Se tirarmos a quarta temporada de Reacher das contas, a Netflix domina esta semana. Um documentário de Mourinho, uma adaptação de um clássico coming of age de Miles Franklin, que surge agora em formato série para abraçar alguma da audiência que gosta de Bridgerton e a terceira temporada de Tires, uma comédia que nos recorda o que é rir, sem filtros, na televisão.
Terça-feira, 11 de agosto
Mourinho (Netflix)
https://www.youtube.com/watch?v=e26vQ3ddHRE
O Special One precisa de um documentário só para si, pois claro. José Mourinho tem o tratamento Netflix, por via do produtor John Battsek (responsável por Beckham) e realizado por Joe Pearlman (especializado em documentários sobre músicos), num momento que cai bem, o seu regresso ao Real Madrid. Parece tudo feito. Três episódios que seguem a carreira do treinador português, com entrevistas de jogadores que trabalharam de perto com ele, como Drogba, Ibrahimovic, Casillas, John Terry, Zanetti ou Marcelo. Houve uma altura em que Mourinho era mesmo o Special One, até quando treinava o clube rival ou neutralizava o bonito futebol do Barcelona (saudades de ver aquelas duas mãos da semifinal da Champions com o Inter). Mourinho deve valer a pena para reviver alguns desses momentos. Mourinho já merecia, merece.
Quarta-feira, 12 de agosto
Reacher T4 (Prime Video)
https://www.youtube.com/watch?v=PCbp1FfipPg
Jack Reacher, personagem criada por Lee Child, é um refinado produto de um herói que nasceu após o 11 de setembro, sempre com um passado militar, nas sombras ou às margens, e com uma vontade única de praticar o bem. No fundo, uma ideia materializada de que um herói pode estar entre qualquer um de nós. Ajuda ter treino, músculos e uma série de outros atributos. Um sucesso planetário da Prime Video que regressa esta semana, com episódios a chegarem semanalmente. Está prometida uma quinta temporada.
Las Azules T2 (Apple TV)
https://www.youtube.com/watch?v=Z9n3TkdcGLY
Diz-se inspirada em factos reais, mas toma muitas, muitas liberdades. A premissa, nos anos 1970, na Cidade do México, nasce uma força policial só constituída por mulheres, para apanharem um assassino em série. Só que não são bem polícias, mas uma invenção do marketing para distrair os média e o assassino. Boa ideia. Só que a parte do assassino em série não existiu na vida real. Contudo, a série é uma boa mistura de drama policial com comédia. E está de regresso para uma segunda temporada. Se gostou da primeira, esta semana pode começar a ver os novos episódios.
Quinta-feira, 13 de agosto
The Undeclared War T2 (SkyShowtime)
https://www.youtube.com/watch?v=YfBspYmaXtI
Nos dias que correm, nem sempre é saudável ver séries em volta de ataques cibernéticos em grande escala que podem mudar o mundo. Já temos teorias da conspiração que cheguem e receios à flor da pele que nos enchem os dias. Ainda por cima, The Undeclared War é levemente inspirada nos efeitos da transmissão de rádio de A Guerra dos Mundos por Orson Wells, em 1938. Ou seja, foi criada mesmo para nos deixar com um travozinho de pânico.
Uma Carreira Brilhante (Netflix)
https://www.youtube.com/watch?v=WoPbcfUmMYw
O clássico de Miles Franklin é alvo de nova adaptação. Desta vez em modo série, claro. A adaptação da semana? Muito possivelmente, também muito possivelmente uma espécie de Bridgerton para uma geração mais nova. Já reparou em como as séries em volta dos adolescentes e pós-adolescentes andam por aí em barda?
Tires T3 (Netflix)
https://www.youtube.com/watch?v=1lGZSnSht8s
Há escolhas pessoais e há escolhas pessoais. Esta é daquelas que provavelmente não verá destacada em muitos sítios, mas quem escreve estas linhas, já nomeou Tires como a série do ano (há um par de anos). Talvez por pura nostalgia, por ter imensas saudades de comédias que partem do pressuposto de que uma boa história pode começar por princípios estúpidos e que as personagens não têm de respeitar códigos de conduta dos anos 2020. Podem existir hoje como se as coisas estivessem a acontecer noutra década. Só que Tires tem noção disso, então exagera, carrega em todos os botões para ser gratuitamente provocadora. Não é uma questão de o fazer bem ou mal, mas de o fazer, com convicção, porque acredita que pode ser divertida. E é. Uma das cabeças por detrás disto tudo é Shane Gillis, comediante, que entrou no SNL tão rápido quanto saiu (por causa de controvérsias) e que, entretanto, é convidado com alguma regularidade. Eles sabem que cometeram um erro ao despedi-lo. Tires confirma isso, a sua elementaridade causa desconforto, mas é propositada. O básico pode ser bom, o básico pode ser hilariante e Tires ensina-nos, ou volta a ensinar, a rir das coisas simples. Com muita qualidade, javardice e uma boa dose de desconforto. Um grande bem haja a quem na Netflix continua a clicar no botão de “renovar” sempre que uma temporada de Tires termina.