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(A) :: A política agora é isto

A política agora é isto

Talvez políticos nacionais, criadores de opinião e jornalistas já não acreditem ser possível transformar este país, ou talvez estejam apenas inebriados pela vidinha do dia.

Bruno Bobone
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O primeiro-ministro afirmou que não vai de férias este verão.

Logo a oposição e a imprensa começaram a dizer que era porque estava a sentir uma enorme pressão política e que mostrava fraqueza por parte do governo.

Depois é visto um par de dias na praia e, de imediato surgem as críticas de que não manteve a palavra.

Já o ministro da educação, que implementou uma reforma na correcção dos exames nacionais, foi diariamente criticado com uma pressão quase ao minuto porque se previa que tudo iria correr mal.

Passámos duas semanas intensíssimas a potenciar desgraças que, menos mal, não foram tantas que justificasse o drama criado.

Já o ministro da administração interna, teve dois ou três percalços na sua vida pessoal, por ter construído uma piscina sem licença e não ter entregue duas declarações de património, rendimento e interesses, que são naturalmente falhas comportamentais, mas que devem ser avaliadas e penalizadas por quem tem a obrigação de o fazer, mas que, dificilmente poderá justificar a demissão de um cargo em que há, por agora, um razoável consenso de que cumpre com competência.

Tem este ministro em avaliação outras acções que terá tomado quando era responsável pela polícia judiciária, mas que estão neste momento a ser sujeitas a uma auditoria para verificar a sua correcção.

Não tenho uma única dúvida de que a democracia exige uma permanente aferição das acções de quem detém o poder, mas tenho também a certeza de que nenhum daqueles factos que referi acima terá qualquer benefício para qualquer cidadão deste país, seja em que condição for.

Ao mesmo tempo em que os factos que referi sucederam, foi apresentado em Portugal um trabalho realizado pelo prémio Nobel da economia de 2024 e por Nuno Palma, patrocinado pelo IDL – Instituto Amaro da Costa e pela CIP, que propunha uma reforma política que permitirá transformar verdadeiramente o paradigma do nosso crescimento económico e social.

Um trabalho que, se bem aplicado, poderá mudar claramente o caminho de Portugal e a vida de cada português.

Um trabalho que nos permitirá recuperar o nível de vida do comum dos cidadãos europeus e que depende apenas da nossa vontade de dar o passo de mudar aquilo que mais inibe o nosso desenvolvimento e que é o deficiente funcionamento do sistema de justiça, que afecta todas as restantes áreas em que mantemos as nossas disfuncionalidades.

Tenho que reconhecer que o estudo teve eco na nossa imprensa e que houve bastantes menções sobre este trabalho por parte de quem faz a opinião neste país, contudo, o tempo que se dedicou a promover esta perspectiva de mudança que transformaria a nossa maneira de viver daqui para todo o nosso futuro, foi muito menor do que aquela dedicada aos temas essencialmente fúteis com que comecei este artigo.

Não sei se os políticos nacionais, os criadores de opinião e os jornalistas já não acreditam que é possível transformar este país, se não acham que valha a pena ou se apenas estão inebriados pela vidinha do dia a dia que nos querem fazer viver, mas aquilo que eu acredito que valeria a pena era batalhar para que Portugal cumpra o pacto social que tem com os seus cidadãos, que dê uma resposta à necessidade de dar melhores condições de vida às gerações futuras e que garanta que deixamos de correr para a cauda de uma Europa que deveríamos ter a ambição de liderar.

Por tudo isto não devemos deixar que a política continue a ser isto.