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(A) :: Quando as portas se fecham, as janelas que Prestianni abre não chegam para manter viva a Luz (a crónica do Benfica-Académico de Viseu)

Quando as portas se fecham, as janelas que Prestianni abre não chegam para manter viva a Luz (a crónica do Benfica-Académico de Viseu)

O Benfica entrou bem, a explorar o espaço e a furar um Ac. Viseu organizado, mas descambou depois do intervalo. Viriatos equilibraram e foram competentes — e águia voltou a quebrar na defesa (2-2).

Tiago Gama Alexandre
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Numa altura em que quase todos os outros dão os primeiros passos em 2026/27, o Benfica levava duas semanas e meia e três jogos de avanço, com duas goleadas a surgirem a seguir à derrota na Suíça. Depois do resultado negativo no único duelo fora de portas, a equipa de Marco Silva encarrilou junto dos adeptos e goleou St. Gallen (5-0) e Hearts (6-1), tendo feito 11 golos nos dois jogos realizados no Estádio da Luz. Já durante o microciclo de jogos de três em três dias que deverá perdurar até à paragem das seleções, os encarnados aproveitaram a pausa na eliminatória europeia para dar o pontapé de saída no Campeonato Nacional, num jogo agridoce: de um lado estava o regresso do histórico Académico de Viseu à Primeira Liga 37 anos depois; do outro, um estádio vazio, com quase 70 mil lugares por preencher.

https://observador.pt/2026/08/09/as-portas-fecharam-se-mas-a-luz-acendeu-se-junto-ao-rei-benfica-fintou-castigo-e-juntou-equipa-e-adeptos-em-torno-da-estatua-de-eusebio/

Nos últimos dias voltou a ganhar forma outro tema que promete gerar discussão nos próximos meses, com o Benfica a apresentar uma petição na Assembleia da República em que pede a suspensão do modelo de centralização dos direitos televisivos. Por outro lado, Silva aproveitou a antevisão ao jogo para confirmar a hierarquia de capitães, que começa em Fredrik Aursnes e segue para Tomás Araújo, que foi o líder na receção aos escoceses. Seguem-se Samuel Soares, Clément Lenglet e Leandro Barreiro. Quanto ao mercado, o Aston Villa confirmou nas últimas horas que está a negociar João Palhinha com o Bayern Munique, ao passo que Franjo Ivanovic deverá rumar a França para assinar pelo Lens. Já em relação a Anatoliy Trubin, o treinador lisboeta negou que haja um “desconforto”, garantindo que o ucraniano treina diariamente “com seriedade” e “uma personalidade própria”, sem mudanças “no seu comportamento na última semana”.

“Uma das características das equipas do Bruno Pinheiro é a organização. Gosta de ter bola e uma ideia clara num 4x3x3 com médios utilizados de forma diferente. É difícil perceber qual será a forma com que nos vão contrariar. Temos de estar preparados para qualquer situação. Temos de perceber e ter a capacidade de analisar o que mudar durante o jogo e fazer de tudo para o ganhar. Título? Além dos três crónicos candidatos ao título, há que contar com o Sp. Braga. Temos de fazer o nosso papel, concentrar-nos em nós e ser competentes a cada jogo. Muitos jogadores em zona de finalização? Essa tem de ser uma das nossas características. Não o conseguimos fazer no primeiro jogo da época, mas conseguimos melhorar esses aspetos nos últimos dois jogos. Melhorámos também na recuperação defensiva. É um momento que pode gerar contra-ataques e sermos apanhados fora de posição”, analisou o técnico benfiquista.

Ficha de jogo

Benfica-Académico de Viseu, 2-2

1.ª jornada da Primeira Liga 2026/27

Estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa

Árbitro: David Rafael Silva (AF Porto)

Benfica: Samu Soares; Alex Bah (Amar Dedic, 82’), Tomás Araújo, Clément Lenglet, Samuel Dahl; Enzo Barrenechea, Leandro Barreiro (Richard Ríos, 76’), Giorgi Sudakov (Andreas Schjelderup, 64’); Rafa Silva (Dodi Lukebakio, 76’), Gianluca Prestianni (Jhon Durán, 82’) e Vangelis Pavlidis

Suplentes não utilizados: Anatoliy Trubin; Jakub Kaminski, Manu Silva, Gabriel Índio, José Neto, Anísio Cabral e Miguel Figueiredo

Treinador: Marco Silva

Académico de Viseu: Ewerton; Robinho, Anthony Correia, Rúben Pereira (Lorougnon Gohi, 73’), Igor Milioransa; Alejandro Mestanza (André Ceitil, 63’), Cihan Kahraman (Cristian Ferreira, 73’), Soufiane Messeguem; João Guilherme, Álvaro Zamora (Pedro Barcelos, 73’) e André Clóvis (Dominik Steczyk, 78’)

Suplentes não utilizados: Marcos Lavín, Matheus Sampaio; Nikos Michelis, Tomás Domingos, Nils Mortimer, Andro Babic e Simão Silva

Treinador: Bruno Pinheiro

Golos: Pavlidis (10’), Rúben (55’), Prestianni (58’) e Clóvis (67’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Mestanza (15’), Anthony (18’), Sudakov (25’), Tomás Araújo (45+1’), Ceitil (79’) e Milioransa (90+2’)

Pela frente a águia tinha uma equipa viseense em início de ciclo com Pinheiro ao leme. Apesar de não ter havido grandes mudanças, os viriatos perderam Domen Gril, peça fundamental nos últimos anos. Para o seu lugar foram contratados Ewerton e Marcos Lavín, que discutiram a titularidade na visita à Luz. Por outro lado, Cristian Ferreira, que chegou a ser apontado como o novo Riquelme, também foi contratado. “Podemos dizer que estamos preparados. Vai ser um jogo extremamente difícil, contra uma equipa que tem muita qualidade, que ainda ontem [quinta-feira] o demonstrou com um jogo quase perfeito. Mas estamos focados em nós. Sabemos que a caminhada é longa, nada se decide na primeira jornada. Não é como se começa, será sempre como termina. Espero fazer um jogo competente, pelo menos trabalhámos para isso. Teremos certamente um jogo diferente para apresentar do que o adversário de ontem do Benfica [Hearts]. Esperemos que essas diferenças possam criar mais problemas ao Benfica do que os adversários têm causado até agora”, explicou o treinador de 49 anos.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2086437339631387093?s=20

Depois da receção apoteótica junto à estátua de Eusébio da Silva Ferreira, com os jogadores a passarem pelo meio dos adeptos antes de entrarem no estádio, Marco Silva apresentou o mesmo onze que goleou o Hearts, numa ideia que tinha ganhado forma depois de o treinador assumir que aproveitou a parte final do jogo para gerir alguns jogadores a pensar no jogo deste domingo. Assim, Samu Soares manteve a titularidade na baliza, com Alex Bah e Samuel Dahl nas alas e Tomás Araújo — novamente como capitão — e Clément Lenglet no centro da defesa. O elemento mais fixo do meio-campo foi Enzo Barrenechea, com Leandro Barreiro — fez o jogo 100 de águia ao peito — a surgir ao seu lado e Giorgi Sudakov numa função mais híbrida. A ala direita ficou a cargo de Rafa Silva, a esquerda de Gianluca Prestianni e a figura central foi Vangelis Pavlidis. Bruno Pinheiro apresentou-se na Luz com dois reforços: o guarda-redes Ewerton e Alejandro Mestanza, que pertencia aos quadros do Atl. Madrid.

Com o Académico de Viseu instalado num 5x4x1 sem bola, com Mestanza a baixar para o meio dos centrais Anthony Correia e Rúben Pereira, a primeira oportunidade até pertenceu aos viseenses que, numa bola parada, ficaram perto do golo, embora Soufiane Messeguem não tenha conseguido desviar em condições (2′). Depois do aviso, o Benfica assumiu o controlo das opções e colecionou três tentativas no espaço de dois minutos. Primeiro, Pavlidis obrigou Ewerton à primeira grande defesa (6′), seguindo-se um remate de Sudakov para corte de Mestanza (7′) e um cabeceamento de Enzo para nova defesa do guarda-redes (8′). Depois dos avisos, Prestianni desbloqueou o jogo com um grande passe vertical a surpreender a defensiva viseense, incluindo o guarda-redes, com Pavlidis a desmarcar-se, a dominar de peito e, na passada, a desferir um remate cruzado para o golo inaugural (10′).

A partir daí os encarnados entraram em ritmo de controlo com bola, mas nem por isso deixaram de criar perigo, com Enzo a recuperar em zona subida e a servir Prestianni que, logo a seguir, fez um chapéu que saiu demasiado comprido (13′). A resposta dos viriatos surgiu através de uma jogada bem trabalhada pela esquerda, a defesa vermelha e branca voltou a mostrar-se aos papéis e Álvaro Zamora aproveitou para desferir um remate colocado que embateu no poste direito da baliza de Samu (18′). A resposta surgiu de igual forma, com o extremo argentino a fazer um grande slalom pelo meio e a rematar ao poste esquerdo depois de ter passado por três adversários (22′). Já na parte final do primeiro tempo, Rafa driblou Ewerton e atirou contra Pereira, Pavlidis recuperou, trabalhou bem, mas a sua finalização acertou na trave (36′). Ainda houve tempo para o guardião brasileiro somar mais duas intervenções, a remates de Pavlidis (38′) e Prestianni (42′), mantendo o jogo em aberto para a segunda parte (1-0).

A etapa complementar arrancou com novo sufoco ofensivo encarnado, com Alex Bah a aproveitar o espaço na direita para servir Rafa Silva, que contemporizou e tocou para Leandro Barreiro, que devolveu no lateral, mas o seu remate esbarrou em Ewerton (47′). Contudo, o Académico de Viseu não precisou de muito para criar a sua primeira grande ocasião de golo, com Álvaro Zamora a servir de apoio para André Clóvis, que aproveitou o espaço para furar a defesa e desferir um remate rasteiro para defesa de Samuel Soares (54′). No canto, Cihan Kahraman levantou para o primeiro poste, onde Rúben Pereira, que passou pela formação das águias, ganhou nas alturas a Bah e Vangelis Pavlidis e fez o empate de cabeça (55′). Ainda assim, a reação vermelha e branca foi imediata, com Gianluca Prestianni a abrir o livro: recebeu na esquerda junto à linha, deambulou para o meio, passou por Robinho e, já dentro da área, desferiu um grande remate em arco para o 2-1 (58′).

O jogo continuou a um ritmo eletrizante e, logo a seguir ao terceiro golo, o melhor jogador da última Segunda Liga ameaçou com um remate colocado, mas para fora (63′). Já com André Ceitil e Andreas Schjelderup em campo, os viriatos voltaram a gelar a Luz, numa jogada que nasceu num lançamento de Robinho na direita e teve Zamora a receber sem marcação, antes de cruzar com conta, peso e medida para o desvio certeiro de Clóvis, num remate em que não deixou a bola cair (68′). Bruno Pinheiro aproveitou o melhor período da sua equipa para refrescar os viseenses com as entradas de Cristian Ferreira, Pedro Barcelos e Lorougnon Gohi, ao passo que Marco Silva colocou Richard Ríos e Dodi Lukebakio. Nessa condição, Enzo Barrenechea somou mais uma recuperação e colocou de pronto em Prestianni, que voltou a arrancar em velocidade pelo meio, mas o seu remate colocado, feito à entrada da área, esbarrou em novo grande voo de Ewerton (78′).

Com o resultado em aberto, Dominik Steczyk saiu do banco para dar velocidade a um Académico de Viseu que se contentava com o ponto à entrada para os últimos minutos, ao passo que Marco Silva juntou Jhon Durán a Pavlidis e colocou ainda Amar Dedic. No tempo de compensação, Ríos ganhou espaço na direita e serviu Dedic na área, o lateral tocou atrasado para o remate de Lukebakio, que enviou a bola por cima (90′). Pouco depois, o belga teve nos pés a última oportunidade da partida na cobrança de um livre na direita, sem ângulo, à entrada da área, no qual atirou diretamente para a baliza, mas Ewerton despediu-se em grande plano e fez uma defesa surreal com o pé esquerdo, travando a bola em cima da linha de baliza (90+3′).