
A frase
Segundo informações vindas da Ucrânia, os investigadores anticorrupção examinaram depósitos no valor de 11 milhões de dólares ligados aos pais do presidente Zelensky. A investigação, que incluiu uma busca e apreensão na casa da família, foi interrompida após intervenção do gabinete do presidente
— Utilizador de Facebook, 03 de julho de 2026
As alegadas polémicas que envolvem o Presidente ucraniano não param de circular nas redes sociais. Ao longo dos últimos anos, têm sido partilhadas várias publicações que acusam Volodymyr Zelensky de estar envolvido em diferentes crimes e compras milionárias.
Desta vez, ainda assim, as alegações não envolvem diretamente o chefe de Estado ucraniano, mas sim os seus pais, Oleksandr Zelensky e Rymma Zelenska. Os posts vêm acompanhados por um vídeo com o logótipo da Euronews e o do seu programa Europe Today.

Segundo essas publicações, na sequência de buscas realizadas no apartamento do casal pela agência anticorrupção ucraniana — NABU —, teriam sido detetados mais de onze milhões de dólares (cerca de 9,5 milhões de euros) nas contas bancárias de Oleksandr Zelensky e Rymma Zelenska. O casal teria ainda sido temporariamente detido no âmbito da investigação.
Estas buscas estariam ligadas, segundo o vídeo nas redes sociais, a uma suposta “evasão fiscal”. O casal teria sido “questionado” pelo motivo pelo qual mantinha uma quantia tão elevada numa conta bancária, refere o vídeo com o logo da Euronews. Teriam sido “presentes”, terão respondido.
A história ainda fica mais complexa, quando se alega que, após receberem uma chamada do chefe de gabinete de Volodymyr Zelensky — Kyrylo Budanov —, Oleksandr Zelensky e Rymma Zelenska teriam sido libertados. “A investigação, que incluiu buscas na casa da família, foi interrompida após intervenção do gabinete do presidente”, lê-se nas publicações.
Estas alegações nunca foram reportadas pela imprensa ucraniana. Não existe qualquer história que envolva evasão fiscal e os pais de Volodymyr Zelensky que tenha sido relatada pelos jornais da Ucrânia. Além disso, não existem notícias credíveis que sustentem a alegação de que o casal teria sido detido ou que teria sido encontrada uma quantia superior a 11 milhões de dólares nas suas contas bancárias.
Mais: o vídeo nas redes sociais apresenta a marca de água da Euronews, dando a entender que foi produzido por aquele canal pan-europeu. Ora, o órgão de comunicação social veio a público garantir que “não produziu este vídeo”. “Não há qualquer vestígio na notícia do site da Euronews”, lê-se no desmentido, que acrescenta: “Não é o vídeo que é falso, mas também toda a história”.
Numa nota no X, o Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia — entidade gerida pelo Governo ucraniano — também classificou a história como “falsa e totalmente fabricada”. “Esta campanha de desinformação é uma tática típica da rede de desinformação russa ‘Matryoshka’, que se especializa em produzir publicações falsas disfarçadas de notícias de meios de comunicação social globais.”
O Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia sublinha que a Rússia procura, através destes vídeos falsos, “minar o apoio internacional e a confiança na Ucrânia”.
https://twitter.com/CforCD/status/2073025758297980954
Conclusão
Não existe qualquer evidência para o rumor de que foram encontrados 11 milhões de dólares (9,5 milhões de euros) nas contas bancárias dos pais de Volodymyr Zelensky, após buscas no seu apartamento. O vídeo que sustenta estas alegações não foi produzido pela Euronews, que desmentiu publicamente a sua autoria e classificou como falsa a história apresentada. O Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia também considera a alegação “falsa e totalmente fabricada”.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.