Os animais do Jardim Zoológico em Lisboa ficaram esta quarta-feira aparentemente indiferentes ao eclipse e mantiveram rotinas e comportamentos habituais, uma vez que o fenómeno apenas escureceu o parque ligeiramente.
“Aquilo que nós vamos estar à espera é do seu comportamento natural. Os animais diurnos começam a apaziguar, a diminuir a sua atividade. Animais noturnos com o eclipse podem começar a sua atividade”, explicou à Lusa, antes do fenómeno meteorológico, um dos biólogos do Jardim Zoológico de Lisboa, onde habitam cerca de 2 mil animais de quase 300 espécies, entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
Entre os animais noturnos, o panda-vermelho e os felinos, como os leões, “com o entardecer, podem ter um pico de atividade para procurar alimento ou para ir patrulhar o seu território”, exemplificava o especialista do primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica, inaugurado há quase 150 anos, em 1884.
Ricardo Chana estimava também que após o eclipse os comportamentos continuassem, uma vez que o fenómeno, pelas 19h30, acontecia muito próximo do pôr do sol.
Por volta das 19h30, era possível ver uma leoa que parecia estar a preparar-se para ser fotografada, outros dois (um macho e uma fêmea) mantinham-se juntos e quietos e até foi possível ouvir o leão a rugir.
Segundo Ricardo Chana, a maioria das aves do parque são diurnas, por isso com o anoitecer diminuem a sua atividade e vão para os seus ninhos.
Por volta das 19h40, perto da hora do ponto máximo do eclipse, ouvia-se o vento, mas os sons de aves eram escassos, em comparação com os ruídos que se ouviam pelas 18h00.
Durante o período em que durou o eclipse, desde que começou a ser possível ver uma parte da lua e até quando esta já tinha tapado a maioria do Sol, as girafas, os elefantes, as nialas (espécie de antílope), que são diurnos e partilham o mesmo espaço, permaneceram tranquilos.
O eclipse solar total começou por volta das 18h30, terminou às 20h30 e a maior ocultação do sol ocorreu pelas 19h30.
Nos últimos dias, organizações e especialistas alertaram que durante o eclipse alguns animais poderiam alterar o seu comportamento.
Em Portugal, o eclipse foi total (100%) apenas numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança.
No resto do país, o eclipse foi parcial, de entre 92% e 99% em todo o território continental e os 74% a 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Um eclipse total do Sol ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados, e a Lua oculta completamente o disco solar por alguns momentos.