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Lisbon AI Week quer transformar a capital num laboratório vivo de Inteligência Artificial

Em setembro, Lisboa volta a reunir uma série de eventos relacionados com Inteligência Artificial por toda a cidade. As candidaturas estão abertas.

Susana Marvão
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A Lisbon AI Week regressa entre 21 e 27 de setembro com uma proposta pouco comum no panorama dos eventos tecnológicos. Em vez de concentrar toda a programação num único recinto, a iniciativa convida empresas, universidades, startups, comunidades, artistas e organizações a criarem os seus próprios eventos e a integrá-los num programa comum, transformando a cidade num palco distribuído para a discussão e experimentação da Inteligência Artificial — à semelhança do que aconteceu no ano passado.

Organizada por Ana Matos, Daniel Zaltsman, Daniela Correia, João Gaspar, Leo Xavier, Malik Piara e Pedro Rodrigues (a mesma equipa que coordenou o evento no ano passado), em colaboração com a agência The Square, a segunda edição da Lisbon AI Week volta a assumir-se como uma plataforma de curadoria, em vez de uma conferência tradicional. As candidaturas para integrar a programação oficial já estão abertas através da open call, permitindo que qualquer organização proponha iniciativas nas áreas da tecnologia, negócios, arte ou impacto social e ético da Inteligência Artificial.

A Lisbon AI Week não tem palco principal, não tem bilhete único e não tem ‘cabeça de cartaz’. Tem uma cidade”, resume Leo Xavier, Chief Technology & Innovation Officer do Observador e coorganizador da iniciativa. “Em vez de metermos duas mil pessoas num auditório durante dois dias, espalhamos dezenas de eventos independentes por Lisboa durante uma semana. Cada um organizado por quem realmente sabe daquele tema em particular.”

Segundo o responsável, a inspiração aproxima-se mais de iniciativas como a Lisbon Design Week ou o festival Fringe (Edimburgo) do que do modelo clássico das grandes conferências tecnológicas. “Nós damos a moldura, a data e a visibilidade; a comunidade dá o conteúdo”, explica, acrescentando que esta abordagem permite oferecer uma programação mais diversa. “Ninguém tem de escolher entre um workshop técnico e um debate sobre ética. Durante aquela semana, há tudo, e quase tudo gratuito.”

Uma plataforma de curadoria

A open call é o elemento central desta filosofia. Em vez de construir toda a agenda de raiz, a organização pretende agregar iniciativas que já existem ou incentivar ao aparecimento de novas propostas. “Porque o melhor conteúdo sobre IA em Lisboa já existe, só está disperso”, diz Leo Xavier. “Há meetups, hackathons, demos e comunidades a acontecer em paralelo sem se conhecerem. Não faz sentido inventarmos programação quando podemos juntar a que já é boa e dar-lhe dez vezes mais audiência.”

O convite está aberto a formatos muito distintos: workshops práticos, demonstrações tecnológicas, hackathons, debates sobre trabalho, ética ou política, instalações artísticas e até jantares temáticos. Independentemente da dimensão ou da duração, o objetivo é sempre o mesmo. “O critério é simples: alguém sai dali a saber, a discutir ou a experimentar algo que não sabia antes”.

Ao contrário do que acontece em muitos festivais, a organização não assume a produção dos eventos. Cada entidade mantém autonomia total sobre o seu programa, inscrições e comunicação. “Não organizamos os eventos, não vendemos bilhetes, não ficamos com receita. Cada organizador mantém controlo total do seu evento, das suas inscrições e da sua marca. O que fazemos é curadoria, calendário e amplificação.”

Na seleção das candidaturas, a organização procura garantir que a Inteligência Artificial é efetivamente o foco do evento, que existe valor para os participantes para além de uma apresentação comercial, que a iniciativa é acessível ao público e que reúne condições logísticas para acontecer. A programação é depois equilibrada para evitar concentrações de eventos semelhantes no mesmo momento.

O modelo já foi posto à prova

A primeira edição serviu para validar esta abordagem. Em novembro de 2025, a Lisbon AI Week reuniu cerca de quarenta eventos e mais de duas mil pessoas, com a maioria das iniciativas a esgotar a capacidade disponível. Entre os participantes estiveram empresas internacionais como a Supabase, a PostHog e a Cloudflare, bem como universidades, startups e comunidades técnicas portuguesas. Um dos exemplos que mais marcou a organização foi um hackathon promovido pela NOVAe, o clube de empreendedorismo dos estudantes da NOVA IMS, que reuniu cerca de uma centena de estudantes de 16 faculdades. “É exatamente essa a prova de que o modelo funciona”, diz Leo Xavier. “Nós nunca teríamos programado aquilo, e sem a open call aquilo não teria acontecido. No ano passado houve IA em coworks, universidades, rooftops, salas de startups e à mesa do jantar. Isso muda a experiência: em vez de entrares num centro de congressos e saíres oito horas depois, atravessas a cidade, entras em sítios onde nunca tinhas entrado e conheces gente que nunca ias conhecer.”

E este ano a dinâmica é a mesma: “Quanto mais moradas tiver o programa, mais gente diferente aparece, e é isso que estamos a construir”. As candidaturas para integrar a programação oficial da Lisbon AI Week estão abertas a empresas, universidades, startups, comunidades e organizações que pretendam promover iniciativas relacionadas com Inteligência Artificial entre 21 e 27 de setembro.