Se é da zona centro e estava a pensar instalar-se nos areais da Figueira da Foz ou daí para cima até ao Grande Porto, pelas previsões desta terça, o melhor é arranjar um plano B. Já na zona da Grande Lisboa, a ideia da zona de Sintra ou Cascais, também pode não ser boa opção. O melhor, neste momento, é pensarem num local mais a sul do Tejo ou mais no interior para ver o eclipse na sua espetacularidade. As previsões dos modelos apontam, para aquela hora, nestes locais, nuvens baixas e até nevoeiro e isso significa ter a visão do fenómeno estragada.
O céu deverá estar limpo em grande parte do país, praticamente em todo o interior e no sul e Algarve e no interior até vão estar 40 ºC e uma noite bem quente. Mas junto à costa há risco de nuvens baixas no litoral Norte e Centro, de Coimbra ao Porto, e, com menos intensidade, de Coimbra à Grande Lisboa. Procure neste mapa o local onde pretende ver o eclipse e acompanhe a previsão para quarta-feira ao final da tarde.
A previsão que, para já, é bastante favorável para grande parte de Portugal continental, mas não para todo o país. Os modelos meteorológicos apontam para céu pouco nublado ou limpo na maioria das regiões, enquanto no litoral Norte e Centro existe o risco de formação de nuvens baixas e nevoeiro ao final da tarde, precisamente quando o eclipse estiver a decorrer. E, como o Sol estará muito baixo sobre o horizonte, uma faixa de nuvens no sítio errado pode ser suficiente para esconder o fenómeno.
No mapa interativo pode procurar o local onde pretende observar o eclipse e acompanhar a previsão da nebulosidade para quarta-feira, um dos dias mais quentes da semana. O mapa permite também avançar e recuar no tempo para perceber se as nuvens se aproximam ou afastam durante o período em que o eclipse será visível.
Como usar o mapa?
Comece por procurar a localidade onde pretende estar. Confirme que está a consultar quarta-feira, 12 de agosto, ao final da tarde, e veja a percentagem de nebulosidade prevista. Depois, no menu do mapa, à esquerda, escolha nuvens e pode alternar entre nuvens totais, baixas, médias e altas e até nevoeiro.
Esta distinção é particularmente importante neste eclipse. Uma percentagem elevada de nuvens altas e finas não significa necessariamente que o Sol desapareça. Já uma camada de nuvens baixas e densas junto ao horizonte pode ser suficiente para tapar completamente o eclipse.
Também não vale a pena olhar apenas para uma hora. Arraste a barra temporal no fundo do mapa e acompanhe a evolução durante a tarde: uma faixa de nuvens pode estar a chegar à sua localização ou, pelo contrário, afastar-se precisamente durante o eclipse.
https://observador.pt/interativo/mapa-interativo-do-eclipse-saiba-o-que-vai-ver-onde-estiver-e-leia-14-perguntas-e-respostas-sobre-o-que-precisa-de-saber-para-quarta-feira/
Onde é maior o risco de as nuvens esconderem o eclipse?
Neste momento, a principal preocupação está no litoral Norte e Centro, do Minho a Peniche, com grande concentração entre Coimbra e o Porto, e em parte da região de Lisboa, onde os modelos indicam a possibilidade de formação de nebulosidade baixa ao final do dia.
Jorge Pontes, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), confirma ao Observador que este sinal aparece tanto no modelo do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF) como nas previsões utilizadas pelo próprio instituto. “Confirmo essas previsões do modelo do Centro Europeu, que é um modelo no qual o IPMA também se baseia e uma referência para as nossas previsões”, explica. O modelo utilizado pelo IPMA está também, acrescenta, a indicar “nuvens baixas mais ou menos nas mesmas regiões e para essas horas”.
Não é uma situação meteorológica invulgar. Pelo contrário. Nesta altura do ano, é frequente aparecerem nuvens baixas e nevoeiro durante a noite e a manhã junto ao litoral Norte e Centro. Muitas vezes dissipam-se ou diminuem durante a tarde, à medida que a temperatura sobe, mas podem regressar ao final do dia, quando o Sol desce e o ar começa novamente a arrefecer.
E é precisamente isso que os modelos estão atualmente a sugerir para quarta-feira. “As manhãs normalmente até acabam por dissipar um pouco as nuvens, mas depois, ao final da tarde e início da noite, há novamente tendência a aparecerem. E, de facto, é isso que o modelo está a mostrar”, explica Jorge Pontes.
Cabo da Roca, Cabo Raso e litoral Norte? Melhor não
Há, por isso, locais muito populares para observar o pôr do sol que podem não ser necessariamente as escolhas mais seguras para este eclipse. Jorge Pontes chama particularmente a atenção para quem pretende observá-lo junto ao mar no litoral Norte e Grande Porto, mas também para o Cabo Raso, Cabo da Roca e a região de Lisboa.
A razão é simples: o risco de formação de nuvens baixas é maior mesmo junto à costa e diminui à medida que se avança para o interior. “Quem estiver junto ao mar, na região litoral Norte, essencialmente Cabo da Roca, diria Cabo Raso, Cabo da Roca, a região de Lisboa, e quiser mesmo observar o fenómeno, é mais seguro encontrar uma alternativa, ir um pouco mais para o interior”, aconselha o meteorologista.
A recomendação torna-se especialmente relevante para quem esteja disposto a deslocar-se para aumentar as probabilidades de ver o eclipse. No litoral Norte e Centro, Jorge Pontes aconselha a procurar, se necessário, locais mais para o interior e mais elevados.
Isso não significa que o eclipse não vá ser visível no litoral, nem que o Cabo da Roca ou qualquer outra destas regiões vá necessariamente ficar debaixo de nuvens. Significa apenas que, com a informação disponível neste momento, o risco meteorológico é maior aí.
As nuvens podem chegar precisamente durante o eclipse
Há outro pormenor importante: a situação pode não ser igual no início e no final do fenómeno. À medida que o Sol desce e a noite se aproxima, aumentam as condições favoráveis à formação e expansão das nuvens baixas junto ao litoral. Os modelos sugerem, por isso, que o risco poderá aumentar à medida que o eclipse avança.
“Diria que é mais provável haver nebulosidade mais no final do eclipse do que propriamente no início, embora já possa haver alguma”, explica Jorge Pontes. No fim do dia, acrescenta, a tendência é para a nebulosidade “se expandir um pouco mais”, aumentando a área ocupada e penetrando gradualmente para o interior.
“O risco é maior mesmo junto ao mar. Quanto mais para o interior, menos provável é que as nuvens baixas cheguem.” É uma informação especialmente relevante neste eclipse porque o Sol estará cada vez mais próximo do horizonte. Mesmo que grande parte do céu esteja limpa, uma faixa relativamente estreita de nuvens baixas a oeste pode ser suficiente para impedir a observação.
Se houver nuvens baixas, ainda se consegue ver?
Se forem suficientemente densas e estiverem precisamente entre quem quer ver o eclipse e o Sol, não. Questionado diretamente sobre o que acontecerá nos locais onde a nebulosidade baixa prevista efetivamente se formar, Jorge Pontes é claro: “Não. Nos sítios onde ela se formar, claro que não. Não se vai conseguir ver nada.” O grande problema está em saber exatamente onde essas nuvens estarão. E aqui começa a parte mais difícil da previsão meteorológica para quarta-feira.
https://observador.pt/programas/guia-para-o-eclipse/sera-que-o-eclipse-de-quarta-feira-afeta-a-vida-dos-animais/
Uma previsão de nebulosidade não tem a mesma precisão que uma previsão de temperatura ou de vento. “A previsão da nebulosidade baixa e do nevoeiro é um parâmetro que não é muito fácil de calcular. Apresenta às vezes alguns erros”, explica Jorge Pontes.
Os modelos conseguem identificar as regiões onde existem condições favoráveis à formação dessas nuvens, mas têm mais dificuldade em determinar exatamente onde ficará o limite entre céu limpo e céu coberto. “Não deixa de ser um modelo. Portanto, tenta representar a realidade. Tem algum erro. Não quer dizer que ocorra em todas essas zonas.”
É por isso que não é possível afirmar nesta segunda-feira que uma determinada praia ou localidade ficará coberta na quarta-feira ao final da tarde.
“Certeza não vamos ter nunca, a não ser na altura, porque os modelos têm alguma dificuldade, por vezes, em prever nebulosidade e nevoeiro.” E uma diferença relativamente pequena na localização prevista pode ser decisiva. Uma faixa de nuvens que o modelo coloca sobre determinada localidade pode acabar por ficar algumas dezenas de quilómetros ao lado; o inverso também é possível.
Por isso, este mapa deve ser entendido como a melhor previsão disponível neste momento, e não como uma garantia.
Não basta olhar para cima? Não, também é preciso olhar para oeste
Há ainda outro elemento que nenhum mapa de nuvens resolve sozinho: o horizonte. O eclipse acontece ao final da tarde, com o Sol muito baixo. Isso significa que um céu praticamente limpo por cima da pessoa que o quer ver não garante uma boa observação se houver nuvens precisamente a oeste.
E nem sequer são necessárias nuvens. Uma serra, uma encosta, árvores, edifícios ou uma falésia podem esconder o Sol antes de terminar o eclipse. Quem ainda estiver a escolher o local deve, por isso, combinar duas condições: pouca probabilidade de nuvens baixas e um horizonte oeste o mais aberto possível.
Um local elevado pode ajudar, sobretudo no litoral Norte e Centro, mas não é automaticamente melhor. Se existir outra elevação a oeste, o Sol pode desaparecer atrás dela mais cedo. A melhor escolha é um local onde saiba que pode ver o pôr-do-sol: essa não falha.
E se o mapa mostrar nuvens no local escolhido?
Ainda há tempo para mudar de plano. A previsão da nebulosidade deverá tornar-se progressivamente mais útil à medida que nos aproximamos de quarta-feira e entram em cena previsões de maior resolução e observações cada vez mais recentes. Quem estiver no litoral Norte e Centro e quiser maximizar as hipóteses de observar o fenómeno deve, por isso, preparar uma alternativa mais para o interior e voltar a consultar a previsão antes de sair.
O próprio mapa permite acompanhar essa evolução. Procure novamente a sua localidade na terça-feira, repita a consulta na manhã de quarta-feira e volte a verificar poucas horas antes do eclipse. A meteorologia ainda pode mudar. E, neste caso, alguns quilómetros podem fazer toda a diferença.
https://observador.pt/programas/quente-e-frio/uma-semana-de-40oc-e-o-dia-mais-quente-e-o-do-eclipse-mas-no-sabado-ja-havera-aguaceiros-e-trovoadas/
Na quarta-feira ao final da tarde, entre ver um dos eclipses solares mais marcantes das últimas décadas em Portugal ou olhar apenas para uma camada de nuvens pode estar uma decisão tomada poucas horas antes.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]