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Quase 3300 professores reformaram-se mas mais de 2000 adiaram reforma

O número de professores que se reformou neste ano letivo ficou pouco abaixo do ano letivo de 2024/25. A tendência da "insuficiência estrutural de docentes” mantém-se.

Constança Almeida
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No ano letivo de 2025/26 aposentaram-se 3295 professores do ensino básico e secundário e educadores de infância. Este é um dos valores mais elevados da década, mas abaixo do ano letivo de 2024/25, em que se contabilizou a saída de 3700 professores, avança o jornal Público. Os dois últimos anos foram os que contabilizaram um aumento mais elevado.

No entanto, neste ano, mais de 2000 docentes adiaram a reforma. O incentivo de 750 euros mensais brutos dado a professores que escolham prolongar a sua carreira, embora já se encontrem em idade de reforma, poderá estar a promover o número de docentes que continuam a dar aulas. Este incentivo mensal foi pago a mais de 2000 docentes, num “investimento de cerca de dez milhões de euros”.

https://observador.pt/2026/07/01/em-2025-26-medidas-do-governo-para-a-educacao-atrairam-mais-2-500-professores-do-que-os-que-se-reformaram/

No próximo mês de setembro vão aposentar-se 557 docentes, segundo uma lista publicada no Diário da República. A estimativa conta apenas com os professores vinculados ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, pelo que não engloba os docentes do ensino superior, de instituições privadas e das regiões autónomas.

Um estudo publicado pela Direção-Geral de Estatística e Ciência no ano anterior indica que, nos próximos anos, se espera a reforma de cerca de quatro mil docentes anualmente. Segundo o Estudo de Diagnóstico de Necessidades Docentes de 2025 a 2034, no ano letivo de 2029/30 serão necessários mais 20 mil novos professores e no ano letivo de 2034/35 será preciso contratar 3800 novos docentes.

https://observador.pt/2025/07/23/escolas-vao-perder-na-proxima-decada-4-000-professores-por-ano-para-a-reforma/

A necessidade de contratação destaca-se no terceiro ciclo de ensino básico e no ensino secundário em particular nas disciplinas de Português (3639) e de Matemática (2322). A tendência não se prende apenas com a redução do número de professores, mas também com a redução dos horários dos professores mais velhos. Dos cerca de 122 mil docentes nas escolas em 2024/25, apenas 76 mil ficarão até 2034/35.

A formação de novos professores não tem acompanhado o número crescente das vagas por ocupar. No último ano letivo, foram identificados dez Quadros de Zona Pedagógica (QZP) – a maioria na Área Metropolitana de Lisboa (AML), mas também no Alentejo e no Algarve – com “insuficiência estrutural de docentes”, explicou a tutela, na semana passada, ao Público.