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Suárez, Quaresma e os não assuntos: tudo o que Rui Borges disse na véspera do jogo com o V. Guimarães

Da novela Suárez ao braço de ferro com o balneário, Rui Borges, treinador do Sporting chegou à conferência de antevisão ao V. Guimarães com mais dossiês para fechar fora do campo do que dentro dele.

Manuel Conceição Carvalho
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A conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o V. Guimarães era, na teoria, sobre futebol. Na prática, foi mais sobre tudo o resto e Rui Borges sabia-o antes de se sentar na cadeira. A semana começou ainda no início do verão, quando o jornalista italiano Fabrizio Romano lançou a bomba: Luis Suárez tinha chegado a acordo com Hakan Safi, candidato à presidência do Fenerbahçe, para se transferir para Istambul caso o multimilionário vencesse as eleições do clube turco. O próprio candidato não poupou nas palavras: “Um bom jogo joga-se com bons jogadores, e bons jogadores compram-se com dinheiro”, atirou, usando o melhor marcador do campeonato português como principal trunfo eleitoral. O Sporting desvalorizou: o clube ainda não tinha recebido qualquer proposta oficial, e Frederico Varandas deixou claro que o preço do avançado eram 80 milhões de euros da cláusula, nem menos um cêntimo. Safi acabou por perder as eleições. O dossiê encerrou, mas deixou rasto.

Poucos dias depois, já em Alcochete, Suárez saiu em direção ao balneário antes de completar um exercício complementar. Rui Borges foi chamá-lo e ele voltou. Na conferência de imprensa de antevisão ao Estrela da Amadora, o técnico tentou encerrar o assunto com uma frase: “Acho algumas coisas ridículas. Não houve caso nenhum. Se houvesse, iam saber porque ia entrar em alçada disciplinar”, afirmou. A explicação era simples: Suárez tinha acabado um jogo de dez contra dez, ficou frustrado com os dados do treino e saiu mais cedo. Borges equiparou a reação a episódios semelhantes com Maxi Araújo e Viktor Gyökeres. Caso encerrado, na teoria.

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Para complicar, terá havido ainda um conflito entre Pedro Gonçalves e Luis Suárez, com o plantel a viver uma “quebra de confiança” na relação com o colombiano, num arranque de temporada em que o avançado tem sido protagonista de alegados focos de desestabilização. O desentendimento entre os dois jogadores estaria a minar o balneário leonino e a gerar divisão no grupo.

Na prática, o jogo da Reboleira reabriu tudo. O Sporting esteve a vencer por 2-0 e deixou o Estrela da Amadora empatar e quando o apito final soou, as câmaras captaram o que as palavras tinham tentado apagar: Rui Borges saiu do banco, cumprimentou jogadores e responsáveis do Estrela um a um, cumprimentou os árbitros, juntou-se ao grupo leonino e passou em frente a Luis Suárez sem lhe dirigir uma única palavra nem um olhar. O balneário, entretanto, também não estava satisfeito com o treinador: segundo a mesma fonte, o plantel ficou desagradado com as críticas públicas de Borges a Eduardo Quaresma, a quem apontou o dedo pelo primeiro golo do Estrela. “Fez um grande jogo, mas manchou-o nesse momento”, disse.

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Na conferência desta quinta-feira, Rui Borges tentou fechar todos os dossiês em aberto. Sobre Luis Suárez, garantiu que não houve qualquer episódio de indisciplina: “Não houve qualquer episódio. Treina bem, vai a jogo. Não treina bem, não vai a jogo”, afirmou. Sobre o Fenerbahçe, foi lacónico: “Nem é assunto. É natural, melhor marcador do campeonato português, é natural que o queiram, como querem o Geny [Catamo], como querem muitos outros jogadores. Faz parte do mercado”, disse.

Sobre Quaresma, recuou sem recuar: “Eu não critiquei o Quaresma. Fizeram-me uma pergunta direta sobre o lance do primeiro golo. Disse que fez um grande jogo, um belíssimo jogo e que, independentemente de ser falta ou não, não podia parar. Foi a única coisa que disse”, acrescentou. O técnico foi mais além no elogio ao central, lembrando que a confiança no jogador não está em causa — e que a prova disso está no grupo de capitães, onde Quaresma foi incluído. “Ele tem tido um crescimento excecional enquanto atleta, enquanto jogador, enquanto pessoa. Por isso é que está no lote dos capitães”, disse. E sobre as expectativas: “Espero que ele continue a dar a resposta que tem dado. É isso que lhe peço — que falhe, porque vai falhar, vão falhar os outros. Mais falho sou eu”, acrescentou.

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Sobre o empate com o Estrela, assumiu a responsabilidade coletiva: “Não empatámos por causa do Luis, empatámos por tudo, por todos. Maior culpado será sempre o treinador”, concluiu.

Havia ainda outro capítulo do dossiê Suárez por fechar. Nas últimas semanas, as publicações do avançado nas redes sociais — mensagens de teor bíblico que se repetem há cerca de um ano — voltaram a circular e a gerar interpretações. Borges fechou o tema com a mesma economia de palavras que usou para o resto: “Tantos jogadores metem mensagens. Isso é a interpretação de cada um. A malta lembrou-se agora de pegar nas publicações do Suárez há uma semana. Não é assunto“, garantiu. Quanto à condição física do jogador, foi igualmente direto: não está no seu melhor, sabe-o, e está a trabalhar para lá chegar. Está convocado para o duelo contra os vitorianos.

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O jogo abre também espaço para a questão dos avançados. Rafael Nel, que somou poucos minutos na estreia, foi tema na sala de conferências. Borges recusou a ideia de que o jovem merece mais tempo nesta fase da época: “Só há 90 minutos de campeonato. Na pré-época fez imensos minutos e jogou bem”, afirmou. O treinador prefere enquadrar a situação no conjunto: Luis Suárez, Fotis Ioannidis e Rafael Nel são “três avançados diferentes, com características diferentes”, e a dor de cabeça — palavras dele — é tê-los todos disponíveis e em forma ao mesmo tempo. É esse o problema que quer ter. O Sporting está ainda a tentar resolver outro problema, o “da lateral esquerda”, confirmou o treinador.

Com ou sem casos, o Sporting tenta encontrar a sua primeira vitória na Primeira Liga na temporada 2026/2027 e afastar os assuntos extracampo com um triunfo que abafe os alegados problemas vividos no balneário verde e branco. A oportunidade surge esta sexta-feira, às 20h15, diante do V. Guimarães, a contar para a segunda jornada da competição.

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