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(A) :: Médico do hospital de Évora com queixa de negligência demite-se. ULS averigua caso

Médico do hospital de Évora com queixa de negligência demite-se. ULS averigua caso

No início de agosto, foi aberto um "processo interno de averiguação". Família de doente morto nas urgências aguarda desfecho, ainda que com queixas de "negligência grosseira" pendentes.

Agência Lusa
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O médico oncologista do hospital de Évora acusado de negligência pela família de um homem que morreu nas urgências apresentou a demissão, revelou esta quarta-feira a unidade local de saúde (ULS), que abriu um inquérito ao caso.

Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa através de “e-mail”, a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), na qual o hospital de Évora está integrado, indicou que “o médico apresentou um pedido de cessação de funções, com produção de efeitos a partir de 30 de setembro“.

“Quanto aos motivos invocados [pelo médico oncologista], tendo em conta a relação laboral entre o profissional e a instituição, a ULSAC não pode divulgar informação adicional”, disse.

Na edição desta quarta, o jornal Correio da Manhã noticiou que o médico tinha apresentado a demissão do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).

Também nos esclarecimentos enviados à Lusa, a ULSAC revelou que, no dia 5, foi determinada “a abertura de um processo interno de averiguação“, após a reclamação da família do doente oncológico que faleceu nas urgências hospitalares, em 15 de julho.

Segundo a ULS, o objetivo é “apurar, de forma rigorosa e imparcial, as circunstâncias relacionadas com a assistência prestada ao doente”.

“O processo encontra-se em curso, não sendo possível, nesta fase, indicar uma data exata para a sua conclusão”, afirmou a ULSAC, assegurando, contudo, que “estão a ser desenvolvidas todas as diligências necessárias com a maior celeridade possível“.

O doente, de 64 anos, diagnosticado com cancro na orofaringe, morreu nas urgências do HESE, queixando-se a família de negligência grosseira pelo médico oncologista.

Contactado esta quarta-feira pela Lusa, o filho da vítima, André Coelho referiu que foi informado pela ULSAC, na segunda-feira, da abertura do processo interno de averiguação.

“Ficamos a aguardar as conclusões do inquérito do hospital, assim como dos inquéritos que estão a ser conduzidos por outras entidades”, afirmou.

A morte do seu pai, frisou, “deve ser analisada e investigada pelas diversas entidades externas” às quais foram “apresentadas queixas e reclamações”.

“Tendo em conta as análises e os registos clínicos do meu pai, que já possuímos, consideramos que existiu uma negligência grosseira pelo médico, que, além disso, desvalorizou a febre e a infeção ativa que ele tinha”, alegou.

A família avançou com queixas ou reclamações junto do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Évora, da Ordem dos Médicos (OM), da Secretaria-Geral do Ministério da Saúde, da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e Provedoria de Justiça.

A ULSAC assinalou à Lusa que, “enquanto não estiver concluída a averiguação em curso, não antecipará quaisquer conclusões sobre este assunto“.

“A ULSAC compreende a gravidade das preocupações manifestadas pela família e reitera o seu pesar pelo falecimento do doente, apresentando sentidas condolências aos seus familiares”, lê-se ainda na nota.

Em 22 de julho, a Lusa noticiou que a OM está a analisar uma queixa contra o médico oncologista do HESE, com acusações de negligência.

A queixa, a que a agência Lusa teve acesso, refere que a conduta do clínico “indicia grave e reiterada negligência” e “erro de critério com desvalorização de sintomatologia crítica (febre em doente oncológico)”.

A “omissão gravíssima do dever de assistência imediata em situação de emergência e uma conduta manifestamente violadora do respeito e humanização dos cuidados de saúde” são outras das acusações, é referido.

Nesse dia, a mulher da vítima, Célia Caleiro, considerou que “não foram feitas todas as diligências” em relação à prestação de cuidados de saúde, na última semana de vida do marido, e no atendimento no dia da morte, pelo médico especialista.

“Não digo que ele não morresse do problema oncológico, mas [se assim fosse] eu dizia: ‘O meu marido teve toda a assistência de que precisou'”, acrescentou, alegando que tal não aconteceu.