O Presidente da República iniciou às 12h23 desta segunda-feira, no Pinhão, uma viagem de comboio que começou com mais de 30 minutos de atraso, seguindo pela Linha do Douro até ao Pocinho.
António José Seguro viaja para o concelho de Vila Nova de Foz Côa onde, esta tarde, participa nas celebrações dos 30 anos do Parque Arqueológico do Vale do Côa e quis chegar a esta região de comboio.
A viagem teve início às 12h23 na Estação do Pinhão, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, com uma partida prevista inicialmente para as 11h47, e o destino é o Pocinho, em Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.
O Presidente da República chegou à estação à hora prevista e aproveitou a espera para contactar com alguns dos muitos turistas ali presentes, falou francês, inglês e português, tirou fotografias e ainda teve tempo para comer um gelado.
Observou os característicos e antigos azulejos do edifício da estação ferroviária e falou com funcionários dos Comboios de Portugal (CP) e da Infraestruturas de Portugal (IP).
O comboio inter-regional proveniente do Porto (Campanhã) chegou ao Pinhão às 12h15 e tem como destino final o Pocinho.
Quando o comboio arrancou, António José Seguro avisou que a velocidade máxima da viagem é de 80 quilómetros por hora, sendo que, em alguns troços, é de apenas 40 a 50 quilómetros por hora.
A viagem do Presidente da República liga dois patrimónios mundiais da UNESCO – o Alto Douro Vinhateiro, que este ano assinala os 25 anos da classificação, e o Vale do Côa, que celebra 30 anos.
As descobertas no Vale do Côa levaram a suspender a construção da barragem do Côa, acompanhada pelo pedido de elaboração de um relatório sobre o valor patrimonial e arqueológico da região pela UNESCO, que permitisse ao Governo uma decisão definitiva e fundamentada sobre o projeto hidroelétrico.
Em julho de 1997, o conjunto arqueológico do Vale do Côa foi classificado como monumento nacional e, em dezembro de 1998, foi inscrito na lista de património mundial da UNESCO.
“Venham conhecer o Douro”, apela Seguro
O Presidente da República desafiou os portugueses a darem uma oportunidade ao Douro, defendendo um investimento estratégico e integrado nesta região e considerando que não há territórios dispensáveis no país.
“Aquilo que me parece neste momento importante é dizer aos portugueses e apelar: venham conhecer o Douro, venham fazer esta viagem de comboio, é extraordinário. O nosso país, com a dimensão que tem, tem coisas maravilhosas, únicas e esta é, de facto, única no mundo”, salientou.
Durante o percurso, o Presidente da República praticamente não se sentou e foi espreitando pela janela do comboio o Douro: o rio, as vinhas em socalcos e as encostas.
“O interior tem um potencial enorme, é uma terra de oportunidades. Eu deixo um apelo muito claro, um apelo a que deem uma oportunidade ao interior de Portugal e uma oportunidade ao Douro”, frisou.
Questionado sobre a necessidade de mais investimento neste território e na ferrovia, António José Seguro defendeu que o “investimento tem que ser um investimento estratégico, integrado, não pode ser um somatório de investimentos por mais relevantes que eles sejam”.
“Tem que haver aqui uma gestão integrada, que junte o Estado, autarquias, privados, e que possa resultar num benefício económico e emprego de qualidade designadamente através do turismo”, sublinhou.
Porque aqui, frisou, há o que não existe em outras zonas do mundo que “são estas encostas fantásticas do Douro, este rio lindíssimo que ora estreita, ora alarga nas duas margens”.
Concretamente sobre a ferrovia, disse que “todos os investimentos devem ser considerados, mas deve haver um plano estratégico para que os investimentos alavanquem outros investimentos” e exemplificou com o Alqueva.
“Durante anos e anos reivindicava-se a construção da barragem do Alqueva, muita gente duvidava que fosse rentável, vejam o que o Alentejo beneficiou com a construção da barragem do Alqueva que é uma barragem multifunções: para a agricultura, o turismo, entre outras, e isso é bastante relevante”, frisou.
Acrescentou que “é isso que deve ser feito em todos os territórios e também nos territórios do interior”.
“Não há territórios dispensáveis no nosso país, todos podem dar um contributo para a criação de emprego, para a fixação de população, sobretudo dos jovens, e para atrair riqueza através do turismo”, realçou.
A Linha do Douro liga atualmente o Porto ao Pocinho e a reativação até Barca d’Alva é reivindicada há vários anos.
“Já tive oportunidade de falar sobre como vejo a gestão deste investimento e a necessidade de gerirmos o território com inteligência”, acrescentou sobre este assunto.
Depois da viagem de comboio, António José Seguro participa esta tarde na celebração do 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa.