Um passo em falso na Amadora. Não há outra forma de resumir uma exibição de altos e baixos do Sporting. Frente ao Estrela da Amadora, Rui Borges surpreendeu e lançou Rodrigo Dias e Flávio Gonçalves no onze inicial, com Fotis Ioannidis a ganhar a titularidade a Luis Suárez depois de uma semana conturbada para o colombiano. O que é certo é que os leões dominaram a primeira parte e criaram oportunidades suficientes para fazer o golo, em particular pelo grego, mas estiveram perto de sofrer com a defesa, onde Eduardo Quaresma se impunha, a mostrar fragilidades. Os verde e brancos melhoraram no capítulo da finalização depois do intervalo, marcaram logo a abrir e fizeram o golo da tranquilidade 13 minutos depois. Contudo, o que parecia tranquilo esfumou-se nas substituições de Borges, a equipa deixou de atacar e o Estrela da Amadora marcou dois golos e conquistou um ponto no seu período de crescimento (2-2).
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No capítulo das alterações, o treinador transmontano começou por retirar Ioannidis — logo a seguir ao seu golo — e Flávio Gonçalves, que estava a ser um dos elementos em campo. É certo que os elementos que entraram não responderam, mas na retina fica a exibição paupérrima de Suárez, que entrou em campo completamente fora de si e, quiçá, até esteve perto de ser expulso devido a uma falta completamente escusada em que travou um ataque da própria equipa e aos protestos efusivos com que se apresentou junto de João Gonçalves, que chegou a pedir ao capitão Gonçalo Inácio para acalmar o avançado. O cafetero terminou o jogo com dez toques na bola, uma falta, um drible sofrido e quatro passes certos. Em termos coletivos, o Sporting não fez mais nenhum remate a partir do 0-2, chegando ao final do jogo com 36 minutos de “apagão” ofensivo.
Na visita ao José Gomes, Rodrigo Zalazar tornou-se no sexto uruguaio a marcar pelo Sporting, depois de Seba Coates (37 golos), Maxi Araújo (11), Carlos Bueno (sete), José Carabello (três) e Manu Ugarte (um). Esta foi a quarta vez que Borges desperdiçou uma vantagem de, pelo menos, dois golos ao serviço dos leões, depois de V. Guimarães (fora, 4-4), AVS (fora, 2-2) e Tondela (casa, 2-2). Por outro lado, há quatro anos que o emblema verde e branco não começava o Campeonato Nacional a escorregar, depois de a equipa então treinada por Ruben Amorim ter empatado frente ao Sp. Braga (fora, 3-3). Este sábado caiu ainda por terra o registo vitorioso do Sporting na Reboleira, local onde o leão não perdia pontos há 20 anos, se considerarmos os registos do “velhinho” Estrela da Amadora.
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“Acabámos por sair penalizados com dois erros. Tivemos 70 minutos muito bons. Dominámos e controlámos o jogo, às vezes com menos qualidade porque o relvado estava muito mau. Fomos mandando no jogo, criando situações e entrámos bem na segunda parte. Mais do que robustez, queríamos dar frescura com as mexidas, mas caímos em termos físicos. Tem de servir de exemplo para todos. Temos de dar muito mais. Temos de saber sofrer, por mais que sejamos o Sporting. Foi um adversário e um campo difíceis, o relvado não ajudou, mas tínhamos de ser mais competitivos nos últimos 20 minutos. Quando eles cresceram, já tínhamos feito as cinco substituições. A quebra física não pode ser desculpa. Temos de ser mais competitivos. A equipa estava fresca e eles têm de dar muito mais. Que sirva de aviso para todos. Chegaram a um grande clube e isso exige mais do melhor que podemos dar”, começou por dizer Borges à SportTV.
“O [Eduardo] Quaresma fez um grande jogo. Não estava desligado. Continuava a acreditar. Não podia [cometer o erro], já tinha acontecido com o [Gonçalo] Inácio. Temos de desconfiar sempre, não pode haver facilitismo. Ele fez um grande jogo, mas [o erro] mancha o jogo naquele momento. Diomande? Para já é jogador do Sporting. É o que posso dizer”, concluiu o treinador na flash-interview. Na conferência de imprensa, Rui Borges falou sobre a entrada de Suárez e as alterações que fez: “Opção. Tem a ver com a forma como encarámos o jogo. A malta que entrou deveria ter encarado de outra forma, deveria ter ajudado mais a equipa. O futebol é isso mesmo, mas que sirva de aviso e exemplo para todos”.
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Liga Portugal justificou estado do relvado com “elevadas temperaturas dos últimos dias”
Poucos minutos depois do final do jogo no Estádio José Gomes, a Liga Portugal emitiu um comunicado a explicar a situação do relvado do palco do Estrela da Amadora, explicando que o mesmo estava em condições a 24 de julho, aquando da sua vistoria. “Os tratamentos recomendados ao promotor da partida corresponderam positivamente. Porém, no nosso acompanhamento regular constatámos, a cerca de 48 horas do início do jogo da primeira jornada da Primeira Liga, que as elevadas temperaturas dos últimos dias provocaram uma regressão. Face à premência organizativa, mesmo não estando reunidas as condições ideais conforme os níveis de exigência da Liga Portugal, a consistência do terreno permitia garantir a integridade física de jogadores e árbitros e a regularidade do terreno permitia a fluidez normal da bola”, disse o organismo.
“Atendendo às condições e comportamento do relvado durante o jogo, pese embora o seu estado não tenha afetado negativamente o decorrer do mesmo, a avaliação final será necessariamente negativa. Nesse sentido, a Liga Portugal reserva decisão para os próximos dias. Por fim, a Liga Portugal reafirma que, na presente temporada, assumirá uma posição mais rigorosa no que diz respeito à avaliação e acompanhamento da qualidade dos relvados“, concluiu a Liga Portugal. Ao contrário do que indicou a entidade, o relvado começou a ceder logo no início do jogo, com muitos tufos a saltarem ainda na primeira parte e a bola a rolar com algumas dificuldades, dificultando a tarefa dos jogadores em termos de condução junto ao solo.
Importa ainda referir que, numa altura em que a Liga Portugal se regozija em inovações, o Estádio José Gomes continua a ser um dos mais “problemáticos” no seio do Campeonato, a começar pela bancada de um dos topos, que continua fechada e tapada por uma lona publicitária. Por outro lado, à semelhança do que é relatado desde que os tricolores regressaram ao principal escalão, a bancada de imprensa segue com poucas condições, embora a solução encontrada pelo organismo para este jogo tenha sido a de travar a presença de alguns jornalistas e comentadores daquela zona, a fim de reduzir a lotação da mesma. Esta situação levou, inclusivamente, à formalização de uma queixa por parte da RTP Antena 1. O procedimento deu entrada na Liga Portugal em março, mas continua sem resposta, segundo a estação pública.
Os insólitos continuaram noutros capítulos, a começar pela ficha de jogo, onde os nomes de Pepa e Rui Borges foi apresentado com o termo… “secretário”, ao invés do tradicional “treinador”. Por outro lado, o cronómetro do José Gomes teve uma quebra de alguns minutos aos 13 minutos da primeira parte, voltando a funcionar normalmente até ao fim da partida.