Há poucos dias o reverenciado Dr. Fauci foi convocado a comparecer a uma comissão especial do Senado dos E.U.A. para responder a questões sobre a origem e gestão da pandemia Covid-19. De forma cínica e desavergonhada, Fauci, a despeito de estar protegido por um perdão presidencial preventivo outorgado por Biden (esse baluarte da democracia), resolveu fazer uso da 5ª emenda da Constituição para se recusar a responder a mais de uma centena de questões colocadas pelos representantes do Senado ali presentes. Respostas que, não tendo qualquer consequência legal para a sua pessoa, poderiam constituir uma forma de justiça não só para os cidadãos dos E.U.A., mas para todos aqueles que sofreram com a pandemia e a gestão da mesma.
Para aqueles que talvez não se recordem, Fauci foi uma das principais figuras mundiais do “combate” à pandemia. Todos os dias aparecia a sua cara e as suas recomendações nas nossas televisões, imediatamente papagaiadas e louvadas pelos nossos ilustres especialistas e comentadores (curiosamente, agora que as notícias não são favoráveis, parece que as televisões se esqueceram que ele existe). Quer saber onde surgiu a ideia de que a vacina prevenia a transmissão? Que fechar as escolas era imprescindível? Que as máscaras não serviam para nada, levando a uma “falsa sensação de segurança”? Que afinal as máscaras eram essenciais, e que quantas mais usadas em simultâneo melhor? Fauci. Claro que aquilo que nos chegava é que não era Fauci, mas a “ciência” quem nos falava. Era a “ciência” que nos queria com medo e suspeição dos nossos vizinhos. Era a “ciência” que nos queria com menos liberdades a cada dia. Ao mesmo tempo convenciam-nos de que não havia espaço para questionar a “ciência”, e que fazê-lo era base justa para ostracização social. Fauci transformou-se na “ciência” e a “ciência” transformou-se em autoritarismo. “Oiçam a ciência!”, gritava ele enquanto mais uma mãe era presa à frente dos filhos por estar num parque com a máscara ao pescoço, “Eu represento a ciência!”, vociferava o pequeno Napoleão de bata enquanto milhões de crianças tinham os seus futuros profundamente afectados. Os exércitos bem disciplinados dos media ocidentais faziam o trabalho sujo do seu petit caporal, obedientes até ao fim.
O diário de Fauci foi recentemente publicado e demonstra exactamente o que se esperava: um pequeno homem com delírios de grandeza. Enquanto dizia uma coisa para a televisão em nome da “ciência”, escrevia o seu contrário no diário em nome próprio (as mentiras descaradas no que toca aos diversos lockdowns são particularmente elucidativas). Enquanto as vidas de milhões eram afectadas com as suas falsas recomendações, ele regozijava-se com a fama que tinha alcançado, expressando no seu diário o orgulho em ser a pessoa mais falada do país. Se Fauci é a personificação da Ciência, então esta é mentirosa, vaidosa, cobarde e presa da opinião pública, mais preocupada com uma aparência de verdade do que com a Verdade.
Felizmente, aquilo que Fauci realmente representa não é a Ciência, mas a fraqueza humana. Afinal, a ciência é feita por cientistas, e estes, para o bem e para o mal, são pessoas. A sociedade não é um laboratório e os seus cidadãos não são cobaias de uma experiência de engenharia social. Fauci mais do que tudo é um aviso contra sonhos equivocados de paraísos tecnocratas. De resto, já Sócrates (o filósofo e não o ladrão) nos tinha alertado para o perigo das megalomanias dos especialistas: “Dirigi-me aos artesãos, pois tinha já compreendido não ser sabedor de coisa nenhuma, […], sabendo embora que os que eu procurava eram sabedores de muitas e belas coisas. E nisto não me enganei: eles sabiam de coisas que eu ignorava, e, nesse sentido, eram mais hábeis do que eu. Mas, ó homens de Atenas, pareceu-me que os bons artesãos incorriam no mesmo erro que os poetas: por executarem bem a sua arte, cada um julgava-se soberanamente sábio também nas outras coisas, mesmo nas mais elevadas, e este seu defeito escurecia-lhes aquela sabedoria.” Por isso, da próxima vez que alguém recorrer à ‘ciência’ para pedir a nossa total submissão, façamos, no mínimo, aquilo que qualquer bom cientista deve fazer: questionemos.