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Meta lança modelo de IA de código aberto. Zuckerberg escreve manifesto sobre "futuro positivo" da tecnologia

A dona do Facebook tem um novo modelo de IA, de código aberto e passível de ser instalado em computadores devido à menor dimensão. Anúncio é acompanhado por um longo texto do CEO sobre o futuro da IA.

Cátia Rocha
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A Meta apresentou esta segunda-feira mais um modelo de inteligência artificial (IA), o Muse Glimmer. Ao contrário das rivais OpenAI ou Anthropic, trata-se de um modelo de código aberto — que tem o código-fonte acessível a consulta e pode ser modificado para diferentes utilizações.

O anúncio deste modelo foi feito por Mark Zuckerberg numa publicação nas redes sociais. “Estou orgulhoso por anunciar uma nova classe de modelos on device [um tipo de modelo mais pequeno e passível de ser instalado num computador]”, diz num vídeo. “É um modelo denso de 30 mil milhões de parâmetros”, referindo-se às unidades de contexto que permitem aferir a dimensão do modelo.

De acordo com o CEO da Meta, esta novidade “é o modelo mais avançado da sua classe de dimensão”. O líder da Meta avança que “há mais modelos que serão lançados em breve”.

Este anúncio acontece depois de, na semana passada, a Meta lançar o Muse Code, um modelo de IA generativa capaz de escrever código. Um desafio direto às ferramentas da Anthropic, que tem o Claude Code, e da OpenAI, criadora do Codex.

https://observador.pt/2026/08/06/meta-entra-em-mercado-da-programacao-ia-dominado-pela-anthropic-e-openai/

O anúncio deste modelo é acompanhado por uma extensa publicação assinada por Zuckerberg, com o título “o futuro é para todos”. “Acredito que todos devem ter acesso à superinteligência e escrevi um artigo extenso sobre a filosofia e os valores da Meta para construir um futuro positivo para todos”, revela o CEO no Instagram.

Dizendo que “todas as novas tecnologias criam oportunidades e desafios”, Zuckerberg diz que “a superinteligência estará entre as tecnologias mais importantes da história”. Assim, considera que “as oportunidades e os desafios serão ainda maiores”.

Porém, diz que “é surpreendente que o discurso de muitas pessoas que estão a desenvolver a IA esteja tão recheado de pessimismo”. Em jeito de recado para rivais no setor da IA, o CEO da Meta considera que “a noção de que a IA é tão perigosa que o único caminho seguro passa pela extrema concentração de poder parece inerentemente problemático”.

O texto do empresário refere vários cenários de impactos relacionados com a expansão da tecnologia e que precisam de atenção. Por exemplo, o emprego e a economia, o efeito do desenvolvimento da infraestrutura de IA nas comunidades ou ainda os riscos de “mau uso da IA” na cibersegurança ou bioterrorismo.

O fundador do Facebook também menciona os riscos de “rivais geopolíticos” terem desenvolvimentos significativos na IA. “Há aspetos de interesse e segurança nacional”, escreve Zuckerberg. “As comunidades americanas vão ter maior prosperidade e segurança se a América e os seus aliados liderarem na IA em relação a rivais geopolíticos.” Do ponto de vista do CEO da Meta, “há uma desvantagem significativa dos EUA em relação à China: a maior dificuldade em construir infraestrutura”.

CEO da Meta defende que governos devem ter acesso antecipado a modelos para avaliar segurança

Nas últimas semanas, têm sido conhecidos casos em que agentes de IA conseguiram sair dos ambientes de teste para atacar empresas. Já aconteceu com a OpenAI, Anthropic e também com a Meta. Estas situações corroboram os avisos dos especialistas sobre as consequências para a cibersegurança do desenvolvimento da IA.

https://observador.pt/2026/08/07/modelo-de-ia-da-meta-invadiu-sistema-de-outra-empresa-de-forma-autonoma/

No seu manifesto, Zuckerberg propõe que as companhias que desenvolvem modelos de fronteira de IA “devem comprometer-se com recursos técnicos significativos para ajudar o governo a reforçar a infraestrutura crítica”.

Propõe também que os laboratórios de IA “partilhem pontos de avaliação intermédios de novos modelos” para que os governos os possam avaliar previamente. Ou seja, uma “avaliação prévia antes de o treino estar concluído”. Zuckerberg defende que, “desta forma, o governo poderia ter acesso antecipado aos modelos mais poderosos e a um exército de engenheiros capazes de identificar e resolver questões de segurança”.

Do ponto de vista do dono da Meta, seria “uma colaboração estreita e proativa entre os laboratórios de ponta e o governo, em vez de um processo rígido e de um calendário de revisão que seja seguido em todos os casos”.