É pequeno, é ágil, encontra espaço onde não parece existir. Rodrigo Mora cabia em qualquer lado na Invicta, com mais ou menos tempo de jogo. Mas o talento tem os seus próprios planos e o paradigma de encontrar espaço em qualquer sítio parece ter mudado. O sítio mudou e o espaço é agora na capital italiana. Aos 19 anos, o médio-ofensivo nascido em Matosinhos está de saída do Dragão para a Roma, num negócio de 25 milhões de euros fixos mais dois por cláusulas variáveis que leva ao futebol italiano um dos jogadores mais promissores que o clube alguma vez formou.
O jovem jogador viajou ainda esta terça-feira para Itália, cumpriu os habituais exames médicos e assinou contrato por cinco temporadas, ficando com um salário de cerca de dois milhões de euros por época e uma cláusula de rescisão de 120 milhões de euros. “O FC Porto chegou a acordo com a AS Roma para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva e de 50% dos direitos económicos de Rodrigo Mora pelo valor total de 27 milhões de euros, correspondentes a uma remuneração fixa garantida de 25 milhões de euros acrescida de uma remuneração variável máxima de 2 milhões de euros, dependendo do cumprimento de certas condições desportivas”, indicaram os dragões em comunicado.
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Os italianos ficam com “opções de aquisição de até 50% dos direitos económicos do atleta pelo montante total de 25 milhões de euros”, sendo que o FC Porto fica também com “uma opção de venda incondicional da percentagem dos direitos económicos que mantiver na sua posse pelo mesmo valor de referência, neste caso implicando a compra obrigatória, por parte da Roma, da percentagem que o FC Porto decidir alienar”, pode ainda ler-se.
Se a Roma decidir não comprar a totalidade do passe de Rodrigo Mora, os dragões terão “a opção de vender a totalidade dos direitos económicos, podendo garantir um encaixe mínimo de 50 milhões de euros, ou, se assim preferirem, manter uma percentagem dos direitos económicos a definir, por forma a beneficiar de uma futura venda do jogador por um valor eventualmente superior”, termina o comunicado. Nas redes sociais, o FC Porto despediu-se do jovem jogador e pediu à Roma que “tome bem conta” dele.
Tudo começou numa Dragon Force — um centro de formação de uma rede de escolas do FC Porto —, em Custóias, antes de Rodrigo Mora sequer saber o que era uma cláusula de rescisão. Entrou para as camadas jovens do FC Porto em 2016, com apenas nove anos, já depois de ter impressionado como capitão e melhor jogador num torneio local. Cresceu no Olival. Em 2021/22, marcou 29 golos em 34 jornadas pelos sub-15 e deixou de ser um segredo interno. A 15 de janeiro de 2023, tornou-se o mais jovem de sempre a estrear-se na Segunda Liga, ao entrar como suplente no empate com o Tondela. Era menor de idade. O treinador do FC Porto B era António Folha.
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A equipa principal era apenas uma questão de tempo. Quando chegou, chegou para ficar. Já em 2024/25, sob o comando de Vítor Bruno, Rodrigo Mora foi-se afirmando como titular e concluiu a temporada com dez golos e quatro assistências na Liga — números que fizeram Roberto Martínez render-se ao óbvio e convocá-lo para a fase final da Liga das Nações. O então selecionador nacional não poupou nas palavras: “É um jogador especial. Vai marcar uma era no futebol português. Sorrio quando falo do Rodrigo Mora”. Tinha o jovem acabado de fazer 18 anos.
Vítor Bruno, que o lançou como titular e assistiu de perto ao seu crescimento, também não disfarçou o que via. “A maior satisfação que o treinador pode ter é quando vê o jogador crescer, evoluir, munir-se de ferramentas para pensar mais rápido e executar”, disse o técnico, na antevisão ao jogo com o Moreirense, depois de o ter rendido à titularidade. E sobre o que distinguia Mora dos outros: “É daqueles golos que fazem muita gente vir aos estádios”. Martín Anselmi, que o recebeu já com estatuto de estrela, preferiu sempre protegê-lo dentro do coletivo. “Há um trabalho de trás que não é apenas do Rodrigo, é da equipa. Para que o Rodrigo, com o seu talento, a magia, resolva da maneira que resolve, também há outros elementos que defendem, que correm, que pressionam”, explicou o argentino.
Em maio de 2025, o FC Porto anunciou a renovação do contrato até 2030. Rodrigo Mora era descrito pelo clube como “um talento sem paralelo em Portugal no século XXI”. O próprio, na altura da renovação, dissera que o seu primeiro sonho era “estrear-me pela equipa principal e depois ser campeão nacional pelo FC Porto”. Cumpriu ambos. No Mundial de Clubes de 2025, nos Estados Unidos, tornou-se o jogador mais jovem do torneio, com 18 anos e 40 dias, e marcou frente ao Al Ahly. O mundo começou a olhar com outra atenção.
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Na época seguinte, porém, o espaço foi-se estreitando. Com Farioli no banco, Rodrigo Mora viu os minutos minguarem. O talento não tinha discussão, mas a titularidade deixou de ser garantida. O cenário repetiu-se no início desta época e a Roma percebeu a janela de oportunidade. O clube italiano, treinado por Gasperini, apresentou proposta ao FC Porto e o negócio foi-se construindo ao longo de dias de negociação intensa. André Villas-Boas, que certamente queria um valor próximo da cláusula de rescisão — 70 milhões de euros —, acabou por ceder e deixar sair Rodrigo Mora para a Serie A.
Rodrigo Mora sai como o miúdo de Matosinhos que prometeu ao FC Porto que ia “dar o máximo para honrar” tudo o que o clube lhe deu. Em sentido contrário, o atleta deixa no Dragão 16 golos e seis assistências em 80 jogos na equipa principal, pela qual conquistou uma Primeira Liga e uma Supertaça.
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