Elaine põe o carro a trabalhar por volta das nove da manhã. Acabou de resolver o curto dilema: “Prefiro ir seguida, o sangue já está quente. Se parar para descansar é que às vezes bate o sono e o cansaço.” Há cerca de meia hora saiu da fábrica de sacos de plástico onde há oito horas tinha pegado ao serviço. O turno noturno que acaba de cumprir tem hora de entrada à meia-noite e hora de saída às oito da manhã. Para muitos dos trabalhadores que saem pelo portão a jornada está completa nesse momento e é tempo de regressar a casa. Para a mulher de 37 anos o dia de trabalho ainda vai a meio.
Da Venda do Pinheiro, onde fica a unidade industrial, até Entrecampos, onde fica a primeira casa que vai limpar nessa quarta-feira de agosto, o percurso leva meia hora de carro. Elaine combinou com Teresa — a cliente mais antiga dos serviços domésticos que presta como trabalhadora independente — que chegaria por volta das dez da manhã. Ainda não sabe ao certo quantas horas de serviço vai fazer naquela casa, tudo depende dos pedidos que a cliente tenha, mas antecipa que serão entre três e três horas e meia de trabalho. Às 14h00 tem nova limpeza marcada noutro apartamento no centro de Lisboa, com duração prevista semelhante.
Numa estimativa rápida, Elaine prevê voltar a casa, na melhor das hipóteses, às 17h30. Mesmo que conseguisse adormecer rapidamente — o que não vai acontecer porque ainda vai estar com as filhas e alimentar-se —, vão sobrar-lhe menos de seis horas até ao próximo turno na fábrica. Nem todas as semanas são como esta; na próxima o turno na fábrica roda e passa ao horário das 16h00 à meia-noite — nessa configuração horária, o cenário inverte-se: as limpezas nas casas dos clientes são feitas de manhã e Elaine segue direta para a fábrica — consegue, depois do turno finalizado, à meia-noite, dormir “a noite seguida”, sendo que na manhã seguinte volta às limpezas.




“Quando cheguei cá [a Portugal], há quatro anos, comecei a trabalhar num shopping, das nove da manhã às onze da noite. Depois fazia limpeza das cinco até às oito da manhã no Saldanha a limpar escritórios”, recorda enquanto seguimos caminho para Entrecampos, numa estrada com pouco trânsito por haver muita gente de férias.
A ideia de ter apenas um trabalho nunca passou pela cabeça de Elaine desde que emigrou por ter ficado sem emprego no Brasil durante a pandemia. “É costume” trabalhar tantas horas seguidas, garante com boa disposição. Vivia na cidade de Belo Horizonte e juntou-se em 2022, com as duas filhas, ao marido que tinha emigrado poucos meses antes para Portugal. Ele tornou-se camionista internacional para conseguir um salário mais alto do que aqueles que são praticados em território nacional e passa grande parte do tempo no estrangeiro em serviço.
Elaine é quem gere a economia familiar e sempre optou por procurar diversas fontes de rendimento para assegurar que o dinheiro no final do mês chegava para tudo: renda de um T3 em Odivelas a 850 euros, contas fixas, prestação do carro e as despesas com a educação e vida das duas filhas estudantes do casal: uma tem agora 19 anos e a outra sete. Atualmente, a mulher recebe cerca de mil euros limpos pelo trabalho como operária fabril, mais subsídio de alimentação, e cobra 12 euros à hora no trabalho de limpezas, sendo que tem nove clientes fixos, entre os quais se divide todas as semanas.
Assume que com o salário do seu primeiro emprego e do marido não conseguiriam pagar todas as despesas fixas. O dinheiro que recebe do trabalho das limpezas serve para completar o pagamento de algumas contas, para fazer compras no supermercado e para despesas extras: um jantar fora, uma ida ao shopping ou visitar ao fim de semana os familiares que vivem na Nazaré.
Elaine está na lista dos mais de 280 mil trabalhadores em Portugal que, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), exerciam, no segundo trimestre de 2026, uma segunda atividade mesmo estando já empregados. Em 2025, atingiu-se o número mais alto de sempre de trabalhadores a exercer uma atividade secundária.
Os dados mostram que entre 2011 (o início da série estatística) e 2013 a tendência do indicador foi de queda, devido à crise económica e elevada taxa de desemprego. Depois disso, a tendência foi crescente até 2020 — ano de pandemia — quando se registou uma queda abrupta de trabalhadores com uma segunda atividade, potenciada pelo encerramento temporário de muita da atividade económica. Mas nos últimos seis anos o número não mais parou de crescer, atingindo o seu pico em 2025.
“Este aumento de pessoas com duas atividades aponta claramente para um desajustamento entre a forma como medimos a pobreza e as condições de vida em Portugal e na União Europeia. O aumento do custo de vida e o seu impacto nas condições de vida das famílias não estão devidamente refletidos quando analisamos os dados da pobreza”, refere ao Observador Elizabeth Santos, coordenadora da Unidade dos Observatórios e Investigação da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal.
Há que ter em conta o custo da habitação que atualmente “representa uma fração muito significativa do orçamento familiar”. “Quando avaliamos o rendimento real das famílias, deveríamos considerar o que efetivamente lhes resta depois de suportarem esta despesa básica e essencial”, nota. Segundo o Eurostat, citado pela coordenadora, a taxa de risco de pobreza em Portugal passa de 15,4%, quando calculada com base nos rendimentos de 2024, para 26,8% quando ao rendimento das famílias são deduzidos os custos com a habitação.
Franco Tomassoni, investigador e coordenador da Linha ‘Trabalho, Emprego e Tecnologias’ no CoLABOR, aponta duas dinâmicas estruturais do mercado de trabalho que são, no seu entender, as causas principais para o crescimento da pluriatividade: os baixos salários e o subemprego.
Os baixos salários, defende o investigador, devem-se a uma base produtiva média concentrada em setores que produzem pouco valor acrescentado na economia, como o turismo, o comércio e a restauração. “São setores com peso geral importante, mas que se caracterizam pelas fracas condições de emprego, remunerações baixas e contratos a tempo parcial e temporários”, descreve.
O investigador destaca também o aumento do custo de vida de uma maneira geral e o “preço da habitação” em particular para o maior recurso a uma segunda atividade. “Se considerarmos os cálculos da inflação vemos que há uma sub-representação nestes cálculos relativamente à habitação, porque não considera as prestações dos empréstimos e as prestações da renda têm uma ponderação muito baixa”, defende Tomassoni. E, por isso, fica-se com uma “visão alterada da vida das famílias e das pessoas, já que as rendas têm um peso muito mais elevado e que muitas vezes empurra para a necessidade de uma compensação salarial através da pluriatividade“, acrescenta.
Tomassoni destaca que o mercado de trabalho português “tem tido capacidade de absorver a oferta de emprego”, tendo em conta a situação atual de quase pleno emprego, mas acredita que as composições internas do mercado de trabalho têm vindo a alterar-se, recusando que este aumento da pluriatividade seja um indicador de “vitalidade” do mercado de trabalho.
É, sim, sinal de que “não se consegue garantir condições de trabalho dignas”. “O indicador demonstra elementos de fragilidade do mercado de trabalho, nomeadamente uma dificuldade em que os salários possam corresponder ao custo de vida e a ausência de condições de emprego que permitam uma conciliação forte entre a vida pessoal e a profissional”, afirma.
Elaine faz uma média de 70 horas semanais. Não há limite para o tempo de trabalho acumulado em diferentes empregos
É já a chegar à rua da casa de Teresa que Elaine responde à pergunta que muitos colegas e pessoas à sua volta lhe fazem com frequência: “Até quando é que vai manter o ritmo de ter dois trabalhos a tempo inteiro?”. A resposta surge prontamente: “Quando comprar a minha casa aqui, depois disso talvez pondere deixar um. Estou a juntar para dar uma entrada”. Só depois disso é que considera ter uma vida que implique apenas oito horas de trabalho, com tempo para dedicar à família e a si mesma.
Está inscrita no ginásio e poucas vezes consegue ir. Até as consultas médicas vão ficando para segundo plano porque o tempo sem estar a trabalhar em dias úteis é muito reduzido, mas a mulher de 37 anos diz que, pelo menos para já, tem energia e saúde para realizar os dois trabalhos — sendo que ambos exigem intenso esforço físico. No primeiro tem de embalar os sacos de plástico e transportar caixas pesadas. No segundo, faz todo o tipo de tarefas domésticas — desde lavar a louça até limpezas profundas quando as casas dos clientes precisam.
Cuida de si nas pausas que faz dentro do carro, que se torna o refúgio de um dia de trabalho praticamente ininterrupto. Come um lanche e liga às filhas para saber como está a correr o dia delas — a filha mais velha, que já é maior de idade, cuida da irmã no período de férias escolares e adianta várias tarefas domésticas que Elaine não vai ter tempo ou energia para fazer quando chegar a casa. É também na convivência com os colegas da fábrica e com os seus clientes dos serviços de limpeza, com quem gosta de socializar, que vai tentando manter-se de bom humor nas longas horas a trabalhar. Quando vai limpar casas sem a presença de clientes, coloca uns auriculares com música para se distrair.

A porta de casa de Teresa abre-se perto das dez da manhã, a hora combinada, e pouco depois Elaine já trocou de roupa e está a começar a limpeza do apartamento pela cozinha. Nesse dia vai fazer camas de lavado e limpar várias divisões. “Conheci a Elaine quando contratei uma empresa de limpeza. Era um bocadinho aleatório quem vinha, mas acabei por gostar mais dela. Gostei da sua forma de limpar e da maneira de ser dela”, descreve a cliente ao Observador.
Acabou por contratar Elaine de forma independente e recomendou-a a vários amigos e conhecidos que são hoje muitos dos clientes fixos da empregada doméstica. Teresa adapta-se aos horários fixos da fábrica para conseguir ter Elaine a trabalhar para si. “Ela tem os seus horários, eu tenho dias em que tenho de ir ao escritório também e acabamos por nos adaptar uma à outra”, refere.
No primeiro emprego de Elaine é sabido que tem uma segunda atividade, o que nunca foi um problema, nem quando entrou (já tinha o outro trabalho), nem depois disso. Cumpre os horários dos turnos e nunca recebeu queixas sobre o seu desempenho — recentemente até recebeu um sinal de confiança da entidade empregadora fabril: antes de completar um ano de casa foi-lhe permitido tirar cerca de um mês de férias para poder ir ao Brasil pela primeira vez em quatro anos depois de ter emigrado para Portugal.
“O empregador tem direito de, no momento da contratação, perguntar se o trabalhador tem outra atividade. Não é uma pergunta intrusiva, até porque se já trabalhava antes de começar a nova atividade, o empregador aceita-o nessas condições”, refere ao Observador Nuno Cerejeira Namora, advogado de Direito do Trabalho. Desde logo, destaca que a “nossa Constituição da República permite o pluriemprego”. “Dá-nos a liberdade de escolher livremente a profissão que queremos”, refere.
“Se quiser posso ser advogado, padeiro e DJ nas horas vagas. A lei e o legislador partem do princípio de que nós temos capacidade de ter bom senso, de nos regularmos”, garante. E é por isso mesmo que não existe um limite legal para as horas que um trabalhador pode fazer em acumulação de vários trabalhos. Elaine, por exemplo, faz em média, por semana, 70 horas de trabalho (o limite legal para um contrato a tempo inteiro é de 40 horas semanais) e nada na lei a impede de o fazer, desde que o faça em diferentes atividades.
“É considerado ilícito todo o comportamento que o empregador tenha para impedir o trabalhador de ter dois empregos”, refere o advogado, garantindo que a “lei diz que o empregador só se pode opor a um segundo emprego por questões de segurança e saúde no trabalho e ainda por questões de sigilo profissional“.
No entanto, estas condições que impedem um segundo emprego são um “limite” à liberdade que “tem de ser pago”. “O patrão pode determinar ao trabalhador a exclusividade quando se impõem razões de saúde, segurança, ou de sigilo, mas isso tem de ser pago num valor discriminado no salário“, explica.
Miguel D’Almeida, diretor executivo do recrutamento sul do grupo Egor, acompanha há vários anos processos de contratação de primeiro e também de segundo emprego. Refere que a questão da pluriatividade “está cada vez mais a ficar desmistificada” no ambiente de recrutamento, com empregadores a normalizarem a realidade de que o trabalhador pode começar a trabalhar já tendo uma segunda ou até primeira atividade.
“Os próprios candidatos colocam a questão de qual é a visão das empresas com o facto de as pessoas poderem ter dois trabalhos”, refere, notando que o grupo tem promovido a “transparência em relação à acumulação de funções”.
Inês transformou o seu antigo trabalho na segunda atividade e recuperou a “paixão” de longa data pela fotografia
Num escritório não muito longe da casa em que Elaine ficou a realizar a sua segunda jornada de trabalho, encontramos Inês, de 31 anos. Trabalha durante o dia como researcher numa empresa de construção civil no centro de Lisboa e na maioria dos dias de trabalho, às seis da tarde segue direta para a segunda atividade: fotografa espetáculos musicais e outros eventos.
Há um ano que a sua vida profissional deu uma reviravolta. “Aquela que é agora a minha segunda atividade foi durante muito tempo a primeira“, explica. Inês foi fotojornalista durante vários anos. É licenciada em Fotografia e sempre achou que esta seria a sua profissão principal, mas depois de trabalhar em vários jornais a precariedade levou-a a procurar um trabalho com um salário mais alto, horários mais definidos e que ainda assim lhe permitisse continuar a fotografar espetáculos — realiza este serviço como trabalhadora independente há vários anos.


Em declarações ao Observador, Miguel D’Almeida, da Egor, nota que o fenómeno da pluriatividade “não está limitado aos trabalhadores menos qualificados”. O perfil do trabalhador com um segundo trabalho mudou para quem tem mais estudos e consegue prestar serviços adicionais em áreas como a consultoria, a formação e a tecnologia a partir de casa, muitas vezes com vários trabalhos, todos eles em regime de teletrabalho e sem necessidade de sair de casa.
Como destaca o investigador Franco Tomassoni, é também com a “explosão das plataformas de trabalho digital” que muitos trabalhadores mais qualificados prestam serviços de tradução ou marketing digital. “Muitas vezes consideramos apenas os estafetas ou os motoristas de Uber, mas isso é só o aspeto mais visível destas plataformas” onde muitos encontram a sua segunda atividade remunerada.
Inês trabalha de forma híbrida no primeiro emprego, tem alguns dias de teletrabalho em que consegue conciliar melhor a vida pessoal com a profissional. A segunda atividade exige que se desloque aos locais dos espetáculos, mas quando trabalhava como fotojornalista o trabalho era 100% presencial e os horários eram desregulados.
“Cheguei ao ponto em que deixei de adorar aquilo que fazia por causa das condições em que o fazia”, diz sobre o fotojornalismo, notando a falta de valorização financeira, profissional e as muitas horas extra não remuneradas.
Enquanto fotógrafa freelancer diz ter mais liberdade em “escolher” os trabalhos de fotografia que quer fazer e “gerir a vida” de forma mais planeada com um horário das 9h00 às 18h00. Nos 12 meses que completou em agosto enquanto researcher na empresa de construção, nunca teve de fazer horas a mais. Agrada-lhe este regime em que tenta “trabalhar para viver” em vez de viver para trabalhar. Mesmo que depois de fazer oito horas de trabalho acabe a seguir para uma nova jornada de várias horas.
Em agosto, os trabalhos freelance do seu cliente principal, a Meo Arena, estão parados, mas num mês normal começam quase todos ao final da tarde ou à noite, tornando-os compatíveis com um horário diurno completo.
“A maioria dos espetáculos são às quartas, quintas, sextas, sábados e domingos”, refere. Em média, Inês acaba por trabalhar entre três e quatro dias por semana na segunda atividade, sendo que quase sempre dois deles são no fim de semana, quando está de folga do primeiro emprego. Além das duas folgas semanais, a fotógrafa usou, este ano, 10 dos 22 dias de férias a que tem direito na empresa de construção para poder trabalhar na segunda atividade em eventos que duram mais horas.

Sobre a compensação financeira que retira do segundo emprego, Inês refere que nos melhores meses, com mais espetáculos, consegue “retirar um segundo salário e pouco mais”. À semelhança de Elaine, um dos seus principais objetivos financeiros é poupar para a entrada de uma casa e é isso que a motiva a conciliar dois trabalhos que na maioria dos dias realiza ininterruptamente, guardando o material fotográfico no escritório para seguir direta para a sala de espetáculos.
Pedro Gomes, professor de Economia em Birkbeck na Universidade de Londres e coordenador do projeto-piloto da semana de quatro dias em Portugal, destaca os casos em que os trabalhadores optam por arranjar um segundo emprego como “a expressão do interesse, da paixão e do gosto pessoal“, conseguindo obter “muito mais realização pessoal nesta segunda atividade”. Em muitos casos este segundo emprego acaba por ter uma “valorização económica e pessoal muito grande”, ressalva.
De acordo com o economista que coordenou o projeto da semana de quatro dias, uma das conclusões retiradas da experiência foi precisamente o ter aumentado a percentagem de pessoas com uma segunda atividade, de 15,5% para 17%.
“Podemos querer trabalhar mais e ter mais horas para ganhar mais dinheiro. É tudo uma escolha entre preferirmos o tempo de lazer ou preferirmos ter mais dinheiro para consumir mais, para ter mais“, entende, referindo que neste dilema “não há resposta certa ou errada”. “É uma questão de liberdade individual e portanto acho que as pessoas deviam ter a liberdade para escolher quanto é que querem trabalhar e receber por isso”, defende ainda.
No entanto, considera que o facto de a sociedade e a economia estarem organizadas na semana de 5 dias e 40 horas “torna muito difícil as pessoas que querem trabalhar menos de trabalhar menos”, mas também impede que as pessoas que se querem dedicar a uma segunda atividade tenham tempo para o fazer. Ainda assim, entende que é “muito mais fácil trabalhar mais do que escolher trabalhar menos”.


Destaca ainda um ponto que considera importante: “Ter um segundo empregador é uma forma de reduzir o poder de mercado dos empregadores originais“. “Para tentar diminuir esse poder, quanto mais alternativas um trabalhador tiver, melhor é. Ter um pé fora para alguma possibilidade acaba por dar mais meios”.
Ainda assim, faz questão de destacar o risco acrescido de entrada em burnout de um trabalhador que tenha de cumprir duas jornadas de trabalho por dia. “Se as pessoas usam o tempo para trabalhar mais e fazem 70 horas é muito provável que, de facto, não aguentem”, refere. Mas entende que o risco passa muito por qual é a segunda atividade. “Se é na mesma área, se é a mesma coisa ou se é uma coisa diferente, porque o descanso também é muito diferente”, refere, lembrando que “descansamos de várias formas”. Há quem descanse “sentado e a não fazer nada, há quem descanse quando sai para correr e chega a casa exausto, mas está a descansar o cérebro”.
Para Elaine, com quem o Observador se encontrou entre as duas jornadas de trabalho que em alguns dias chegam a ter a duração total de 16 horas, o descanso não deixa de ser “sagrado”, mesmo que surja de forma mais rara e condensada no tempo após longas semanas de trabalho. “Quando chego à sexta-feira à tarde, na casa do meu último cliente, olho para os sábados, domingos e feriados como dias sagrados”, relata.
E a juntar ao descanso físico, surge uma forma de descanso mental que Elaine diz valorizar ainda mais. “Só de pensar que trabalhei a semana toda e que chegando a sexta-feira tenho 150 euros ou 200 euros que posso gastar nesses dias, isso faz-me muito bem”, diz Elaine. Encontra descanso em poder ir jantar fora com as filhas sem se preocupar excessivamente com o preço dos pratos, em ter a liberdade de ir ao supermercado para fazer um churrasco em casa, ou em pegar no carro que paga todos os meses e ir à praia com a família.
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