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(A) :: Marco mudou a pele da águia no assalto ao castelo de Edimburgo, mas não conseguiu evitar os facilitismos (a crónica do Hearts-Benfica)

Marco mudou a pele da águia no assalto ao castelo de Edimburgo, mas não conseguiu evitar os facilitismos (a crónica do Hearts-Benfica)

O treinador deu minutos a quem precisava, mas os problemas na finalização voltaram à tona e só Lukebakio conseguiu contorná-los para evitar a derrota. Fica a melhor imagem do frágil Hearts (1-1, 2-7).

Tiago Gama Alexandre
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Há visitas que não passam de meras formalidades e há formalidades que se resolvem com meras visitas. Fosse o que fosse, era isto que esperava o Benfica na visita à Escócia, depois de, há uma semana, as águias terem feito o seu trabalho e cilindrado o Hearts no Estádio da Luz (6-1). Contudo, depois de um início prometedor, com duas goleadas a seguir à surpreendente derrota em casa do St. Gallen, os encarnados voltaram a marcar passo, agora na estreia no Campeonato Nacional. Tudo aconteceu na receção ao Académico de Viseu, que aconteceu no domingo à porta fechada. O Benfica voltou a marcar nos primeiros minutos, esteve por duas vezes em vantagem, mas permitiu o empate dos viriatos, que pontuaram pela primeira vez no anfiteatro vermelho e branco (2-2). Depois desse jogo, as dúvidas voltaram a tomar conta da equipa liderada por Marco Silva, treinador que ainda espera por reforços no que resta da janela de transferências.

https://observador.pt/2026/08/09/quando-as-portas-se-fecham-as-janelas-que-prestianni-abre-nao-chegam-para-manter-viva-a-luz-a-cronica-do-benfica-academico-de-viseu/

Ao contrário do que aconteceu no domingo, esperava-se que, no Tynecastle Park, o treinador português fizesse mudanças no seu onze. Com os nomes que estiveram no Campeonato do Mundo a ganharem ritmo paulatinamente, perspetivava-se a titularidade de Richard Ríos, Andreas Schjelderup ou até de John Durán, que se afirmou definitivamente como a alternativa a Vangelis Pavlidis depois da saída de Franjo Ivanovic para o Lens. Quem continuou de fora foi Fredrik Aursnes, que recuperou, mas ficou em Lisboa por opção da equipa técnica. Já Jaden Umeh ainda marca presença no lote de lesionados.

“Os jogos são sempre diferentes. Não há jogos iguais. Após aquela boa exibição, se jogássemos no dia seguinte, mesmo que fosse na Luz, seria diferente. Amanhã [quinta-feira] será diferente. Queremos e ambicionamos que acabe com o mesmo resultado. Estamos com um resultado que dá confiança, mas não se podem dar facilitismos. É o primeiro passo para o erro. O objetivo é estar no playoff e é diferente consegui-lo com dois resultados bons. Já estamos a competir com os jogadores que chegaram mais tarde, que ainda têm que competir, perceber melhor as dinâmicas e o que queremos. Temos percebido isso quando há algumas alterações durante o jogo. Em alguns momentos, a equipa consegue manter os níveis ou até melhorar, mas noutros momentos há jogadores que ainda têm que se adaptar àquilo que pretendemos”, explicou Silva na antevisão ao jogo da segunda mão da terceira pré-eliminatória.

Ficha de jogo

Hearts-Benfica, 1-1 (2-7 no agregado)

2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa 2025/26

Tynecastle Park, em Edimburgo (Escócia)

Árbitro: Sander van der Eijk (Países Baixos)

Hearts: Beau Reus; Jordi Altena, Oisin McEntee (MJ Kamson-Kamara, 84’), Stuart Findlay, Jamie McCart; Blair Spittal, Tom Renaud (Tómas Magnússon, 64’); Calvin Miller (James Wilson, 75’), Cláudio Braga (Pierre Kaboré, 75’), Josh McPake; Sabri Guendouz (Sabah Kerjota, 75’)

Suplentes não utilizados: Ryan Fulton; Matthew Gillies e Amadou Ba-Sy

Treinador: Wouter Vrancken

Benfica: Samu Soares; Amar Dedic, Manu Silva, Clément Lenglet (Tomás Araújo, 46’), José Neto; Enzo Barrenechea (Leandro Barreiro, 64’), Richard Ríos, Giorgi Sudakov (Gianluca Prestianni, 64’); Dodi Lukebakio (Jakub Kaminski, 79’), Andreas Schjelderup (Rafa Silva, 79’) e Jhon Durán

Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; Alex Bah, Vangelis Pavlidis, Samuel Dahl, Gabriel Índio, Daniel Banjaqui e Miguel Figueiredo

Treinador: Marco Silva

Golos: Magnússon (77’) e Lukebakio (78’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Braga (33’)

Do outro lado estava um Hearts de coração ferido, que somou a primeira vitória da época no fim de semana, na receção ao Dundee United (4-0). “Não podemos descartar a qualidade do Benfica, que não perdeu na Primeira Liga na época passada e ficou no terceiro lugar. É uma equipa agradável de se ver e com muita qualidade. Temos de estar prontos para dar tudo e prolongar a sensação que tivemos no domingo. Precisamos de experiência, algo que só se consegue a competir neste nível, e de estar fisicamente preparados. Temos uma excelente oportunidade para aprender muito. Os jogadores esforçam-se e o próximo passo é obter resultados. Cláudio Braga? Falámos, mas isso fica entre nós. Enquanto ele estiver cá, tenho a certeza de que estará comprometido a 100%. Que eu saiba, não houve nada de concreto e estou feliz por isso. Vamos torcer para que assim continue até ao início de setembro”, assumiu Wouter Vrancken.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2087841595156734316?s=20

Em relação ao jogo frente ao Ac. Viseu e ao duelo da primeira mão, Marco Silva confirmou as previsões e mudou mais de metade do seu onze, apresentando alterações em todos os setores, à exceção da baliza, onde continuou Samuel Soares. Na defesa resistiu apenas Clément Lenglet, com Amar Dedic, José Neto e Manu Silva a entrarem para os lugares de Alex Bah, Samuel Dahl e Tomás Araújo. No meio-campo continuaram Enzo Barrenchea e Giorgi Sudakov, com Ríos a completar o trio, em detrimento de Leandro Barreiro. No ataque houve caras novas nas três posições, com Rafa Silva, Gianluca Prestianni e Vangelis Pavlidis a cederem os seus lugares a Dodi Lukebakio, Schjelderup e Durán. Nos jambos registaram-se quatro mudanças em relação à primeira mão, com Wouter Vrancken a conceder a titularidade a Jamie McCart, Tom Renaud, Josh McPake e Sabri Guendouz, retirando Harry Milne, Laurent Mendy, Alexandros Kyzirids e Pierre Kaboré.

Depois de um início de jogo confuso e de estudo entre as duas equipas, que se montaram num 4x4x2 sem bola, o Benfica começou a galvanizar-se e, ainda nos primeiros dez minutos, criou a primeira ocasião de perigo, com o meio-campo a encontrar o espaço ao primeiro toque e Ríos a servir Durán dentro da área, mas o remate forte do colombiano saiu à malha lateral (9′). O Hearts respondeu pelo lado esquerdo do ataque, com McPake a descobrir Guendouz solto de marcação à entrada da área, só que o remate do francês saiu para defesa segura de Samu (12′). Pouco depois, no seguimento de um canto curto, Schjelderup tirou um belo cruzamento para o segundo poste, o médio colombiano apareceu completamente sozinho, permitindo a defesa a Beau Reus quando tinha tudo para fazer melhor (15′). Na oportunidade seguinte as águias voltaram a deixar a desejar no capítulo da finalização, com Dedic a cruzar para Durán, que falhou o remate, só que a bola sobrou para o segundo poste, onde Sudakov apareceu completamente sozinho, mas sem conseguir finalizar (23′).

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2087986756742164973?s=20

A formação vermelha e branca continuou por cima, a controlar com bola e a somar oportunidades, seguindo-se mais um desperdício do ucraniano, que cabeceou fraco para as mãos de Reus depois de um bom trabalho de Lukebakio na direita (29′). Já na parte final do primeiro tempo, Durán voltou a aparecer solto dentro da área e atirou para defesa apertada de Reus. A bola sobrou para Sudakov, que deixou de cabeça para Dedic, mas o cabeceamento do lateral acertou na trave (36′). Ainda houve tempo para Schjelderup começar a aparecer, primeiro com um remate que obrigou o guarda-redes a defender para a frente (42′) e, depois, com uma jogada ao seu estilo, em que recebeu de Sudakov junto à linha, cavalgou para o meio e, à entrada da área, desferiu um remate colocado que passou muito perto do poste (45′).

Ao intervalo, Silva aproveitou para continuar a rotação nos centrais, colocando Tomás Araújo no lugar de Lenglet. A alteração acabou por ficar ligada ao período de adormecimento do Benfica, que demorou a entrar na segunda parte e esteve muito perto de sofrer, com Sabri Guendouz a mostrar-se muito perdulário. Primeiro, o francês aproveitou bem o espaço entre os centrais, isolou-se depois de ganhar o duelo a Manu Silva, mas atirou ao lado (52′). Depois, voltou a aparecer isolado após uma jogada de ligação pelo meio, só que Samu Soares saiu rapidamente da baliza e defendeu com as pernas (52′). A bola acabou por entrar numa jogada pela esquerda, mas Josh McPake estava ligeiramente em fora de jogo antes de fazer o cruzamento para o remate certeiro de Calvin Miller (54′). Seguiu-se um cabeceamento de Jamie McCart num livre (63′), antes de as entradas de Leandro Barreiro e Gianluca Prestianni terem estabilizado as águias.

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2088001266160943540?s=20

Foi nessa condição que surgiu a primeira oportunidade de perigo dos encarnados na etapa complementar, com Prestianni a receber na esquerda e a cruzar rasteiro para o centro da área, onde Amar Dedic apareceu vindo de trás, só que o seu remate bateu num defesa e saiu por cima (70′). Pouco depois, os jambos encontraram espaço pelo meio, Pierre Kaboré recebeu de Sabah Kerjota, foi desarmado por Manu, a bola sobrou para Tómas Magnússon que, de primeira, desferiu um remate forte e colocado para o golo inaugural (77′). Logo a seguir, Andreas Schjelderup deixou para José Neto dentro da área, o lateral rodou e tocou para a entrada da área, onde Dodi Lukebakio apareceu a desferir um remate colocado, praticamente igual, para o empate (78′). Já com Jakub Kaminski e Rafa Silva em campo, Barreiro tentou evitar o empate com um remate forte após um passe acrobático de Rafa, mas Beau Reus defendeu e segurou um resultado que não agrada a Marco Silva (1-1, 2-7).

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