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(A) :: É possível travar a imigração?

É possível travar a imigração?

Quando nos dizem que não há soluções para a imigração massiva que a Europa sofre, estão, na verdade, apenas a admitir as suas próprias fraquezas. Porque soluções existem.

Jérémy Silvares Jerónimo
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É um dos grandes tabus da política actual: a imigração proveniente do Terceiro Mundo que chega ao Ocidente. Ou, dizendo as coisas de maneira menos politicamente correcta, a imigração proveniente de países não ocidentais para os países ditos “brancos”: países da Europa, Austrália, EUA, Nova Zelândia… A maioria dos políticos prefere fechar os olhos à realidade, contornando-a através de uma espécie de novilíngua, nascida ora em Washington D.C., ora em Bruxelas. O que aconteceu em Ceuta despertou ainda mais ocidentais, dos dois lados do Atlântico, para aquilo que estava a acontecer. A imigração extra-europeia é uma das questões que mais preocupam os ocidentais. Contudo, como vimos com a “invasão” de Ceuta, as nossas elites não só, como disse mais acima, fecham os olhos, como preferem minimizar o problema, quando não chegam mesmo a mentir. Assim, ora nos dizem que não existe qualquer fenómeno de imigração massiva, ora nos dizem que, se este existe, não é assim tão grave, porque sempre teria havido imigração para a Europa. Claro que nunca apresentam números, pois isso seria o fim da narrativa. E, quando alguns, como eu, o fazem, são apelidados de tudo e mais alguma coisa. Um dos exemplos é o da chamada “teoria da Grande Substituição”. Ora não existe, ora é uma teoria perigosa que deve ser combatida, ora, afinal, existe, mas é uma coisa boa (dixit Jean-Luc Mélenchon) e os ocidentais devem aceitar tornar-se minoritários nos seus próprios países dentro de poucas décadas — e quem se opuser a tal só pode ser um perigoso reaccionário, fascista e, quem sabe, nazi.

Contudo, fiquei deveras surpreendido quando o actual Presidente da República Portuguesa, José Seguro, disse que era preciso lutar contra a imigração ilegal de maneira firme, sem desumanizar. Infelizmente, se tivesse um euro por cada vez que ouvi um político dizer tal coisa para, de seguida, fazer o contrário, poderia comprar um T4 no centro de Lisboa. Pessoalmente, acredito que é possível combater a imigração ilegal mas também, e aqui está o grande tabu legal, reduzi-la ao máximo de maneira pacífica, humana, sem desumanizar. Porque, de facto, quanto mais deixarmos este problema aumentar, mais nos aproximamos de um ponto de não retorno que acabará, mesmo que prefiram não o admitir, ou que me acusem — já fui acusado disso por alguns leitores do Observador — de imaginar cenários improváveis, por conduzir, seguindo uma lógica histórica, à “libanização” da Europa Ocidental e, consequentemente, guerras civis à moda libanesa. Porque o mundo real não é como a mente dos esquerdistas. No mundo real, povos que chegam a determinado território tentam, quando se tornam suficientemente numerosos, dominar esse território e impor a sua cultura e religião às populações nativas, o que acaba por criar choques violentos. Existem, na História, milhares de exemplos. O que não existem em grande número são exemplos pacíficos em que povos nativos tenham decidido aceitar submeter-se sem antes oferecer resistência.

Eu já tratei dos números, dos problemas ao nível da segurança, do custo económico da imigração e do custo identitário dessa imigração. Os problemas são reais. A imigração é um fenómeno importante, e não podemos fechar os olhos à sua dimensão. E o mais preocupante é que pode vir a piorar — e muito. Entre 100 e 150 milhões de africanos e asiáticos poderão querer vir para a Europa até 2050, e algumas dezenas de milhões poderão querer emigrar para os EUA. Seria o fim do Ocidente, porque estas populações levam consigo — o que é normal e humano — as suas culturas, as culturas nas quais nasceram, que são culturas antagónicas à nossa Civilização e, consequentemente, ao nosso modo de vida e aos nossos usos e costumes. Isso levaria inevitavelmente a choques violentos. Muito antes de Samuel Huntington ter teorizado o “Choque das Civilizações”, o intelectual polaco Feliks Koneczny havia posto a questão de maneira simples: é impossível dois povos membros de duas Civilizações diferentes conviverem pacificamente num determinado país sem que um tente dominar o outro. Porque para ele, uma Civilização era, e cito, a “soma de tudo aquilo que é comum a uma determinada fracção da humanidade e, ao mesmo tempo, a soma de tudo aquilo pelo qual essa fracção se distingue das demais” (in La guerre des civilisations. Introduction à l’œuvre de Feliks Koneczny, de Antoine Dresse, La Nouvelle librairie/Institut Iliade, 2025).

Dito isto, penso que estamos quase todos de acordo em que, perante um problema, temos de encontrar soluções. É aí que, de novo, as nossas elites mostram uma certa cobardia: segundo elas, não há soluções. Temos de ficar de braços cruzados enquanto vemos as nossas cidades — e, mais tarde, as nossas aldeias — mudar; a insegurança explodir, com o seu cortejo de mulheres violadas por gangues (como no Reino Unido), cristãos estrangulados — como aconteceu a uma britânica em Atenas, morta por um afegão —, sem falar das facadas do quotidiano; os atentados aumentarem e tornarem-se cada vez mais mortíferos; os sistemas sociais e os sistemas de saúde colapsarem; e, por fim, as nossas culturas, modos de vida, usos e costumes desaparecerem. Resta saber o que acontecerá aos ocidentais nativos se estes se tornarem minoritários no Ocidente, mas prefiro nem pensar nisso, porque acredito que tal nunca acontecerá. E acredito que nunca acontecerá porque, em tempos difíceis, acabam sempre por surgir líderes mais “duros” que conseguem inverter a situação.

Quando nos dizem que não há soluções para a imigração massiva que a Europa sofre, estão, na verdade, apenas a admitir as suas próprias fraquezas. Porque soluções existem. Diziam o mesmo nos EUA e, segundo os números oficiais, tanto do Governo americano como de ONG (esquerdistas), há décadas que a imigração ilegal e legal nos EUA não era tão baixa. Há décadas que o número de estrangeiros nos EUA não era tão baixo. Então, afinal… há soluções? Há, e nem sequer têm de ser soluções mais “viris”, como é o caso do ICE nos EUA. Aplicar a lei com firmeza chegaria. Mas, para isso, seria preciso haver firmeza e uma onça de coragem nos tecnocratas de Bruxelas, o que, infelizmente, não parece existir. Quando não é a vontade ideológica de receber migrantes extra-europeus, vistos como uma população que, por ser originária do Terceiro Mundo, é encarada como uma espécie de “lavagem” pelos nossos pecados — ou melhor, pelos pecados dos nossos antepassados, que ousaram partir à conquista do mundo —, é a incapacidade de agir que prevalece. Até porque estamos todos de acordo em que só os europeus colonizaram e partiram à conquista de terras. Quando os muçulmanos vieram para a Península Ibérica ou para os Balcãs, vieram pacificamente, imagino, tal como Gengis Cã ou Tamerlão (para os que não têm grande sentido de humor, estou a ser irónico).

Sim, é possível travar completamente a imigração. Há uma pletora de textos e livros que explicam como isso seria possível e apresentam exemplos concretos. Alguns são de autores menos conhecidos; outros, de autores conhecidos que chegaram a trabalhar com governos europeus sobre esta questão. O objectivo deste texto não é apresentar, de maneira exaustiva, as diferentes soluções, mas eis, de forma sintética, o que propõem aqueles que defendem a necessidade de controlar as fronteiras. Antes de as anunciar, quero deixar claro que nenhuma destas soluções é minha. Pelo contrário, inspirei-me em muitas das propostas apresentadas pelo antigo director da Frontex e actual deputado europeu pelo RN, Fabrice Leggeri, bem como por Nicolas Pouvreau-Monti, director do Observatoire de l’Immigration et de la Démographie. No seu site, podem ler-se vários artigos e ouvir-se programas de rádio e televisão nos quais Pouvreau-Monti explica, de A a Z, como resolver esta problemática de maneira humana. Neste aspecto, só posso agradecer ao Observatoire de l’Immigration et de la Démographie, que me foi de grande ajuda. Vejamos.

  • Reforçar o controlo das fronteiras, aumentando significativamente o número de efectivos da Frontex.
  • Interceptar todas as embarcações que transportem migrantes em situação irregular. As pessoas interceptadas seriam tratadas de forma digna e humana e, após alguns dias de repouso e os procedimentos necessários, reenviadas para os respectivos países de origem.
  • Combater sem concessões o tráfico de seres humanos. Interceptar as embarcações utilizadas pelos traficantes e aplicar-lhes penas de prisão muito severas. As embarcações confiscadas poderiam posteriormente ser utilizadas pela Frontex, à semelhança do que já acontece com outros bens apreendidos pelas autoridades.
  • Exercer pressão sobre os países de origem que se recusem a cooperar no controlo dos fluxos migratórios, incluindo a suspensão ou redução das ajudas enquanto não forem tomadas medidas concretas.
  • Suspender a concessão de vistos a cidadãos de países que adoptem uma atitude manifestamente hostil para com os países europeus.
  • Rever profundamente o acesso às prestações sociais. Quem nunca tenha descontado para o sistema social não deveria ter automaticamente acesso às mesmas prestações de quem para ele contribuiu durante anos. Do mesmo modo, os chamados “inactivos de longa duração” deveriam ser incentivados a procurar trabalho, sob pena de, esgotadas as possibilidades legais de permanência, serem sujeitos a uma ordem de saída.
  • Pôr fim ao financiamento europeu das chamadas ONG “imigracionistas”, nomeadamente quando estas participem no transporte ou facilitem a entrada irregular de migrantes.
  • Reduzir drasticamente a imigração legal, podendo mesmo equacionar-se uma suspensão temporária de determinadas categorias durante uma década, de modo a permitir aos países europeus recuperar a capacidade de assimilação e integração das populações já presentes.
  • Reformar o direito da nacionalidade e pôr fim ao direito do solo automático. Adoptar regras mais próximas das existentes no Japão — ou, em certos períodos, ainda mais restritivas —, tornando a aquisição da nacionalidade particularmente exigente e privilegiando o princípio do direito do sangue.
  • Adoptar políticas de natalidade destinadas prioritariamente aos nacionais, criando condições económicas e sociais que favoreçam o nascimento de crianças nas famílias europeias.
  • Acelerar a robotização dos sectores onde existem profissões “em tensão”, seguindo o exemplo de países desenvolvidos como Singapura, Taiwan, a Coreia do Sul ou o Japão. Em vez de recorrer sistematicamente à imigração para suprir a falta de mão-de-obra, investir na automatização e na produtividade. Substituir progressivamente a imigração de substituição laboral pela inovação tecnológica, sempre que tal seja economicamente viável. A escassez de mão-de-obra não deveria ser automaticamente compensada pela importação de trabalhadores, mas sim pela robotização.
  • Adoptar uma imigração de trabalho estritamente temporária, inspirada, em certos aspectos, nos modelos que existiam em França ou no Reino Unido até aos anos 1950: um trabalhador poderia entrar com um contrato de duração determinada, por exemplo de um ano, sem que isso implicasse automaticamente o direito ao reagrupamento familiar. No final do contrato, poderia solicitar a renovação por mais um período, dentro de um limite global — cinco ou dez anos, por exemplo. Não sendo renovado o contrato ou atingido o limite previsto, deveria regressar ao país de origem.

Todas estas soluções são pacíficas, respeitam a dignidade humana e os direitos dos países europeus. Sem violência. Sem expulsões à força (a menos que haja resistência, caso em que a própria lei prevê o recurso à força). Tendo em conta que um número significativo de ocidentais se preocupa com a imigração, a maioria apoiá-las-ia. Seria fácil? Não. Mas seria completamente plausível. Diria que a única dificuldade não seria o controlo das fronteiras, a luta contra o tráfico ou as expulsões. O mais difícil seria, sem dúvida, a sabotagem interna. Ou seja, as tentativas de sabotagem por parte dos tecnocratas de Bruxelas que apoiam e financiam as ONG; as tentativas de sabotagem por parte de funcionários públicos de extrema-esquerda (que pululam em muitas administrações públicas da Europa Ocidental); as reacções dos jornalistas, colunistas e comentadores de esquerda que iriam, uma lágrima no canto do olho, gritar a plenos pulmões que os “nazis voltaram”.

Haveria pletoras de artigos com fotografias de famílias de refugiados em situação ilegal, com as mulheres vestidas com o véu, ou mesmo com o hijab, rostos tristes e títulos como “A família do Ali tem medo”, nos quais iríamos ler que o filho mais novo de Ali (dos seus oito filhos) já sabe dizer “fixe” e “Cristiano Ronaldo é muito bom”. Mesmo certos comentadores da direita mole — conheço um que, pelo que sei, terá sido líder do moribundo CDS — fariam o mesmo. Os antifas organizariam manifestações violentas, durante as quais atirariam cocktails Molotov aos polícias. Os partidos de esquerda tentariam bloquear este tipo de lei, tal como a Comissão Europeia, o Conselho Europeu, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, etc. Os intelectuais escreveriam livros sobre o assunto, nos quais dariam voz aos “danados da Terra”. Os actores, músicos e artistas plásticos assinariam abaixo-assinados. Os actores de teatro criariam peças financiadas pelas câmaras municipais de esquerda sobre o “Frontex fascista”.

E sabem que mais? Provavelmente, os mesmos que comentam que “isto da imigração tem de parar” nas redes sociais seriam provavelmente os primeiros a insultar, nessas mesmas redes sociais, os políticos que ousassem levar a cabo políticas deste tipo. Porque os ocidentais foram habituados a deixar-se levar pela propaganda da esquerda. Porque todos querem mostrar aos outros a sua “moralina” nas redes sociais. É por isso que, infelizmente, penso que a situação vai piorar muito antes de melhorar. Como dizia Nietzsche, apenas quando estiver perto do precipício é que a Europa saberá unir-se. Muitos ocidentais acordaram, mas muitos preferem fechar os olhos. Muitos dizem: “Pobres pessoas, temos de os aceitar todos”, mas depois querem que seja o vizinho a aceitá-los em sua casa, não eles. Espero apenas estar enganado.

Entretanto, outros autores conotados com a direita radical, como é o caso de Jean-Yves Le Gallou, vão mais longe. Para eles, não se trata apenas de controlar. Le Gallou recorda que diferentes estatísticas, relativas à criminalidade e à islamização preocupante de uma parte significativa das populações muçulmanas, mostram, afirma ele, que a solução passará também por outra medida: a remigração. Este texto não tratará desta vertente, pois seria necessário um texto por si só. Mas, mesmo neste caso, o objectivo seria um retorno voluntário. Sim, contrariamente ao que certos sectores da direita dizem — dando, assim, lenha para a fogueira da esquerda —, o conceito de remigração, desenvolvido pelos franceses da Génération Identitaire, pretende apresentar-se como uma solução pacífica. A ideia seria criar condições para que determinadas populações, confrontadas com o fim de certos benefícios sociais ou com outras políticas de integração e permanência mais restritivas, optassem voluntariamente pelo regresso aos seus países de origem, eventualmente com apoio financeiro. Infelizmente, alguns dos que mais falam de remigração em Portugal — estou a pensar, por exemplo, no presidente do Reconquista, bem como noutros que pululam num certo partido — parecem estar mais interessados na provocação do que em estudar seriamente o assunto. Há uma diferença entre pensar numa política de remigração realista, que respeite a dignidade humana, e limitar-se a lançar slogans destinados a provocar o adversário. Os primeiros podem, pelo menos, discutir soluções concretas; os segundos limitam-se a mandar bitaites para o ar, dando à esquerda precisamente a munição de que esta precisa para caricaturar qualquer proposta de controlo da imigração.

Não podemos esperar mais vinte anos, porque, no dia em que os europeus nativos forem apenas 50% da população dos seus próprios países, o choque será provável — senão mesmo antes. E, como nos lembra Pierre Le Vigan, numa recensão ao livro de Antoine Dresse que citei acima, as teorias de Feliks Koneczny permitem-nos compreender muito bem qual poderá ser o caminho que as nossas sociedades irão seguir se a actual geopolítica das migrações se mantiver. Pierra Le Vigan lembra-nos que uma das 6 leis históricas de Feliks Koneczny afirma que “uma civilização deve proteger-se contra a imigração de massa proveniente de outras civilizações”, quer seja pacífica ou violenta, porque segundo o pensador polaco, as Civilizações estão continuamente em guerra entre elas. E quem esquecer isto, será varrido da História…

“Não é possível ser civilizado de duas maneiras”, afirma Feliks Koneczny. Esta fórmula é vertiginosa. Ela põe em causa o universalismo. Não diz que existem “nós” e “os bárbaros”. Diz que só se acede a essa forma universal da evolução do homem que é a “civilização” através de várias vias. Por outras palavras, existem, de facto, várias formas de ser civilizado, mas é preciso escolher: não se pode ser civilizado a cavalo entre duas culturas (ou mais). Podemos, certamente, reconhecer a influência de diversas culturas, mas uma delas deve ser claramente predominante.

(…) A perenidade de uma civilização, explica ele, implica que se tenha consciência da necessidade de lutar pela sua sobrevivência e até pela sua vitalidade. As civilizações estão, com efeito, em luta umas contra as outras. Não acreditar em si próprio é deixar o campo livre àqueles que acreditam em si mesmos, no seu sistema de valores, no seu modo de vida, nas suas representações do belo, do verdadeiro e do bem.”

(Une théorie des civilisations dans les années 1920-1940 : Feliks Koneczny, Pierre Le Vigan, site internet do Institut Iliade, link).