Nikolai Rybakov, líder do partido russo Yabloko (Maçã, em português), que foi proibido pelo Supremo Tribunal da Rússia de participar nas legislativas de setembro, assegura que tem uma alternativa para fazer parte do ato eleitoral. No entanto, não divulgou mais detalhes.
“Quero dizer-vos que temos um plano B. O partido Yabloko estará nas eleições de setembro de 2026”, garantiu Nikolai Rybakov, líder da força política, num vídeo publicado no Telegram, sem avançar com detalhes. Ainda assim, afirma que o partido vai recorrer e sublinha que a decisão judicial “ainda não entrou em vigor”.
Na segunda-feira, o partido Yabloko foi proibido de participar nas eleições legislativas de setembro por “violações em matéria de direito eleitoral”, por ter alegadamente recebido financiamento estrangeiro e usado redes sociais da Meta, que são proibidas na Rússia. Além disso, a acusação refere que o partido utilizou imagens geradas por Inteligência Artificial e fotogramas do filme “Guerra e Paz”, de 1966, refere o jornal russo independente Novaya Gazeta.
Dois dias depois, uma fonte afirmou à agência de notícias russa TASS que o Supremo Tribunal enviou uma decisão fundamentada a representantes do partido sobre a ação judicial.
De acordo com a plataforma online russa independente Vot Tak, o engajamento dos internautas nas publicações do Yabloko aumentou 4,5 vezes nas últimas duas semanas, tendo ultrapassado o do partido Rússia Unida, do Presidente Vladimir Putin. Além disso, de acordo com uma sondagem secreta encomendada pelo Kremlin e divulgada ao site Verstka, o partido tinha 9,3% nas intenções de voto, no final de julho, quando as sondagens oficialmente publicadas davam apenas entre um e dois por cento.
Os membros do partido e da oposição democrática a Vladimir Putin acreditam que o caso tem motivações políticas, pelo facto de o Yabloko ser o único partido contra a guerra da Ucrânia e de ser popular junto das camadas mais jovens, referem dirigentes do partido à Novaya Gazeta e políticos da oposição, como Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny.
“Em poucos dias, o Yabloko tornou-se um ponto de convergência para uma ampla gama de forças políticas, desencadeando uma consolidação social sem precedentes, praticamente sem esforço. A maioria pacifista dos russos viu uma oportunidade única para expressar a sua posição: votar num partido pacifista. O Kremlin não podia permitir isso”, sublinhou Navalnaya, num vídeo publicado na segunda-feira, no X. “Não desistam. Lembrem-se do que Alexei sempre dizia: precisam de ver o panorama geral”, lembrou.
https://twitter.com/yulia_navalnaya/status/2086860488521245024
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