A última vez que o FC Porto e o Alverca se tinham encontrado foi no dia 2 de maio deste ano. Uma centena de dias passou-se e muita coisa mudou desde esse jogo, em que o FC Porto ainda não era Campeão Nacional. Depois desse encontro, a primeira grande mudança: com a vitória sobre os ribatejanos (1-0), os dragões consagraram-se Campeões Nacionais. Mais tarde, a tímida festa transformou-se num desfile que passou da Ribeira para os Aliados, semanas depois. Mais recentemente, o FC Porto conquistou a Supertaça e tornou-se no clube mais titulado em Portugal no desporto-rei, desfazendo o empate a 87 com o Benfica. O Alverca, por isso, de um embate para o outro, passava de defrontar um FC Porto à procura de voltar a ser campeão para um ‘Porto de Honra’, que passava a defender mais do que a sua: iniciava a defesa do título precisamente diante do conjunto que apadrinhou essa conquista.
Este domingo não marcava apenas o início da defesa dos azuis e brancos do Campeonato conquistado na última época. O dia iniciou-se com uma notícia que já tinha sido ouvida antes com outro jogador dos azuis e brancos, meses antes: a casa de Deniz Gül foi assaltada horas antes do jogo entre os dragões e o Alverca, cinco meses depois de a de Bednarek também ter sido, cerca de uma semana depois desse duelo entre o FC Porto e os ribatejanos.
As mudanças não se resumiram aos Campeões Nacionais: se na última visita do Alverca ao Dragão, o treinador dos ribatejanos era Custódio Castro, agora passava a ser Sérgio Ferreira, jovem treinador de 38 anos que bem conhece os cantos à casa dos azuis e brancos, depois de ter orientado vários escalões de formação dos dragões. Não era, no entanto, o único da equipa técnica dos alverquenses a conhecer bem o Dragão, uma vez que Silvestre Varela, ex-jogador do FC Porto, também passou a integrar o staff técnico do Alverca, como treinador-adjunto. Também a saída de Lincoln e as chegadas de Rayan Lucas e Vivaldo Semedo figuravam entre as principais diferenças deste Alverca para o da temporada anterior.
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A espera pelo início do Campeonato não era, no entanto, o único condimento que levava os portistas ao Dragão. O FC Porto ainda não tinha começado a jogar e já sabia que, se ganhasse, deixava garantidamente para trás um dos seus oponentes diretos numa eventual luta pelo título: o Sporting, que no sábado empatou a duas bolas na Reboleira, diante do Estrela da Amadora. A história parecia empurrar os dragões para o triunfo: nas 12 vezes que ambos os conjuntos se defrontaram, os azuis e brancos venceram em nove ocasiões e as equipas empataram por três vezes, a última das quais em março de 2002 — a nível oficial, o Alverca nunca conseguiu vencer o FC Porto.
Afinal não era só a história que sugeria o triunfo dos dragões. André Silva tratou de adiantar os azuis e brancos ao nono minuto de jogo, na conversão de uma grande penalidade, depois de um lance em que Mateus Mendes, guarda-redes visitante, atingiu o avançado dos dragões “de forma negligente”, disse o árbitro Luís Godinho, para todo o recinto ouvir, após rever o lance no ecrã de videoarbitragem no relvado do Dragão. Não havia tempo para contemplações: o FC Porto, embalado pela Invicta, restabelecia a festa que se verificou desde que o Alverca tinha saído dali na temporada passada.
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Mas eram os ribatejanos que começariam a ocupar o meio-campo adversário por períodos mais longos, após o golo de André Silva. O conjunto orientado por Sérgio Ferreira ia somando chegadas à área contrária, com destaque para o papel de Chiquinho no momento de transição defesa-ataque e para o farol Vivaldo Semedo no último momento da investida ribatejana. O número 10, em muitos momentos, assumia o transporte do esférico entre setores, como quem joga como médio de transporte. Entre uma e outra tentativa, no primeiro tempo, o Alverca nunca conseguiu chegar a uma finalização com perigo à baliza do FC Porto, que mantém a tendência de mostrar conforto de não ter a bola na sua posse. As melhores oportunidades foram aos 38′, num pontapé de longe de Vivaldo, em arco, para defesa de Diogo Costa e, mais tarde, quase em cima do intervalo, Figueiredo disparou na direção da baliza de Diogo Costa, mas Kiwior colocou-se no caminho da bola e impediu o golo.
Ficha de jogo
FC Porto-Alverca, 2-0
1.ª jornada da Primeira Liga 2026/27
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)
FC Porto: Diogo Costa (C); Martim Fernandes, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi; Alan Varela, Gabri Veiga, Victor Froholdt; William Gomes, André Silva e Pepê
Treinador: Francesco Farioli
Alverca: Matheus Mendes; Baseya, Yahya Bojang, Meupiyou; Nabil Touaizi, Davy Gui, Ian Luccas, Isaac James; Figueiredo (C), Vivaldo e Chiquinho
Treinador: Sérgio Ferreira
Golos: André Silva (9′, g.p.) e Gabri Veiga (44′, g.p.)
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Matheus Mendes (8′), Touaizi (43′), Bojang, (52′) e Chiquinho (89′)
Entre as duas melhores tentativas do Alverca, o FC Porto aproveitou para dilatar a vantagem, novamente através da conversão de uma grande penalidade. André Silva estava pronto para responder a um cruzamento vindo da direita, mas Nabil Touaizi puxou em falta o avançado dos dragões. Depois de rever o lance no ecrã de videoarbitragem junto ao relvado do Dragão, Luís Godinho apontou para a marca de grande penalidade e foi a vez de Gabri Veiga (44′) marcar.
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A primeira parte fechava-se minutos depois, com os azuis e brancos a colocarem, desde logo, uma mão nos três pontos, que significariam uma ultrapassagem ao Sporting logo na primeira ronda da Primeira Liga. Para o retrato do primeiro tempo ficavam o conforto do FC Porto, com ou sem bola, e a eficácia que continua a caracterizar os comandados de Francesco Farioli, que dividiram quase por igual, com os adversários, o tempo que tiveram a bola. A diferença não estava no volume, mas na intenção e, por conseguinte, no conteúdo.
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A segunda parte começou com um duplo susto na baliza de Diogo Costa. Primeiro foi Davy Gui (46′), que atirou para a defesa de Diogo Costa para a frente, com a defesa azul e branca a aliviar para canto. Momentos depois, foi Ian Luccas, que, na confusão típica de um pontapé de canto não aliviado num primeiro momento, atirou à queima, junto da pequena área, para uma grande intervenção do capitão do FC Porto. Diogo Costa acabava de negar por duas vezes o golo ao adversário no espaço de um minuto. E não seriam as únicas ocasiões em que o guardião se revelaria providencial: com o decorrer de um segundo tempo mais pausado do que corrido, Chiquinho repetiu uma das suas arrancadas, mas pelo corredor esquerdo. O mais inconformado dos alverquenses simulou a receção e deixou a bola correr, depois de um passe de Touaizi, junto da linha divisória de meio-campo. Só parou junto à grande área dos azuis e brancos, onde rematou forte e colocado para mais uma grande intervenção de Diogo Costa, que defendeu para canto.
Os períodos em que o Alverca usufruiu da posse de bola tornaram-se mais curtos face aos da primeira parte. E, mais do que isso, eram consentidos por um FC Porto que reafirmou a sua segurança defensiva com uma das suas grandes assinaturas. Foi, por isso, um segundo tempo sem sobressaltos de maior e, quando aconteciam, estava lá a última linha de um muro azul e branco que sugere a repetição da receita da temporada passada: quando os jogadores de campo não conseguem impedir uma oportunidade adversária, sobra ainda Diogo Costa — uma variável suficiente para mitigar ainda mais as possibilidades de o oponente conseguir marcar.
O Alverca não conseguiu encontrar as redes da baliza adversária. Luís Godinho apitou para o final da partida e acabou com um jogo que fez as vezes de extensão do que foi o FC Porto o ano passado: muito seguro atrás e muito pragmático à frente. Antes do final da partida houve ainda um susto com André Silva, que apoiou mal o pé no relvado e protagonizou uma alteração forçada mesmo em cima do minuto 90, com a entrada de Deniz Gül. Fica por se perceber em que condições estará o ponta-de-lança titular dos azuis e brancos, que depois de terminar a partida disse aos microfones da SportTV ainda não saber como está fisicamente após esse lance que antecedeu a sua substituição.