Tanta gente a planear fazer uma story no instagram na próxima quarta-feira, para mostrar que também viu o eclipse. E tantos telemóveis que podem ficar com a câmara avariada nesse momento, se não forem tomadas precauções básicas.
Há uma regra que deve ser conhecida antes de todas as outras: durante as fases parciais do eclipse, nunca se deve apontar directamente uma câmara ou um telemóvel para o sol sem um filtro solar apropriado.
Se não utilizar um filtro solar apropriado pode mesmo danificar de forma permanente a câmara fotográfica do seu telemóvel. Pode comprar o filtro, por cerca de 7 euros. Ou pode tentar improvisá-lo, a partir de um segundo par de óculos protetores para eclipses — mas neste caso implica mesmo arranjar dois pares de óculos, em vez de apenas um por pessoa.
Há apenas uma excepção geográfica: em Bragança, pode tirar o filtro para fotografar diretamente a coroa solar, mas mesmo aí apenas é seguro durante os 26 segundos em que a lua tapa o sol. Assim que o eclipse a 100% terminar, ou seja, no fim dos 26 segundos, tem imediatamente de o voltar a colocar novamente para proteger a câmara da radiação ultravioleta e infravermelhos.
Ao fim da tarde da próxima quarta-feira, 12 de agosto, Portugal vai assistir ao primeiro eclipse solar total visível no continente desde 1912. Durante cerca de duas horas, a lua atravessará lentamente o disco solar e esconderá o sol em todo o país. Apenas uma estreita faixa do nordeste transmontano ficará dentro da sombra mais escura da Lua, onde o Sol desaparecerá completamente durante alguns segundos. Em todo o restante território, o eclipse será parcial, mas suficientemente profundo para transformar esse fim de tarde numa experiência única na vida da maioria dos portugueses.
https://observador.pt/interativo/mapa-interativo-do-eclipse-saiba-o-que-vai-ver-onde-estiver-e-leia-14-perguntas-e-respostas-sobre-o-que-precisa-de-saber-para-quarta-feira/
8 conselhos práticos para quem vai ter fotografar o eclipse com o telemóvel
- Use um filtro solar próprio para a câmara do telemóvel.
Durante a fase parcial, o filtro deve estar colocado à frente da objectiva do telemóvel e devidamente preso. - Não use óculos de sol, CDs, negativos fotográficos ou vidro fumado. Parecerem escuros não significa que sejam seguros. A NASA e a American Astronomical Society recomendam filtros concebidos especificamente para observação ou fotografia solar.
- Se o telemóvel tiver teleobjectiva, use-a. É preferível utilizar o zoom óptico a ampliar digitalmente a imagem.
- Reduza a exposição. Toque no sol no ecrã e baixe a exposição se o disco solar aparecer completamente branco. Alguns smartphones permitem controlar manualmente a exposição, o ISO (a quantidade de luz que deixamos que a máquina receba) e a velocidade de obturação (velocidade que o obturador demora a fechar, ou seja, velocidade que demora a tirar uma fotografia).
- Apoie o telemóvel. Um pequeno tripé ajuda, sobretudo se estiver a utilizar zoom.
- Faça várias fotografias. Não confie numa única exposição. Os smartphones têm dificuldade em lidar com o enorme contraste entre o Sol e o céu.
- Fotografe também o que está à sua volta. Pessoas, sombras, árvores, edifícios e a alteração da luz podem resultar em fotografias muito mais interessantes do que um pequeno círculo do Sol.
- Durante a totalidade (em Portugal, apenas em Bragança), o filtro pode ser retirado. Mas apenas quando a superfície brilhante do Sol estiver completamente coberta pela lua. Assim que a luz solar reaparecer, o filtro deve voltar imediatamente a ser colocado.

O que pode acontecer ao telemóvel sem filtro?
A luz do Sol é tão intensa que a câmara pode não conseguir simplesmente “baixar” essa luz. Quando aponta diretamente o telemóvel para o sol, a objectiva concentra a luz num sensor muito pequeno. Essa concentração de energia pode provocar sobreaquecimento e danos permanentes no sensor ou noutros componentes da câmara.
O risco é maior se estiver a utilizar o zoom ou uma das câmaras teleobjectivas do smartphone, porque a óptica concentra ainda mais a luz.
Pode não acontecer nada numa fotografia rápida. Mas isso não significa que seja seguro repetir a experiência durante vários minutos. Como não é possível saber exactamente quanto calor o sensor está a acumular, a recomendação dos especialistas é usar um filtro solar próprio e não arriscar danificar o telemóvel.
E há outro problema: sem filtro, é provável que a fotografia fique simplesmente com o Sol completamente branco e sem detalhe. Ou seja, arrisca o equipamento para obter uma fotografia pior.
Os óculos certificados para se conseguir ver o eclipse podem ser postos em frente à lente do telemóvel e protegem o telemóvel?
Sim. Podem ser usados como solução de recurso, mas o ideal é utilizar um filtro solar próprio para a câmara do telemóvel, segundo a NASA.

Se optar por usar óculos de eclipse, não os segure simplesmente com a mão à frente da lente. O filtro deve cobrir completamente a câmara e não pode haver nenhuma abertura por onde entre directamente a luz solar. Um movimento pode deslocá-los e deixar a objectiva exposta.
A solução mais segura e recomendável é, portanto, comprar um filtro solar específico para smartphones, devidamente certificado e concebido para ser colocado na frente da câmara.
E não confunda os dois tipos de protecção: os óculos próprios para eclipses protegem os olhos; um filtro solar fotográfico protege a câmara.
https://observador.pt/2026/08/06/onde-pode-comprar-os-oculos-para-ver-o-eclipse-solar-e-o-que-fazer-se-nao-os-arranjar-a-tempo/
Não tenho filtro para a câmara do telemóvel. Onde compro? Que tipo de filtro é?
O que deve procurar é um filtro solar especificamente concebido para câmaras de smartphones, de preferência um modelo que possa ser fixado fisicamente à frente da lente.
Em Portugal, existe à venda, por exemplo, o Omegon Solar Safe Easy Cam na Astroshop Portugal. É especificamente destinado a smartphones, fixa-se com velcro e o fabricante indica conformidade com a norma DIN ISO 12312-2 e custa 6,90€. Este filtro de luz branca compacto fixa-se facilmente à câmara do Smartphone e reduz a luz solar intensa para um nível seguro.
E se eu não tiver esse filtro? Posso usar os óculos de eclipse? Como fixo os óculos ao telemóvel? Com fita-cola? E se cair?
Sim, é possível adaptar um par de óculos de eclipse certificados para cobrir a câmara do telemóvel. A própria NASA explica isso num guia específico para fotografia com smartphones.
E a CBS, citando especialistas, recomenda precisamente que se utilize um segundo par de óculos, cortando o material filtrante e colocando-o sobre a câmara, preso com fita-cola ou adesiva dos dois lados. Mas há uma condição essencial: o filtro tem de ficar preso de forma segura e cobrir completamente a lente que está a ser utilizada.
E sim, se o filtro cair, deixa de proteger a câmara: se o filtro não estiver firmemente preso, não fotografe.
Devemos então ter dois pares de óculos?
Se quiser fotografar o Sol directamente com o telemóvel usando óculos de eclipse como solução improvisada, sim, a recomendação é que arranje dois pares.
Um fica para os olhos. O outro pode ser utilizado exclusivamente para adaptar o filtro à câmara. Mas há uma ressalva importante: esta não é a melhor solução. A opção mais segura é um filtro próprio para a câmara do telemóvel.
Fotografar o eclipse sem filtro pode mesmo estragar o telemóvel?
Sim, existe risco. A NASA diz que fotografar o Sol com equipamento óptico exige filtros específicos. A American Astronomical Society explica que os filtros são necessários não apenas para os olhos, mas também para proteger os equipamentos da intensa luz solar e do calor.
A imprensa especializada também é bastante explícita. A TechRadar, por exemplo, explica que, durante as fases parciais, a diferença entre a zona escura e o Sol ainda extremamente brilhante pode danificar o sensor do smartphone. A publicação cita ainda a Samsung a recomendar filtro para fotografias prolongadas antes, durante e depois do eclipse.
Não significa que uma fotografia rápida vá necessariamente destruir o telemóvel.
Um smartphone é frequentemente apontado para o Sol em fotografias de paisagem, nasceres e pores do Sol sem sofrer danos aparentes. O problema é apontar directamente a câmara para o Sol durante períodos prolongados, sobretudo utilizando teleobjectivas ou ampliações elevadas.
Resumindo: fotografar directamente o Sol sem filtro pode danificar permanentemente o sensor da câmara. O risco aumenta com a duração da exposição e com a utilização de lentes ou zoom que concentrem mais a luz.
O que pode acontecer, na prática, ao telemóvel, se avariar?
O componente de que estamos a falar é sobretudo o sensor de imagem. Pensemos nele como a parte da câmara que transforma a luz em informação para criar a fotografia.
A luz solar é extremamente intensa. A objectiva concentra essa luz sobre uma área muito pequena do sensor. O resultado de uma exposição excessiva pode ser dano permanente no sensor.
A própria Apple avisa que fontes de luz de intensidade muito elevada podem danificar o sensor de imagem e que o resultado pode ser a presença de anomalias visíveis na imagem ou na pré-visualização da câmara. A Apple está a falar especificamente de lasers, não de eclipses, mas o princípio é directamente relevante para explicar o tipo de dano que um sensor pode sofrer com uma fonte luminosa intensa.
Ou seja, o seu telemóvel não vai deixar de funcionar por inteiro, vai continuar perfeitamente funcional, a câmara é que pode ficar danificada.
Por exemplo, pode aparecer uma mancha, um ponto, uma zona permanentemente descolorida, linhas na horizontal ou vertical e perda de qualidade.
Como é que se nota uma eventual avaria na câmara do telemóvel?
O sintoma mais óbvio é uma marca que aparece repetidamente nas fotografias. Por exemplo, imagine que se fotografa uma parede branca ou o céu e aparece sempre um pequeno ponto escuro exactamente no mesmo sítio.
Se mudar o enquadramento e a marca continuar no mesmo ponto da imagem, pode ser sinal de um problema no sensor. Também pode acontecer o contrário: uma pequena zona demasiado clara, uma linha ou outro artefacto.
Como testar: fotografe uma parede branca ou o céu com cada uma das câmaras do telemóvel. Se aparecer sempre uma mancha ou um artefacto exactamente no mesmo ponto, pode existir um problema no sensor.
Isto é especialmente relevante nos smartphones atuais porque têm várias câmaras. Uma pode estar afetada e as outras não.

Porque é que há tantos avisos para os olhos e tão poucos para câmaras e telemóveis?
A diferença é que o risco para os olhos é uma questão médica imediata e potencialmente irreversível.
A exposição directa ao Sol pode provocar lesões na retina e perda permanente de visão. Por isso, NASA, AAS, observatórios, imprensa e fabricantes de óculos insistem constantemente na protecção ocular.
A câmara é diferente. Não há risco para a saúde do utilizador simplesmente porque o sensor ficou danificado.
Além disso, a possibilidade de dano varia muito consoante o modelo do telemóvel, tamanho do sensor, objetiva, zoom, distância focal, duração da exposição, abertura, posição do Sol e utilização de tripé.
Os óculos protegem os olhos. O filtro solar protege a câmara. São dois problemas diferentes e exigem duas protecções diferentes.
As marcas de telemóveis avisam destes perigos para os equipamentos?
Há marcas que falam do assunto, mas não existe, um aviso universal de todos os fabricantes especificamente dirigido ao eclipse de 12 de agosto de 2026.
A Google, por exemplo, publicou em 2024 um guia oficial para fotografar o eclipse com os Pixel e recomenda explicitamente levar filtros solares e preparar antecipadamente a fotografia.
A Samsung também aparece citada pela TechRadar a recomendar o uso de filtro para proteger o dispositivo durante fotografias prolongadas antes, durante e depois de um eclipse.
A Apple não tem nenhuma informação específica sobre fotografar eclipses com o iPhone. Mas tem uma advertência geral de segurança segundo a qual fontes luminosas de intensidade elevada podem danificar o sensor da câmara e produzir anomalias nas imagens.
Se tem uma máquina fotográfica profissional ou semi-profissional DSLR ou mirrorless:
Quem tiver uma câmara com objectivas zoom terá muito mais possibilidades para fotografar o eclipse em grande plano. Uma teleobjectiva de 400 mm já permite obter resultados interessantes. Com 500 ou 600 mm, o Sol ocupará uma área maior do enquadramento.
O filtro também é obrigatório numa máquina profissional. Uma das ideias mais perigosas é pensar que uma câmara profissional pode apontar para o Sol sem protecção porque o fotógrafo não está a olhar directamente pelo visor.
Imagine uma lupa a concentrar a luz do sol num ponto. A objetiva faz, em certa medida, algo semelhante. Quanto maior for a objetiva e maior for a distância focal, mais concentrada pode ficar a luz que chega ao interior da câmara.
Sem um filtro solar, essa energia pode atingir directamente o sensor e provocar danos permanentes nos seus elementos fotossensíveis. Em determinadas condições, também podem ser afectados componentes internos da câmara.


É por isso que uma teleobjectiva de 400, 500 ou 600 mm exige ainda mais cuidado. A B&H Photo recomenda explicitamente não apontar uma câmara digital para o sol sem um filtro solar certificado e alerta para o risco de a luz concentrada atingir o sensor.
Não é preciso esperar que apareça fumo ou uma marca visível para existir um problema. Um sensor danificado pode começar a apresentar pixels ou zonas permanentemente afectadas nas fotografias.
E há um segundo perigo: numa DSLR, olhar pelo visor óptico enquanto a câmara está apontada para o sol significa que a luz concentrada também pode atingir directamente os olhos. Por isso, mesmo estando a fotografar com uma máquina profissional ou semi-profissional, continue sempre a usar os óculos certificados. A protecção da câmara e a protecção dos olhos são duas questões diferentes.
O filtro deve ser colocado sempre na frente da objectiva, nunca atrás dela. Deve estar firmemente preso e cobrir completamente a abertura.

Dicas fotográficas e material recomendado
- Objectiva: 400 a 600 mm é uma boa opção para fotografar o Sol em grande plano.
- Filtro: solar específico, colocado na frente da objectiva.
- Foco: manual, depois de encontrar o ponto correcto.
- ISO: 100 ou 200 é um bom ponto de partida durante a fase parcial.
- Abertura: experimente f/8 a f/11.
- Velocidade: comece entre 1/500 s e 1/4000 s e ajuste de acordo com o histograma.
- Formato: RAW. Permite trabalhar posteriormente uma maior quantidade de informação captada pelo sensor.
- Leve tripé e, se possível, disparador remoto. Aqui use o foco manual, o autofocus pode ter dificuldade em encontrar o foco correcto no céu.
Durante a totalidade: retire o filtro apenas quando o disco solar estiver completamente coberto e faça várias exposições com velocidades diferentes.




O que levar na mochila para fotografar com câmara:
- Câmara;
- Teleobjectiva;
- Filtro solar frontal;
- Tripé;
- Disparador remoto;
- Baterias carregadas;
- Cartões de memória;
- Segunda câmara, se possível;
- Óculos de eclipse certificados para observar o fenómeno.
O que levar na mochila para fotografar com telemóvel:
- Filtro solar próprio para smartphone;
- Pequeno tripé ou suporte;
- Powerbank;
- Espaço livre no armazenamento;
- Óculos de eclipse certificados para observar o fenómeno.
Quatro erros que podem estragar a experiência
1. Usar óculos de sol. Óculos de sol normais não são protecção adequada para olhar directamente para o Sol.
2. Colocar o filtro atrás da objectiva. O filtro deve estar à frente da óptica e devidamente fixado.
3. Usar um filtro improvisado. Um material parecer suficientemente escuro não significa que seja seguro.
4. Descobrir as definições da máquina/telemóvel no próprio dia. Faça testes antes. O eclipse não vai esperar.
Um último conselho: não passe o eclipse a fotografar. Deixe a câmara fazer o trabalho e depois levante os olhos. A fotografia ficará no cartão de memória. A experiência não.