No álbum de fotografias natalícias da Família Real norueguesa em 2005, os monarcas decidiram tornar públicas as primeiras imagens do pequeno Príncipe Sverre Magnus, com dezasseis dias de vida, no Palácio Real de Oslo. A exposição mediática manteve-se nos anos a seguir de forma pontual — ocorria nas ocasiões em que estava ao lado dos pais, o Príncipe Herdeiro Haakon e a Princesa Herdeira Mette-Marit da Noruega, nos compromissos oficiais — permitindo que vivesse uma infância e adolescência discretas e distantes dos olhos do público a maior parte do tempo.
A presença pública de Sverre tornou-se cada vez mais frequente nos últimos dois anos, quando vieram à tona os escândalos na justiça envolvendo diferentes membros da Casa Real norueguesa — no caso Epstein, acusações de violação e problemas de saúde enfrentados pelos monarcas, que podem ter causado a maior desaprovação de sempre da população norueguesa à monarquia constitucional daquele país. O jovem, que até então era uma figura secundária na agenda real — é o terceiro na linha de sucessão ao trono — não estava envolvido publicamente nas polémicas da família. Pouco a pouco, tem saltado para a linha da frente da representação pública e do mediatismo, assumindo-se como um discreto trunfo de um clã que nos últimos anos tem sido colocado à prova. A partir de setembro, seguirá ainda as pisadas da Infanta Sofia de Espanha, iniciando os seus estudos em Lisboa, no Forward College.


Polémicas na justiça e problemas de saúde na família
O seu meio-irmão mais velho Marius Borg Høiby — do casamento entre Mette-Marit e Morten Borg — encontra-se a cumprir prisão domiciliária desde julho após a condenação por 34 crimes, entre os quais duas violações. A sua mãe, a Princesa Mette-Marit, foi citada nos ficheiros do caso Epstein por trocar mensagens com Jeffrey Epstein ao longo de vários anos. Para além das questões judiciais, Mette-Marit viu a saúde debilitada devido ao agravamento severo de uma fibrose pulmonar crónica que a levou a necessitar de suporte de oxigénio e um transplante de pulmão em junho. Os avós de Sverre, o Rei Harald V e a Rainha Sonja da Noruega, ambos com 89 anos de idade, enfrentam recentemente problemas de saúde que por vezes os impedem de comparecer a compromissos oficiais.
Todos esses fatores somados terão catapultado Sverre para esta crescente visibilidade pública, numa possível tentativa de recuperar a confiança da população norueguesa na família real, mas também para representar o país nos compromissos oficiais que a sua mãe não pode estar presente. O primeiro evento em que Sverre compareceu de forma independente ocorreu na primavera de 2025, quando se encontrou com os atletas que competiram nos Jogos Mundiais de Inverno das Olimpíadas de Turim naquele ano. O segundo ocorreu em maio deste ano, com uma visita à histórica empresa de mineração Blaafarveværket (fundada em 1776 em Modum, na Noruega) por ocasião do 250º aniversário da antiga fábrica, onde participou no plantio de um carvalho. A sua imagem oficial nas redes sociais, divulgada apenas através das publicações da Casa Real, começou a ser alvo de tentativas de fraude: um perfil criado em nome de Sverre e que acumulou milhares de seguidores, segundo a emissora pública TV 2, foi revelado como falso pelo palácio.



Infância e adolescência discretas
Nascido a 3 de dezembro de 2005 no Hospital Universitário Rikshospitalet, em Oslo, Sverre é o filho mais novo do príncipe e da princesa herdeira da Noruega. Cresceu com os seus irmãos, a Princesa Ingrid Alexandra (quase dois anos mais velha) e o meio-irmão mais velho Marius Borg Høiby (nascido em 1997) em Skaugum, residência oficial do príncipe herdeiro e da princesa herdeira da Noruega. Aos três meses de idade, Sverre foi batizado na capela do Palácio Real de Oslo (Kongelig Slott, em norueguês), onde vivem os seus avós. Tem como padrinhos a avó Sonja, o Príncipe Herdeiro Pavlos da Grécia, a Princesa Rosário da Bulgária e amigos da sua família que não integram casas reais: Espen Høiby, Bjørn Stensland e Marianne Gjellestad. Concluiu também o crisma e cumpriu a catequese na Igreja de Asker, na Noruega.
Ao completar 18 anos, em 2023, o príncipe foi convidado pelos avós para um almoço especial em homenagem à sua maioridade. Estiveram presentes cerca de 70 convidados, refere o Palácio Real, entre “familiares, padrinhos e representantes das autoridades norueguesas e de organizações da juventude”. No ano seguinte, 2024, chegou a viver durante algum tempo em Trondheim, a cerca de 400 quilómetros de Oslo. A sua mãe limitou-se na época a dizer à emissora pública norueguesa NRK que o jovem estava a viver e trabalhar naquela cidade, mas não quis especificar onde ou em que área. Os detalhes sobre a sua vida pessoal foram sempre pouco divulgados ou confirmados pela Casa Real, que revela apenas que o jovem gosta de praticar de esqui alpino e desportos aquáticos com a família.

Mudanças de cidade, namorada nas férias com a família e quebra de protocolo no Mundial
Também distante de polémicas, a sua irmã Ingrid Alexandra, a segunda na linha de sucessão ao trono (atrás do seu pai, o Príncipe Herdeiro Haakon), prepara-se para se tornar a futura comandante-chefe das Forças Armadas da Noruega. Antes de ingressar numa universidade, a neta mais velha do Rei Harald V decidiu seguir os passos dados também por mulheres de outras casas reais: ingressou em 2024 no serviço militar — na Noruega, a convocação é feita também às mulheres, que correspondem a 34,5% dos soldados daquele país. A Noruega afirma ser o primeiro país da NATO a adotar o conceito de “recrutamento universal”, quando em 2015 aderiu ao serviço militar obrigatório também para as mulheres. Ingrid Alexandra estendeu por vontade própria a formação de um ano de duração na qual participou por três meses a mais do que o previsto, servindo no Batalhão de Engenharia no Campo Skjold. Em julho de 2025, já formada como soldado, partiu para a Austrália para os estudos nas áreas de política e resolução de conflitos — longe do seu país natal, a jovem chegou a ser perseguida por um homem de 63 anos.
Pouco antes naquele mesmo ano, Sverre Magnus mudava-se para Milão com a então namorada, a modelo fotográfica norueguesa Amalie Giæver Macleod, que frequentava a Universidade Bocconi. O príncipe foi para a cidade italiana com o intuito de colocar em prática o seu “interesse especial por fotografia e cinema”, como é referido na sua biografia na página daquela Casa Real na internet. Amalie chegou a ser convidada para acompanhar Sverre em eventos da sua família — como o casamento da Princesa Martha Louise e do xamã Durek Verret, com páginas de fãs da realeza a destacar o facto de ter usado um vestido castanho Vera Wang emprestado por Mette-Marit — e também nas férias de verão dos monarcas a bordo do iate real. Mas o relacionamento chegou ao fim em dezembro passado, um dia antes de Sverre fazer anos, segundo a revista norueguesa Se og Hør. O motivo da separação não foi divulgado.
Em julho de 2025, a TV 2 e a NRK revelaram a abertura da Sverre Magnus Productions, uma empresa de produção de filmes e fotografias. A chefe de comunicação do palácio, Guri Varpe, confirmou na altura a existência do negócio e a mudança do príncipe para a Itália, noticiou também a TV 2. “[Sverre] irá usar a experiência que adquirir com a empresa para desenvolver ainda mais as suas competências em cinema e fotografia e para aprender mais sobre a gestão de um negócio”. Dois anos antes, no 50º aniversário de Mette-Marit, Sverre já demonstrava tais interesses: foram feitas por ele algumas das imagens que foram divulgadas pela Casa Real. Com o agravamento do estado de saúde de Mette-Marit ao longo de 2025 e a condenação de Marius Borg, Ingrid Alexandra e Sverre decidiram regressar à Noruega no fim daquele ano, sendo avistados na chegada à prisão de Oslo para visitar o irmão que lá estava a cumprir pena, noticiou a TV 2.
Em julho deste ano, viajaram para os Estados Unidos para apoiar a seleção masculina de futebol no Mundial. Seria a primeira oportunidade de Sverre, Ingrid Alexandra e tantos outros jovens daquele país de ver a Noruega participar no campeonato: há 28 anos que a equipa masculina não se qualificava para a prova. “Pela primeira vez, os dois estiveram em missão internacional sozinhos. Estou impressionada!”, escreveu no seu Instagram a embaixadora da Noruega nos Estados Unidos, Anniken Huitfeldt, que publicou uma fotografia com Sverre e Ingrid Alexandra no estádio MetLife, em Nova Jersey, onde a equipa venceu o Senegal. A dupla visitou também a escola de futebol Gjøa — de raízes norueguesas, no distrito do Brooklyn em Nova Iorque — e participou em corridas e jogos com bola com cerca de 60 alunos e membros.
Foi também a estreia de Erling Haaland (25 anos, avançado dos ingleses do Manchester City), que rapidamente se consagrou um dos atletas mais comentados durante o evento desportivo, o que deu ainda mais destaque ao país nórdico. A reação espontânea de um abraço dado por Ingrid Alexandra e Sverre no atleta — de tronco nu no balneário, após a partida que eliminou o Brasil da disputa — chamou a atenção nas redes sociais pela quebra de protocolo da família real, que costuma limitar a sua interação a cumprimentos com aperto de mão. Os irmãos não esconderam o entusiasmo na bancada e também fora dela.
A equipa de Haaland acabou eliminada pela Inglaterra, conquistando a 5.ª posição no ranking geral do Mundial. Mas foi convidada pelo Rei Harald V para uma visita ao Palácio Real. Numa publicação na sua página da internet, a Casa Real relata que através da varanda do palácio era possível ouvir “o som de milhares de pessoas” a cantar Alt for Norge naquele dia 13 de julho — o lema oficial da realeza e daquele país. Quase 90 mil pessoas acompanharam a família real e a seleção nacional de futebol a fazer o movimento de “remo”, que se tornou um símbolo da Noruega nos eventos desportivos. O príncipe herdeiro Haakon estava também presente a tocar tambor para “ditar o ritmo” das remadas.
A Princesa Herdeira Mette-Marit e a Rainha Sonja, no entanto, não participaram na receção no palácio. Recém-transplantada do pulmão, Mette-Marit celebrou a presença do seu país no Mundial ao lado do marido alguns dias antes, a partir do sofá de casa, quando o Brasil foi eliminado a 5 de julho. O Rei Harald V e a Rainha Sonja acompanharam o mesmo jogo a partir da sua casa de férias privada na península de Mågerø, com bandeiras da Noruega nas mãos.




No dia seguinte ao evento com a equipa de futebol no Palácio Real, foi anunciada a alta hospitalar de Mette-Marit e o regresso de Marius Borg Høiby a casa. Na ocasião, a família anunciou que a princesa herdeira não deve desempenhar nenhuma função oficial durante um ano, que é o período previsto para a sua recuperação. O seu filho com Morten Borg recebeu autorização judicial para cumprir a pena pelos 34 crimes dos quais foi condenado em prisão domiciliária com pulseira eletrónica. Marius foi viver para uma casa na propriedade da sua mãe e do padrasto.
Os estudos em Lisboa e em Oslo
O Mundial, o apoio a Marius, o seu regresso e a doença da mãe não tiraram o foco de Ingrid Alexandra, que não desistiu do curso que estava a fazer: na passada segunda-feira, a Casa Real afirmou que a jovem vai continuar os estudos na Universidade de Oslo, com permissão para que a imprensa credenciada pudesse registar o momento.
O mesmo comunicado revela também que Sverre Magnus vai cursar a partir de setembro a licenciatura em Gestão de Empresas durante um ano em Portugal no Forward College, que tem campus no Chiado e no Bairro Alto, em Lisboa — e onde estudou também a Infanta Sofia de Espanha. Sverre e Sofia têm em comum o facto de serem os irmãos mais novos de dois herdeiros diretos aos tronos dos respetivos países, com tudo o que esse papel secundário, mas não menos relevante significa — desde logo pela possibilidade de ter uma vida mais distendida num destino como a capital lisboeta.
No Forward, o processo seletivo de alunos é “rigoroso”, diz a instituição, com a aprovação de cerca de 1 em cada 8 candidatos. Após o ano letivo em Lisboa, o curso que custa a partir de 20.600 euros por ano tem continuação em Paris e Berlim. Não se sabe se Sverre escolheu viver na residência estudantil do Forward College em Benfica para frequentar as aulas, que ocorrem ao menos quatro dias por semana e sempre em inglês. A sua presença na capital portuguesa, entretanto, deve ser discreta se depender da Casa Real. “Não há nenhum acordo para a imprensa realizar a cobertura do início dos estudos do Príncipe Sverre Magnus”, diz o texto, tentando sacudir o eventual interesse dos media.
Antes de decidir iniciar o seu percurso académico em Lisboa, Sverre frequentou o ensino secundário na Escola de Elvebakken, em Oslo, onde finalizou os estudos em 2024 numa cerimónia de graduação entre famílias e professores. Naquela mesma escola, entrou em 2021 no curso de Tecnologias da Informação e Produção de Conteúdos Multimédia. Esteve também na Escola Montessori de Oslo entre 2014 e 2020 e anteriormente na Escola Primária de Jansløkka, em Asker (no leste da Noruega, a cerca de 20 quilómetros da capital daquele país).
“Nos próximos anos, a tarefa mais importante tanto da princesa como do príncipe será estudar”, afirma a Casa Real, ao referir que a presença de Sverre e Ingrid Alexandra só deve ocorrer nos compromissos oficiais quando estes forem “compatíveis” com a agenda de estudos. O regime governativo da Noruega é a monarquia constitucional desde 1905, quando o país se tornou independente da Suécia. Desde 1991, o chefe de Estado é o Rei Harald V.
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