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PJ confrontou "imediatamente" diretor financeiro sobre ligação à Construbarcelos, mas recusou processo disciplinar

Álvaro Pires negou à direção nacional que o empreiteiro João Santos Carvalho tenha feito obras na sua casa. A PJ diz não ter indícios e por isso não abre procedimento disciplinar.

João Paulo Godinho
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A direção nacional da Polícia Judiciária (PJ) confrontou o diretor dos Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da instituição, Álvaro Pires, com as alegadas ligações à Construbarcelos, mas recusou, para já, avançar com qualquer procedimento disciplinar contra o dirigente.

Álvaro Pires desmentiu à direção da PJ, liderada agora por Carlos Cabreiro, que tenha tido obras na sua casa na Charneca da Caparica realizadas pela empresa do empreiteiro João Santos Carvalho — o mesmo que tinha sido escolhido em 17 adjudicações de obras pela PJ entre 2019 e 2025 e que fez obras no monte em Odemira do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves. O diretor financeiro contrariou assim o conteúdo da notícia avançada na quinta-feira pela TVI/CNN e pelo jornal Nascer do Sol, tendo enviado direitos de resposta aos dois órgãos de informação.

“A Polícia Judiciária (PJ) esclarece que, assim que teve nota das notícias sobre esta matéria, na comunicação social, a Direção Nacional desta Polícia questionou, imediatamente, o dirigente em causa, que desmentiu, de forma categórica, terem sido realizadas quaisquer obras na sua residência particular com a empresa Construbarcelos”, referiu a PJ, em esclarecimento enviado ao Observador.

https://observador.pt/2026/08/06/empreiteiro-amigo-de-luis-neves-fez-obras-tambem-na-casa-do-diretor-financeiro-da-pj-na-charneca-da-caparica/

“Nessa conformidade, e em virtude de a Direção Nacional da Polícia Judiciária não ter qualquer elemento que indicie a realização das referidas obras, não ordenou a abertura de qualquer processo disciplinar relativamente a este dirigente”, acrescenta a PJ, sublinhando ter sido informada de que o diretor financeiro elaborou um direito de resposta a refutar as informações divulgadas na véspera.

No desmentido, Álvaro Pires é taxativo a afirmar que nem a Construbarcelos nem outra empresa ligada a João Carvalho fizeram quaisquer obras na sua casa ou na residência de alguém da sua família.

O Observador já tentou contactar várias vezes Álvaro Pires para obter mais esclarecimentos em relação às informações divulgadas na quinta-feira, mas até ao momento não foi possível obter uma resposta do dirigente da PJ.

De acordo com as informações divulgadas pela TVI/CNN e pelo Nascer do Sol, o empreiteiro da Construbarcelos teria feito obras na casa de Álvaro Pires no final do ano passado, com vizinhos de Álvaro Pires a confirmarem que havia carrinhas da empresa no local. A estação verificou a matrícula de uma dessas carrinhas e validou que a mesma era da empresa de João Santos Carvalho, com alguns vizinhos a assegurarem que teriam existido mesmo obras na residência do diretor financeiro da PJ naquele período. Um dos vizinhos aparece na peça televisiva a dar a cara.

Uma auditoria e uma “avaliação interna”

Apesar de não ter decidido avançar de momento com um procedimento disciplinar em relação a Álvaro Pires, foi a direção nacional da PJ, liderada por Carlos Cabreiro, que solicitou uma auditoria à Inspeção-Geral dos Serviços da Justiça (IGSJ), tal como o Observador avançou na noite de quinta-feira.

Essa auditoria incide nos anos 2018-2026 (de 1 de janeiro de 2018 a 31 de julho de 2026) e visa, precisamente, a área da contratação pública de empreitadas e obras públicas, num período e relativamente a competências diretamente sob o poder de Álvaro Pires e, por inerência de responsabilidade institucional, também do ex-diretor, Luís Neves, atual ministro da Administração Interna.

https://observador.pt/especiais/o-julgamento-a-auditoria-o-inquerito-a-verificacao-e-a-cpi-o-labirinto-de-casos-judiciais-e-politicos-que-cerca-luis-neves/

A auditoria tinha sido anunciada pelo Ministério da Justiça, sem especificar então por que via é que a mesma tinha sido desencadeada ou o período em causa nessa auditoria.

Em paralelo, o gabinete da ministra Rita Alarcão Júdice desencadeou também “a realização de uma avaliação interna, destinada a enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas pelos meios de comunicação social, notícias relativas ao funcionamento interno da Polícia Judiciária e aos processos de avaliação eventualmente instaurados pela Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção, unidade da Polícia Judiciária, atentas as competências dessa direção”.

Ou seja, o Ministério da Justiça pediu também à PJ para que, no âmbito desta avaliação, seja recolhida toda a documentação (e todas as informações) relativamente aos diversos casos polémicos que têm vindo a público em torno dos mandatos de Luís Neves à frente da direção nacional (junho de 2018 a fevereiro de 2026).

Ato contínuo, essas informações deverão então ser remetidas ao Ministério da Justiça e à Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção. Caso se verifiquem irregularidades ou eventuais atos ilícitos, os mesmos poderão dar azo a procedimentos disciplinares (sendo certo que já corre um inquérito-crime em relação à questão do atrelado de droga apreendido na Operação Pacoba e que foi encontrado nas instalações da Construbarcelos).

À Lusa, o ministério não esclareceu quais os prazos para a conclusão da auditoria ou avaliação interna pedida à PJ. Também não foram explicadas quais as justificações para o período de análise determinado.

(Artigo atualizado às 2032 com iinformação sobre o não pronunciamento do Ministério da Justiça)

[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]