“O edifício ruiu completamente. Parecia uma bomba. Foi horrível“. As palavras de Juan Carlos Osorio, em declarações à Rádio Caracol, ecoam os testemunhos de tantas outras pessoas afetadas pelo sismo que abalou a região oeste da Colômbia.
Com uma magnitude de 7,4 na escala de Richter e epicentro sob a localidade de San José del Palmar, na província de Chocó, o sismo causou mais de uma centena de mortos (111 ao final da noite de segunda-feira). A dimensão da tragédia pode ser ainda maior, com muitas pessoas que continuam desaparecidas ou soterradas debaixo dos escombros de dezenas de edifícios que se desmoronaram.
Cali, uma das maiores cidades colombianas, ainda não confirmou oficialmente um número de vítimas mortais, mas o impacto sente-se no discurso dos seus habitantes. “Todos nós, vizinhos, estamos a trabalhar juntos, formando correntes humanas. Precisamos de equipamento pesado. Há muitas pessoas presas”, acrescentou Juan Carlos Osorio, enquanto ajudava a remover os escombros de uma estrutura que ruiu.
Aos 64 anos, Jorge Moncayo, um taxista de 64 anos, admitiu não ter memória de um terramoto com tamanha força em Cali. Não estava na estrada, mas da sua casa viu as nuvens de poeira a formarem-se sobre a cidade, à custa dos prédios que caíram. “A minha casa inteira tremeu. Nunca passei por um terramoto tão forte. Estamos a agradecer a Deus por estarmos vivos”, contou à Associated Press.
https://twitter.com/ABDELAESPRIELLA/status/2086872024941502582
Enquanto se desdobravam os esforços de residentes e das equipas de salvamento para retirar pessoas dos escombros, um outro morador de Cali contava à Rádio Caracol como teve de abandonar a casa com receio de que as paredes não aguentassem o abalo. “Uma tragédia lamentável. Há que esperar para ver se vem uma réplica mais forte, espero estar enganado. Há muito tempo que não sentia um sismo tão forte”, declarou.
Os testemunhos de sobreviventes também contam a dor de não ter conseguido salvar toda a família a tempo, como foi o caso de Carlos Patiño, em Cali: “Foi algo extremamente difícil. Estava com a minha mulher, o cão e o meu filho. Não conseguimos tirar a minha sogra de lá. O tremor começou de um lado para o outro, parou durante três segundos e depois recomeçou no sentido contrário. As paredes e o teto desabaram. Começámos a rezar”.
Apesar de ter ocorrido a mais de 100 quilómetros de profundidade, o impacto de 7,4 revelou a força deste sismo — o maior da década e mesmo do século XXI no país, segundo o Serviço Geológico Colombiano. Desde as 7h34 locais (13h34 em Lisboa) registaram-se já 21 réplicas, ainda que nenhuma se tenha aproximado da intensidade do sismo.
“Durou demasiado tempo. Foi muito forte e toda a gente está muito assustada. Em Valle del Lili, duas pessoas morreram porque uma parede lhes caiu em cima enquanto desciam. O telhado do centro comercial Algaguara, aqui em Jamundí, desabou. Tudo tem sido muito terrível”, afirmou Arturo Marín ao jornal colombiano El Tiempo, na região de Valle del Cauca, uma das mais afetadas pelo sismo.
A ameaça das réplicas e a fé do Presidente como resposta
As operações de resgate e salvamento prosseguem sem parar, mas os especialistas salientam que é necessário também que as autoridades colombianas acautelem um cenário de réplica forte que possa vir a agravar ainda mais a situação do país neste momento.
Em declarações citadas no jornal El País, Rodrigo Alejandro León, sismólogo e professor do departamento de Geociências da Universidade de Los Andes, realçou que “a população tem de se preparar”, considerando que a realidade na Colômbia poderia ter sido muito pior se o sismo não tivesse ocorrido a uma profundidade tão elevada. “Ocorreu a uma profundidade entre 90 e 110 km. Se tivesse ocorrido mais perto da superfície, teria causado muito mais danos“, confessou.
https://twitter.com/ABDELAESPRIELLA/status/2086872024941502582
Através das redes sociais e presente no Centro de Comando Unificado desde o início para a reunião de coordenação das operações de busca e salvamento, o Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, não escondeu o apelo à fé para lidar com a crise provocada pelo sismo.
“Confio o nosso país a Jesus Cristo”, afirmou Abelardo de la Espriella em conferência de imprensa, prosseguindo: “Hoje, todos os colombianos, sem distinções ideológicas, temos de nos unir em torno de uma única causa: as vítimas desta catástrofe natural. Estamos absolutamente convencidos de que, unidos como sociedade e como Governo, conseguiremos fazer o nosso país seguir em frente neste momento difícil. Pedimos a Deus que proteja a Colômbia, que nos dê força para enfrentar este desafio”.
[O espião português suspeito de vender segredos à Rússia voa para Roma e as autoridades estão determinadas a não o deixar escapar. Na capital italiana, Carvalhão Gil é seguido pelos inspetores e vai mostrar que todos os anos passados ao serviço do SIS o tornaram mestre na arte da contravigilância. Quando recebem a confirmação de que o espião russo também acaba de aterrar em Roma, as autoridades têm a certeza de que vai acontecer um novo encontro entre os dois. A grande questão é: onde? Já pode ouvir o terceiro episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]