Hunter Biden admite que o indulto que recebeu do pai, a poucas semanas de este deixar a presidência em dezembro de 2024, “não foi bom” para o povo americano ou para o legado de Joe Biden. Em entrevista à BBC, o norte-americano diz ser uma “pessoa privilegiada” por ter recebido o indulto “total e incondicional” antes de Biden sair da Casa Branca.
“Sou eternamente grato, porque Donald Trump já provou ser quem o meu pai pensava no que toca à ambição de vingança contra os seus inimigos políticos”, declara. “Nos primeiros 100 dias [de Presidência] mencionou ou criticou-me a mim e ao meu pai seis vezes por dia”, exemplifica.
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“Se foi bom para a nossa Constituição, para o povo americano e para o legado do meu pai? De forma alguma. Não foi [bom], é algo que é facilmente criticável e por boas razões. Não posso fingir o contrário. Mas estou agradecido que o tenha feito por mim.”
Biden revela que nunca terá discutido com o pai a possibilidade de um indulto. “Não há forma de se ter esse tipo de discussões sem que se tornem públicas”, explica. Hunter Biden recebeu um indulto que perdoou a condenação federal por posse de arma, um processo fiscal em que se tinha declarado culpado e quaisquer outras infrações federais.
Hunter Biden fala também sobre o cancro de Joe Biden durante a entrevista, que foi tornado público em maio de 2025. “O cancro é muito difícil” e acrescenta que a doença do pai “se espalhou, com metástases nos ossos”. O ex-Presidente dos EUA estará num momento “muito doloroso” e “muito debilitante” da doença. “O meu pai é, até hoje, o centro da nossa família”, declara de forma emocionada.
O filho de Joe Biden diz que sentiu que “algo estava mal” no debate de junho de 2024, que pôs fim à segunda candidatura de Biden, equacionando se não seriam os primeiros sinais da doença. O Partido Democrata substituiu o então Presidente pela sua vice, Kamala Harris, na corrida à Casa Branca.
Hunter Biden também fala sobre os rumores de que poderá vir a entrar na política. Rejeita ter interesse no tema, dizendo que pretende dedicar o seu tempo à luta contra a adicção. Na entrevista, recorda como no seu pior momento chegou a beber quase um galão de vodka por dia, o equivalente a mais de três litros, e a fumar crack a cada 15 minutos.