O secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem Cristo, considera que, depois de uma “primeira fase marcada por constrangimentos”, a segunda fase dos exames nacionais foi um “processo muito tranquilo”. O Governo reconhece que existem ainda “algumas dezenas” de reapreciações por concluir, mas relativiza.
Em entrevista ao Observador, Alexandre Homem Cristo explica que “todos os alunos receberam as classificações”, ainda que admita que poderá “haver um ou outro caso” pontual.
Na sexta-feira, as reapreciações chegaram às escolas. O secretário de Estado revela que há “algumas dezenas de reapreciações que ainda não foram concluídas”. “Independentemente dos casos pontuais, de a dimensão estatística ser menor, cada caso é um caso e os alunos têm de receber a sua reapreciação”, sublinha. Este ano, foi registado um “número recorde” de pedidos de reapreciação: cerca de 21 mil, que contrastam com os 6 mil a 7 mil de anos anteriores.
Alexandre Homem Cristo assegura que os alunos “não serão prejudicados” em caso de atraso na reapreciação. “Qualquer aluno, independentemente do momento em que receba a classificação ou a reapreciação, tem igual condição para aceder ao seu processo de candidatura ao Ensino Superior”, explica o secretário de Estado. “Todos os prazos para esses alunos contarão a partir do momento em que recebem as suas classificações.”
Os alunos que se queiram candidatar ao Ensino Superior precisam de um documento com as classificações, a chamada ficha ENES (Exames Nacionais do Ensino Secundário). É o resumo do percurso escolar, contendo a média do Secundário e as classificações dos exames. Homem Cristo “tranquiliza” os alunos que estejam preocupados com eventuais atrasos no acesso à ficha ENES.
“As garantias que estão a ser dadas aos alunos é que não serão prejudicados pelo acesso à classificação nem pelo acesso à ficha ENES”, diz, reforçando que não haverá estudantes prejudicados por “questões administrativas que ultrapassam a responsabilidade dos alunos”.
Fernando Alexandre, o ministro da Educação, admitiu a possibilidade de vagas adicionais nas instituições de ensino superior. Homem Cristo considera que ainda não é possível “ter estimativa de número” de vagas que possam ser necessárias. Mas esclarece que a criação de vagas adicionais é uma “possibilidade que a legislação concede” e que “existe há muito tempo. Não é novidade nem resulta da implementação deste ano letivo”. “Estamos a falar de um processo que é normal — acontece todos os anos os alunos não terem as suas classificações a tempo da candidatura”, assegura.
A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 registou 60.391 candidatos, uma subida de quase 22% em relação a 2025. “O aumento de candidaturas é particularmente relevante”, afirma Alexandre Homem Cristo, destacando “que é o número mais elevado desde 1996”. “É a demonstração de que não houve nada neste processo que prejudicasse os alunos.”