Arábia Saudita.
Entre todos os rumores e possíveis viagens de príncipes sauditas, certo é que, esta terça-feira, Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez acabaram por se casar numa cerimónia “civil de carácter íntimo e privado”. O anúncio foi feito num comunicado enviado às redações jornalísticas pela consultora norte-americana Brunswick Group e depois confirmado pela fotografia publicada pelos dois no Instagram, que mostra a aliança. Fugindo de multidões e de câmaras de televisão, o casamento contou apenas com a presença confirmada dos cinco filhos do casal.
Cristiano Ronaldo é filho de Maria Dolores, irmão de Kátia, Hugo e Elma Aveiro e tio de seis sobrinhos. Kátia Aveiro, a mais ativa nas redes sociais entre os irmãos, chegou a fazer piadas sobre os boatos envolvendo o casamento do seu irmão na Sé do Funchal. “Vim conhecer a igreja mais famosa de Portugal e arredores dos últimos dias”, ironizou num vídeo temporário partilhado nas redes sociais. Na terça-feira, publicou fotografias no hotel da marca CR7 no Funchal e um vídeo em que dizia estar a comer peixe com a sua mãe na ilha. “A Maria Dolores tá cansada, mas vamos dar uma animada”, escreveu. Naquele mesmo dia, a cerca de mil quilómetros de distância, Cristiano Ronaldo casava-se com Georgina em Cascais.
Um documento divulgado pelo 24Horas revela que a união foi oficializada às “13 horas e 30 minutos numa casa sita na União das Freguesias de Cascais e Estoril”, com “convenção antenupcial” e regime de separação de bens. Nem Ronaldo nem Georgina mudaram os seus apelidos. As quatro testemunhas no momento da assinatura foram Miguel Paixão (um dos melhores amigos de Ronaldo), Ivana Rodríguez (irmã de Georgina) e o casal de empresários Jose Rodriguez Sangil e Monica Gonzalez Martinez. Tudo leva a crer que o núcleo duro da família Aveiro não terá estado presente. No aeroporto, já em Lisboa, uma fã abordou Kátia sobre o tema. “O Cristiano disse que casou agora”, disse a fã. “Eu casei há cinco anos“, respondeu, sem referir o enlace do irmão. O casamento civil foi consagrado, mas um copo de água com os amigos e familiares — seja na Madeira, em Cascais ou na Arábia Saudita — para já, nunca foi anunciado.
[O espião português suspeito de vender segredos à Rússia voa para Roma e as autoridades estão determinadas a apanhá-lo em flagrante a passar informações a um agente de Moscovo. “A vida dupla do espião traidor” é o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pelo ator Ivo Canelas, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e aqui o segundo.]