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PJ detém 20 pessoas suspeitas de tráfico de droga para as prisões da Guarda, Coimbra e Lamego

A rede usava métodos inusitados: pólen de haxixe transportado no corpo, cocaína num rolo de carne e drogas sintéticas impregnadas em supostas mensagens infantis.

Agência Lusa
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Vinte pessoas foram detidas na segunda-feira e na terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ), por serem suspeitas de fornecimento de droga para os estabelecimentos prisionais da Guarda, Coimbra e Lamego. O grupo suspeito seria coordenado por um recluso da prisão da Guarda.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a PJ esclareceu que em causa estão os crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

“A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, com apoio do Corpo de Guardas Prisionais, levou a cabo uma operação policial, na segunda-feira e na terça-feira, na qual foram detidas 20 pessoas, que, de forma organizada, forneciam estupefacientes para os Estabelecimentos Prisionais da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego”, explicou a PJ.

A operação “Tranca Segura”, de acordo com a PJ, “resulta de uma investigação com a colaboração do Corpo de Guardas Prisionais e da Direção do Estabelecimento Prisional (EP) da Guarda, que decorre há cerca de um ano, motivada por ações de prevenção no EP da Guarda, em virtude da deteção e apreensão de estupefacientes dentro do referido Estabelecimento”.

A PJ revelou que estas ações “levaram à detenção sequencial de três homens e uma mulher quando tentavam introduzir pólen de haxixe transportado no interior do corpo, cocaína dissimulada dentro de um rolo de carne e de drogas sintéticas impregnadas em supostas mensagens de crianças escritas em papel”.

“No prosseguimento da investigação identificou-se o grupo completo, constituído pelos agora detidos, apurando-se que também disseminavam tais produtos ilícitos nas comunidades onde residiam, nomeadamente nas cidades da Guarda e Viseu”.

A PJ deu cumprimento a 23 mandados de busca domiciliária e não domiciliária, tendo sido cumpridos 19 mandados de detenção.

“Foi ainda detido um cidadão, em flagrante delito, por posse de arma proibida” e foram realizadas buscas nas prisões da Guarda, Coimbra e Lamego.

A intervenção do Corpo de Guardas Prisionais deu-se em especial ao nível do GISP — Grupo de Intervenção e Segurança Prisional e com três equipas cinotécnicas.

“Em resultado destas diligências foram encontradas e apreendidas cerca de 81 mil euros em dinheiro, 80 doses individuais de heroína, 120 doses de cocaína, sete papéis impregnados com estupefacientes, duas armas de fogo, 71 munições de diverso calibre, incluindo o das armas apreendidas, quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e ainda três viaturas”, revelou igualmente aquela polícia criminal.

Os detidos, 17 homens e três mulheres, vão ser presentes ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Guarda, cujo inquérito é ali titulado.

“A operação ‘Tranca Segura’ envolveu as demais unidades da PJ, que em estreita colaboração com o DIC da Guarda, contribuíram para o sucesso da ação, designadamente a Diretoria do Centro, os Departamentos de Investigação Criminal de Leiria, de Aveiro, a Unidade de Armamento e Segurança — UAS e ainda a Unidade de Perícias Tecnológicas e Informáticas — UPTI, desta Polícia, envolvendo 85 Inspetores, 10 Seguranças e três Especialistas de Polícia Científica”.

“As ordens saíam de dentro da cadeia” da Guarda

O grupo suspeito de fornecimento de droga para os estabelecimentos prisionais era liderado por um recluso da prisão da Guarda que cumpriu pena por tráfico no Peru, e para onde enviava “grande parte do dinheiro produto das vendas dentro das cadeias”, acrescenta ainda a PJ.

“O comando estava dentro do estabelecimento prisional da Guarda. O mandante é um recluso, que cumpriu pena por tráfico de estupefacientes no Peru, para onde mandava grande parte do dinheiro produto das vendas dentro das cadeias”, revelou o coordenador do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda da Polícia Judiciária.

Alexandre Branco falava aos jornalistas numa conferência de imprensa realizada nas instalações da PJ da Guarda, na sequência da detenção dos suspeitos.

“Já tinham esta vivência e sabiam bem como as polícias atuam. Faziam, inclusivamente, manobras de proteção para tentarem evitar que soubéssemos o que andavam a fazer”.

O coordenador da PJ da Guarda acrescentou que os suspeitos introduziam nas cadeias “pequenas quantidades de droga para que, se fossem intercetados, nunca caíssem no tráfico de estupefacientes”.

“Não temos muita droga apreendida, mas apreendemos muito dinheiro para esta dimensão”. Alexandre Branco adiantou que “as ordens saíam de dentro da cadeia”.

“Havia pessoas, que iam aos grandes centros populacionais, onde adquiriam a droga, que era entregue a outras pessoas, também só com essa função, que a traziam até à porta dos estabelecimentos prisionais”.

Depois, essa droga era distribuída por visitas, “que não estavam no esquema criminoso”.

“Algumas das quais suspeitamos que tenham atuado, mesmo sabendo do crime que estavam a cometer, com medo que acontecesse algum mal aos seus entes queridos reclusos”, disse Alexandre Branco.

“Conseguimos evidências desta entrada de droga trazida por visitantes. Era necessário saber como se processava e quem eram e pedimos, mais uma vez, a cooperação da PJ, que durante este ano e meio de investigação chegou a estes bons resultados”, declarou Luís Couto, diretor da prisão da Guarda, na conferência de imprensa.

O responsável assegurou ainda haver “a certeza que não há ninguém que trabalhe no estabelecimento prisional que esteja nesta organização”.

“Recebemos, por ano, praticamente entre 17 e 20 mil visitantes e nem todas as pessoas estão disponíveis para cumprir as regras. Este é um exemplo. Temos muitas dificuldades em controlar tudo e todos. Vamos fazendo, não diria o nosso melhor, mas mais do que o nosso melhor”.

O estabelecimento prisional da Guarda tem cerca de 287 reclusos e 105 profissionais.

Texto atualizado às 14h25 com a conferência de imprensa da PJ