O dia foi de festa, mas a noite acabou em semitragédia. Depois da apoteótica receção à equipa por parte dos adeptos, que não se coibiram de marcar presença nas imediações do Estádio da Luz em dia de jogo à porta fechada, o Benfica falhou fora de campo e começou o Campeonato Nacional a escorregar frente ao Académico de Viseu, algo que tem sido habitual ao longo do século XXI, dado que esta foi a 14.ª escorregadela encarnada na primeira jornada e que se repete há quatro temporadas, com duas derrotas nessa série negativa. Por outro lado, foi a primeira vez que os viriatos saíram do anfiteatro vermelho e branco com pontos, à sexta visita.
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Em termos individuais, Vangelis Pavlidis continua em forma e a participar em golos em todos os jogos da temporada (quatro jogos), tendo faturado pelo terceiro jogo consecutivo, algo que não acontecia há 11 meses. O grego entrou na história do clube este domingo, juntando-se a Mats Magnusson (1989/90) e Ricky (1988/89) como únicos jogadores do Benfica que marcaram seis ou mais golos nos primeiros quatro jogos da temporada nos últimos 50 anos. Já Gianluca Prestianni somou o segundo golo da época ao segundo jogo e está já a apenas um de igualar o registo da temporada passada (três golos). Foi a primeira vez que o internacional argentino marcou em jogos consecutivos como profissional. Destaque ainda para Ewerton, que somou oito defesas e detém desde já o melhor registo da Primeira Liga.
“Jogar sem adeptos vai soar muito a desculpa e vamos entrar por um caminho que não quero entrar. Vamos olhar para o jogo. Quem anda no futebol sabe o que acontece quando se joga fora de casa num estádio como este. É um resultado frustrante e temos de assumir as responsabilidades. Tivemos eficácia nos golos que marcámos, mas não podemos sofrer da forma como sofremos. Os duelos individuais não podem ser uma desvantagem para nós. É um resultado muito mau para nós. Não podemos sofrer um golo de canto e outro num cruzamento, numa bola atrasada, em que a linha [defensiva] não foi feita como devia ter sido. Tivemos oportunidades suficientes para marcar, mas, para mim, além da eficácia, olho para a forma como sofremos golos. Tivemos mais do que oportunidades para marcar golos para ganhar o jogo. Mas preocupa-me muito mais a forma como sofremos os dois golos, porque dois golos seriam suficientes para ganhar se não sofrêssemos golos como sofremos”, começou por analisar Marco Silva à BTV.
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“Dois avançados? Não vou dizer que será sempre o ponto de partida, mas no princípio da época poderei dizer que, acima de 90% das vezes, jogaremos com um avançado posicional. É óbvio que estávamos num momento em que sentíamos o Prestianni mais desgastado. Estava a ser claramente o homem do jogo, pela forma como desequilibrou, conseguiu construir e pelo golo. Depois, quando retirámos o Rafa, queríamos colocá-lo mais por dentro, com o Schjelderup por fora. Já desgastado, optámos pelos dois avançados, com largura total no corredor direito com o Lukebakio. Continuámos a criar oportunidades, sem colocar a bola dentro da baliza, e fomos penalizados com um resultado muito negativo. O Samuel [Soares], o Trubin e o Diogo [Ferreira] são os guarda-redes do Benfica e é com eles que contamos”, disse o treinador já na sala de imprensa, onde voltou a ser questionado sobre a sua escolha para a baliza.
“Há jogos assim, em que criamos muito e não conseguimos fazer um número de golos que coincida com as oportunidades. Não há explicação para sermos eficazes na quinta-feira e no domingo já não sermos tanto. Tivemos três bolas nos ferros… A sofrer dois golos da forma como sofremos, vamos ter dissabores. Na fase final houve alguma ansiedade, mas não me parece falta de concentração. Os adeptos não se habituam a empates em casa. Se há coisa a que nunca se vão habituar é a empates em casa ou a empates do Benfica. Falei na importância de sermos sólidos e compactos. Uma coisa é termos a identidade de sermos dominantes e de jogar para ganhar, mas depois essa solidez é outra questão. Temos de estar concentrados, agressivos e ter contacto — positivo — com o adversário”, concluiu Silva.
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