Foi na terra que viu nascer Wolfgang Amadeus Mozart que se deu início à temporada 2026/27 no que concerne à elite do futebol europeu. As orquestras estão afinadas, os maestros estão prontos e os espectadores anseiam pelo regresso do melhor futebol do mundo. Enquanto se espera pelo regresso da Liga dos Campeões, foi tempo de PSG e Aston Villa abrirem o apetite em Viena, com a Red Bull Arena, casa do RB Salzburgo, a receber a decisão da 51.ª Supertaça Europeia, a prova que coloca frente a frente o campeão da Europa e o vencedor da Liga Europa. O histórico mostra que o vencedor da Champions tem levado a melhor (30 vitórias e 20 derrotas até esta quarta-feira), mas estava em discussão a segunda conquista para os dois lados, já que os franceses conquistaram o troféu pela primeira vez na época passada e os ingleses procuravam repetir a vitória de 1982.
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O triunfo frente ao Arsenal encerrou com chave de ouro mais uma grande temporada do PSG que, com Luis Enrique, só não conseguiu conquistar o Campeonato do Mundo de Clubes, embora também procure revalidar o título da Taça Intercontinental. Nas últimas semanas, os rouge et bleu venderam Gonçalo Ramos, Randal Kolo Muani e Lee Kang-in, tendo contratado Maghnes Akliouche, Zion Suzuki e Alessandro Longoni. Já o Aston Villa, que goleou o Friburgo na final da segunda prova europeia e contribuiu para o apuramento direto do Sporting para a fase de liga da Liga dos Campeões, perdeu Morgan Rogers, Youri Tielemans, Donyell Malen, Lewis Dobbin e Digne, optando por reforçar-se com Johan Manzambi, João Gomes e Alejandro Garnacho, por empréstimo.
“O meu foco é renovar essa vontade de vencer. É difícil continuar a vencer, mas não acho que exista alguma equipa na Europa mais motivada do que nós. Temos um desafio único, que é igualar o Real Madrid se conseguirmos conquistar o tricampeonato da Liga dos Campeões esta temporada. Hoje em dia, ninguém descarta o PSG. Há dois anos, era impossível colocar-nos entre os favoritos. Agora, ninguém dirá que o PSG não é um dos favoritos. Isso é algo que conquistámos, mas se quisermos manter essa posição, temos de trabalhar ainda mais. Não tenho dúvidas de que a Supertaça Europeia é um troféu muito importante e o Aston Villa será muito competitivo. Se olharmos para a Premier League, há cinco ou seis treinadores espanhóis nas melhores equipas”, perspetivou Luis Enrique.
Ficha de jogo
PSG-Aston Villa, 2-1
Supertaça Europeia 2026
Red Bull Arena, em Salzburgo (Áustria)
Árbitro: Omar Artan (Somália)
PSG: Matvey Safonov; Achraf Hakimi, Marquinhos, Willian Pacho, Nuno Mendes (Lucas Hernández, 74’); Vitinha, João Neves (Fabián Ruiz, 74’), Warren Zaïre-Emery; Maghnes Akliouche (Ousmane Dembélé, 46’), Khvicha Kvaratskhelia (Lucas Beraldo, 88’) e Désiré Doué (Senny Mayulu, 88’)
Suplentes não utilizados: Lucas Chevalier; Illia Zabarnyi, Lucas Digne, Dro Fernández, Bradley Barcola, Quentin Ndjantou e Ibrahim Mbaye
Treinador: Luis Enrique
Aston Villa: Marco Bizot; Matty Cash, Victor Lindelöf, Pau Torres (Tyrone Mings, 80’), Ian Maatsen; João Gomes (80’), Boubacar Kamara (Lamare Bogarde, 72’), John McGinn (Alysson Edward, 72’), George Hemmings; Emiliano Buendía e Brian Madjo (Tammy Abraham, 72’)
Suplentes não utilizados: James Wright, Owen Asemota; Kosta Nedeljkovic, Triston Rowe, Modou Kéba Cissé, Bradley Burrowes e Luka Lynch
Treinador: Unai Emery
Golos: Kvaratskhelia (20’), Madjo (45’) e Doué (61’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Torres (51’), Gomes (64’) e McGinn (72’)
“Enfrentar uma equipa como o PSG, com o alto nível que têm, tanto o treinador como os jogadores, é todo um desafio. Adoro jogar contra os melhores, porque isso faz-me melhorar. Aproveito tudo o que aprendi e todas as minhas experiências para melhorar e estou contente com o esforço que toda a gente no clube está a fazer para progredir. Jogar por troféus é o grande objetivo. A Supertaça Europeia é outra oportunidade para ganhar um. Sinto que o clube está a iniciar uma nova era com esta possibilidade de lutar por troféus. Na quarta-feira vêm seis mil adeptos de Birmingham e, para nós, é uma grande responsabilidade. É complicado catalogar o melhor treinador, mas tendo ganhado duas vezes a Champions, neste momento acredito que Luis Enrique é o melhor. Enfrentá-lo é um desafio e um teste. Gosto de jogar contra os melhores”, revelou Unai Emery.
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Esta Supertaça Europeia teve ainda a particularidade de ter sido arbitrada por Omar Artan, o árbitro da Somália que viu negada a sua entrada nos EUA para arbitrar no Campeonato do Mundo. No que concerne às equipas, com o Mundial a gerar muitas dúvidas em torno destas, o campeão francês, que comemorou esta quarta-feira 56 anos de vida, entrou em campo com Nuno Mendes, Vitinha e João Neves, com Akliouche em estreia e Fabián Ruiz e Ousmane Dembélé no banco. Já a equipa de Birmingham estreou João Gomes neste jogo, bem como os “meninos” George Hemmings e Brian Madjo. Fora das opções ficaram Dibu Martínez, Ezri Konsa e Ollie Watkins, bem como os lesionados Amadou Onana e Manzambi.
O jogo começou equilibrado e praticamente sem oportunidades, até Boubacar Kamara tentar a sorte de muito longe, mas o remate saiu ao lado (11′), seguindo-se uma tentativa semelhante de Vitinha, que teve o mesmo desfecho (11′). O jogo animou com as primeiras tentativas de perigo e, igualmente de longe, Kamara voltou a desferir um remate rasteiro que saiu muito perto da baliza de Matvey Safonov (14′). Seguiu-se um remate à figura de Désiré Doué (19′) e, depois de os villans tentarem sair para o contra-ataque, uma recuperação alta de Neves, que tocou para Vitinha, o compatriota colocou rapidamente em Doué, que abriu na esquerda em Khvicha Kvaratskhelia que, depois de se enquadrar, inaugurou o marcador com um remate fortíssimo ao ângulo superior do poste mais próximo (20′).
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Com o nó do empate desfeito, os ingleses cresceram à procura da reação e estiveram muito perto de marcar em diversas oportunidades, a começar por um cruzamento venenoso de John McGinn para um desvio de cabeça de Madjo que passou a centímetros do poste (28′). Pouco depois, Hemmings conduziu uma transição rápida e deixou para o avançado de apenas 17, que desferiu mais um remate perigoso, para fora (34′). Na reta final da primeira parte, Brian Madjo voltou a destacar-se em novo cruzamento do capitão, mas falhou quando tinha tudo para acertar na baliza (41′). Logo a seguir, o “menino” de apenas 17 anos ultrapassou Willian Pacho e atirou para uma grande defesa de Safonov para o poste (44′) e, no último lance, Madjo voltou a ganhar ao equatoriano para concluir da melhor forma um lance de insistência, com mais um grande cruzamento de McGinn (45′).
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Ao intervalo, Enrique optou por deixar Maghnes Akliouche no banco e lançar o Bola de Ouro Dembélé, mas o Aston Villa reentrou melhor e ficou muito perto de chegar à reviravolta, com Brian Madjo a servir John McGinn, que atirou colocado para uma bela defesa de Matvey Safonov (50′). Na resposta, os parisienses construíram pela esquerda, com Dembélé a isolar Doué com um fantástico passe, o 14 aproveitou o mau posicionamento de Matty Cash para se colocar em jogo e, na cara de Marco Bizot, atirou colocado para o 2-1 (61′). O lance chegou a ser anulado pelo árbitro, mas o VAR acabou por reverter a decisão. Os ingleses voltaram a responder de imediato, Emiliano Buendía trabalhou bem sobre Willian Pacho, mas o remate de George Hemmings esbarrou no peito de Safonov (63′). Seguiu-se um tiro de longe de Nuno Mendes para defesa de Bizot e as entradas de Tammy Abraham, Alysson Edward, Lamare Bogarde, Lucas Hernández e Fabián Ruiz.
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Com o resultado incerto, Emery lançou Ross Barkley e Tyrone Mings à entrada para os últimos dez minutos. Nessa fase o jogo voltou a partir-se e Khvicha Kvaratskhelia ficou muito perto de sentenciar o jogo com um chapéu sem direção (82′), seguindo-se uma perdida clamorosa de Abraham, que serviu mal Alysson (82′). Luis Enrique ainda refrescou a defesa com Lucas Beraldo, lançando ainda Senny Mayulu e, na compensação, viu Buendía cabecear para fora depois de uma arrancada de Maatsen (90+5′). Terminada a partida, o PSG reconquistou a Supertaça Europeia e fez aquilo que só AC Milan (1989 e 1990) e Real Madrid (2016 e 2017) tinham conseguido.