Hipervigilantes. Com investimentos muito significativos sobre a vida dos filhos. Superfocadas nos seus resultados escolares. Omnipresentes e a controlá-los através das aplicações das escolas, por air-tag ou telemóvel. Atentíssimas a todas as suas entradas de agenda. Empenhadas em dar-lhes recursos educativos e mundo. Numa espécie de alerta permanente em relação à sua saúde mental. E comprometidas com grupos de mães e em linha com todas as opiniões que possam ter a ver com eles. Ao mesmo tempo, não poupam na conversa. Dão mais colo e mais mimo. Escutam melhor. E gritam menos. Assim são as mães, hoje. Não tanto como as mães-galinha de antigamente. Muito mais como mães-helicóptero.
O problema é que em função destas coordenadas que as influenciam, as mães, com medo de ser autoritárias, ficam presas num estar permissivo. Tentando ser multifunções e permanentemente disponíveis, correm o risco de não favorecer a autonomia. Fazendo por ser cúmplices e abertas ao diálogo sentem-se objecto de “ouvidos moucos”, de desafios e de desaforos. Quanto mais esperam responsabilidade e cuidados dos filhos mais os sentem “imaturos” ou amigos da procrastinação. E quanto mais tentam ser uma versão premium das suas mães mais se veem a braços com problemas novos que contrariam toda a generosidade que colocam na maternidade.
Serem pela parentalidade positiva e gentil representa uma tentativa (compreensível) de as mães não repetirem os erros que, hoje, identificam na educação que tiveram. Mas educar não pressupõe não dizer “não”, “perderem-se” em explicações ou “terem” de justificar todas as regras. Nem não repreender, não censurar ou não “reprimir”. Nem não impor limites nem “obrigar”. Nem ficar ou do lado da gritaria e dos castigos ou da doçura. Nem ficar dependentes da livre demanda das crianças (em relação à amamentação, à chucha ou ao sono). Nem ter que optar entre o amor e a autoridade.
Eu não entendo que as mães ou sejam mães-galinha ou mães-helicóptero; gosto que sejam “só” mães! Com direito ao sexto sentido, aos erros e aos “exageros”. Mas mágicas, espontâneas e livres. E bondosas a perder de vista. O resto são as redes sociais a “estragá-las”.