O Governo de Taiwan vai propor aumentar em 16% a despesa em Defesa para 1,1 biliões de dólares taiwaneses (29,5 mil milhões de euros) em 2027, informou este domingo a agência de notícias estatal CNA.
Segundo fontes não identificadas citadas pela CNA, prevê-se que o orçamento militar de Taiwan volte a superar a barreira dos 3% do PIB no próximo ano, embora o valor exato dependa da projeção oficial de crescimento económico para 2027.
O montante de 1,1 biliões de dólares taiwaneses, que será divulgado a 20 de agosto após uma reunião da Administração, engloba tanto a verba gerida pelo Ministério da Defesa Nacional como fundos para a Guarda Costeira, veteranos militares e projetos especiais de aquisição militar, entre outros, de acordo com a agência.
O orçamento geral do Governo central para 2026, que continua sem receber a aprovação do Parlamento, controlado pela oposição, reservava 949,5 mil milhões de dólares taiwaneses (25,4 mil milhões de euros) para a Defesa, equivalentes a 3,32% do PIB taiwanês no momento em que a estimativa foi feita.
Este último aumento insere-se no objetivo do presidente da ilha autogovernada, William Lai Ching-te, de continuar a elevar a despesa em Defesa, ano após ano, até atingir 5% do PIB em 2030.
A decisão responde não só à crescente pressão militar de Pequim, que considera Taiwan uma “parte inalienável” do território chinês, mas também às exigências de Washington, que insiste em que Taipé deveria gastar mais na sua própria Defesa.
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e não exclui o uso da força para colocar a ilha sob o seu controlo. Nos últimos anos, intensificou a pressão militar, enviando quase diariamente aviões e navios de guerra para as proximidades do território.
Desde a chegada ao poder de Xi Jinping em 2012, a China também promoveu uma profunda modernização das suas forças armadas, com novos porta-aviões, aeronaves de combate de última geração e mísseis avançados.
Pequim, por sua vez, já anunciou um aumento da despesa em Defesa de 7% para 2026, para cerca de 1,91 biliões de yuan (cerca de 244,9 mil milhões de euros), um crescimento ligeiramente inferior ao dos três anos anteriores de cerca de 7,2%.
Taiwan realizou no domingo o quinto dia da fase de fogo real dos exercícios anuais militares Han Kuang, com o Presidente taiwanês a inspecionar as tropas na cidade de Taoyuan sob chuva intensa provocada pelo tufão Dolphin.
Acompanhado pelo Ministro da Defesa, Wellington Koo, e pelo Secretário-Geral do Conselho de Segurança Nacional, Joseph Wu, o chefe de Estado foi informado sobre as manobras de resposta a uma eventual invasão chinesa.
No âmbito destas operações, o Comando da Polícia Militar realizou um exercício em Taipé, em coordenação com as autoridades locais e a rede de metro, simulando o transporte subterrâneo de tropas e logística para reforçar a resiliência urbana.
Simultaneamente, no arquipélago de Penghu, o Comando de Operações Litorais da Marinha testou a mobilização rápida de mísseis antinavios móveis para consolidar uma rede de defesa assimétrica — uma estratégia militar em que um lado com menos recursos utiliza táticas não convencionais — para compensar desvantagens e enfraquecer um oponente superior.
Considerados os maiores jogos de guerra anuais de Taiwan desde a sua criação em 1984, os exercícios Han Kuang visam avaliar a prontidão de combate do país perante a ameaça de Pequim.
A 42.ª edição deste ano divide-se em duas etapas, uma fase de simulação tática realizada em abril e os exercícios com fogo real a decorrer entre 5 e 14 de agosto.
O parlamento taiwanês aprovou recentemente um orçamento suplementar de 24,8 mil milhões de dólares (21,4 mil milhões de euros) para a aquisição de armamento norte-americano, abaixo dos 40 mil milhões de dólares (34,6 mil milhões de euros) propostos pelo Presidente William Lai.
O Governo de Taiwan aguarda ainda a aprovação, por parte de Washington, de um novo pacote de venda de armas no valor de 14 mil milhões de dólares (12,1 mil milhões de euros), cuja autorização está pendente há vários meses.
Taiwan obtém a maioria do seu equipamento militar junto dos Estados Unidos, principal aliado informal da ilha perante as reivindicações territoriais da China.