O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) assegurou esta segunda-feira que as averiguações e inquéritos em curso à contratação de empresas e gestão de bens apreendidos pela instituição permitirão apurar “todas as responsabilidades”, “independentemente das pessoas”.
“Estamos a falar de investigações que têm o seu ritmo – algumas que são de índole interna, outras que correm termos em investigações criminais (…) – e é algo que se irá apurar nesse inquérito: todas as responsabilidades, quer internas, quer individuais, independentemente das pessoas“, afirmou Carlos Cabreiro, à entrada da cerimónia de aceitação do Curso de Formação de Inspetores, em Lisboa.
O dirigente defendeu ainda, ladeado pela ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que a imagem da PJ “não fica manchada” pelas polémicas em torno de decisões tomadas pelo seu antecessor no cargo e, desde fevereiro de 2026, ministro da Administração Interna, Luís Neves.
“A Polícia Judiciária (PJ) não fica manchada porque é uma instituição com provas dadas, com 81 anos de história, com cerca de cinco mil trabalhadores que, apesar de tudo e apesar das notícias que são dadas diariamente, continuam a trabalhar”, salientou Carlos Cabreiro.
A atuação do atual ministro da Administração Interna à frente da PJ tem sido marcada, no último mês, por polémicas em torno de uma obra numa propriedade de Luís Neves no Alentejo, realizada por uma empresa que tinha sido contratada pela instituição policial, e pela descoberta, na mesma Construbarcelos, de um atrelado que tinha sido apreendido no âmbito de uma investigação de combate ao tráfico de droga.
https://observador.pt/2026/08/08/agendodromo-a-operacao-urgente-da-pj-no-brasil-que-leva-luis-neves-a-ser-julgado-no-tribunal-de-contas/
Segundo a informação que tem sido prestada pela Procuradoria-Geral da República, a PJ e o Ministério da Justiça, decorrem atualmente um inquérito-crime dirigido pelo Ministério Público, uma avaliação interna e uma auditoria a cargo da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ).
Esta auditoria, precisou na sexta-feira fonte da PJ, vai centrar-se em contratos e obras públicas de entre 1 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026, um período que abrange o final do mandato do antigo diretor nacional Almeida Rodrigues, toda a gestão de Luís Neves e os primeiros meses do mandato de Carlos Cabreiro.
“O que está em causa é uma análise de procedimentos à volta do que é a contratação na Polícia Judiciária e nunca a avaliação de pessoas”, sublinhou esta segunda-feira o atual diretor nacional da PJ, escusando-se a avançar uma data para a conclusão das investigações.
“É algo que vamos fazer com serenidade, utilizando os mecanismos legais que estão ao dispor, com particular articulação com o Ministério da Justiça e é algo que queremos concretizar no mais breve espaço de tempo”, acrescentou.
Em 29 de julho, em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna garantiu que agiu sempre “na vida com total independência e sentido de dever” e que nunca utilizou “cargos públicos para beneficiar quem quer que fosse”.