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O chanceler mais impopular de sempre perante uma AfD que não pára de crescer. Merz está perto do fim?

Merz tem taxa de reprovação histórica na Alemanha. Chanceler renovou Governo, mas gerou polémica no Ministério da Saúde. Setores da CDU pedem novo líder e esperam por resultado nas eleições regionais.

José Carlos Duarte
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13%. O número não engana: o chanceler alemão atingiu um recorde histórico de impopularidade. Apenas esta percentagem de inquiridos, em várias sondagens, aprova a governação de Friedrich Merz. O líder da União Democrata-Cristã (CDU) — o principal partido de centro-direita na Alemanha — está a enfrentar uma profunda crise de reputação. Apesar de estar a iniciar um programa de reformas e prometer mudanças, os alemães parecem não estar nada agradados com o líder do país. E estão a ver na Alternativa para a Alemanha (AfD, sigla em alemão) uma opção cada vez mais viável para governar.

Segundo as sondagens, a AfD seria o partido mais votado no país se a Alemanha tivesse eleições legislativas agora. Ainda que a maioria absoluta estivesse muito longe, a força política liderada por Alice Weidel começa a configurar-se como uma verdadeira alternativa de poder, recolhendo cerca de 28% das intenções de voto. Na Alemanha, contudo, continua a haver um cordão sanitário à extrema-direita, num país que ainda tem bem vivas as cicatrizes do nacional-socialismo de Adolf Hitler. Mesmo assim, a ineficácia de Friedrich Merz e do centro político, juntamente com uma esquerda a perder terreno, estão a alimentar o crescimento da AfD.

Ainda em julho, Friedrich Merz aproveitou a saída por motivos pessoais do líder parlamentar da CDU e CSU (a União Social-Cristã, o partido do centro-direita alemão na Baviera), Jens Spahn, para fazer mudanças no Governo e tentar trazer alguma estabilidade ao Executivo. As alterações não surtiram efeito: as sondagens praticamente não se mexeram e a AfD continuou a subir. Ao mesmo tempo, existe um sentimento de desilusão profundo na Alemanha: o motor económico da União Europeia (UE) parece ter perdido muito do seu brilhantismo, registando um crescimento económico praticamente nulo.

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Há cerca de uma década, com a antiga chanceler Angela Merkel, o país parecia assumir um lugar de destaque na Europa. Friedrich Merz não tem sido capaz de revitalizar a economia alemã e trazer de volta essa grandeza ao país. Pelo meio, o líder germânico tem ainda de lidar com uma coligação com o Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão). A força política de centro-esquerda também atravessa uma profunda crise e vê-se superada pelos Verdes e a ser ameaçada pelo Die Linke.

No calendário político alemão, existem três marcos essenciais que deverão determinar o futuro político do líder da CDU. Estão previstas eleições regionais em setembro para a Saxónia-Anhalt (um dos fortes bastiões da AfD), para Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e para Berlim. Estas regiões (à exceção de Berlim Ocidental) pertenciam à comunista República Democrática Alemã, uma zona onde Friedrich Merz — um advogado que cresceu no próspero Oeste — enfrenta níveis elevados de rejeição e onde a AfD é cada vez mais aclamada.

As sondagens anteveem um cenário de perda de votos quer para a CDU (que lidera os governos regionais em Berlim e na Saxónia-Anhalt), quer para o SPD (que governa Meclemburgo-Pomerânia Ocidental). Caso se confirmem os maus resultados, isso forçará ambas as forças políticas a refletir sobre o seu futuro. No pior dos cenários, os conservadores alemães poderão mesmo pressionar para que Friedrich Merz se afaste da liderança do partido — existem, aliás, vários membros da CDU profundamente descontentes com o seu rumo.

Merz remodelou o Governo — e piorou a sua situação interna

A tendência de queda nas sondagens da CDU dura praticamente desde que Friedrich Merz tomou posse. Nas eleições de fevereiro de 2025, os alemães procuravam alternância política. Tendo governado a Alemanha desde 2021 até 2025, a coligação que juntou o SPD, os Verdes e os liberais do Partido Democrático Livre (FDP, sigla em alemão) revelou-se disfuncional e o ex-chanceler Olaf Scholz estava longe de ser uma figura consensual. Os conservadores regressaram ao poder, mas, logo nessa altura, existiam fortes dúvidas sobre o novo líder do partido.

Friedrich Merz nunca foi uma figura popular na Alemanha, mesmo tendo vencido as eleições em 2025. É milionário, gosta de provocar os rivais e acumulou gaffes ao longo da sua carreira política. Tende a tomar decisões impulsivas e move-se com demasiado conforto nos círculos de poder. Foi por esta postura que talvez tenha sido um antagonista de Angela Merkel, a sua principal rival interna na CDU. A ex-chanceler era ponderada, modesta e preferia adiar decisões a expor-se a uma posição de vulnerabilidade.

O atual chanceler está nos antípodas de Angela Merkel. Toma riscos, inventa soluções e usa uma retórica autoconfiante. Gosta de jogos de poder e de os ganhar. Nesse sentido, em julho, avançou com uma remodelação após a demissão de Jens Spahn — de quem nunca gostou particularmente. O antigo líder parlamentar da CDU/CSU no Bundestag rivalizava com Friedrich Merz no partido e mantinha disputas acesas nos bastidores. Acabou por se demitir do cargo após ter recorrido a uma barriga de aluguer nos Estados Unidos para ter um filho, que vai criar com o marido — algo que o político admitiu chocar contra a matriz conservadora da CDU.

Já se especulava que, perante os péssimos números das sondagens, Friedrich Merz teria de mexer no Governo. A mudança estava prevista para o outono, em plena rentrée política. Porém, o chanceler alemão antecipou-a, aproveitando o timing da saída de Jens Spahn. Assim sendo, demitiu o ministro dos Transportes (pelos atrasos constantes da Deutsche Bahn, a rede ferroviária germânica), Patrick Schnieder, e escolheu Steffen Bilger para o substituir.

Para além disso, perante o vazio na liderança da bancada parlamentar, Friedrich Merz escolheu o seu chefe de gabinete, Thorsten Frei, para o cargo, nomeando Nina Warken — até então ministra da Saúde — para ocupar esse lugar de destaque no seu gabinete. Problema? Na pasta da Saúde, havia que encontrar um substituto. Carsten Linnemann, secretário-geral da CDU, foi o eleito, apesar da falta de experiência. E isso veio a tornar-se um erro capital por parte do chanceler alemão.

A tutela da Saúde é uma das mais importantes no Governo alemão. Existem vários focos de tensão (e divergências ideológicas) entre a CDU e o SPD nesta pasta. Friedrich Merz escolheu um perfil mais à direita e que agradava à ala mais liberal do seu partido, o que desencadeou fortes críticas da oposição, dos sociais-democratas e de setores do seu próprio partido. O pior disto tudo? O próprio Carsten Linnemann deu uma entrevista, em 2025, na qual recusava ser ministro — e, pior do que isso, especificava que não fazia sentido ficar com a tutela da Saúde.

“Ser ministro para que isso fique registado na Wikipédia? Isso não faz o meu género. Se me tivessem indicado para ministro da Saúde, provavelmente não teria tido sucesso. As pessoas diriam: ‘Porquê ele para a pasta da Saúde? O que é que ele tem a ver com isso?’ Por isso, cada um deve fazer aquilo que sabe fazer melhor”, declarou na altura o governante. As declarações foram logo recuperadas pela oposição para criticar a remodelação e expor a fragilidade da escolha de Friedrich Merz.

A remodelação — uma esperança de que a imagem do Governo melhorasse — ficou envolta nesta polémica. Para complicar a situação, a escolha de Franziska Hoppermann para substituir Carsten Linnemann como nova secretária-geral da CDU também motivou duras críticas internas, com vários membros do partido a contestarem abertamente a forma apressada como Friedrich Merz reorganizou as estruturas do partido sem que fossem consultados de antemão.

Mudança de chanceler ou estabilidade? O dilema da CDU/CSU

A impulsividade e autoconfiança de Friedrich Merz vieram ao de cima com a remodelação. Dentro da CDU, reina a exasperação. O chanceler alemão perdeu uma oportunidade de ouro para dar um novo rumo ao Governo, ainda para mais em clima pré-eleitoral. Como relata a Der Spiegel, ninguém está a acusar o líder político de má vontade — e até lhe reconhecem boas intenções. Mas a imagem que fica é de alguém que não se consegue livrar de gaffes inexplicáveis, num momento particularmente frágil. Bastava que alguém o tivesse avisado da entrevista para repensar a escolha de Carsten Linnemann.

https://observador.pt/especiais/provocador-milionario-e-um-rival-de-merkel-friedrich-merz-o-enfant-terrible-da-cdu-prestes-a-tornar-se-chanceler-alemao/

“A bola está na marca de penálti. O guarda-redes nem está na baliza. E Merz consegue marcar um golo contra a equipa em que está”: esta é a metáfora que um membro influente da CDU usou à Der Spiegel para descrever a atuação do chanceler nos últimos tempos. E com uma agravante: o atual chanceler nunca gozou de um verdadeiro estado de graça entre os alemães, nunca conseguindo descolar da imagem de alguém arrogante e autoconfiante em demasia.

Neste contexto, o futuro do líder germânico está verdadeiramente em risco. Muitos dos seus correligionários dizem que é tempo de lhe retirar a confiança política. Os desastrosos números das sondagens, juntamente com o facto de Friedrich Merz não conseguir — apesar de várias tentativas — mudar a trajetória errática, levam muitos a antecipar que nem sequer chega ao Natal enquanto chanceler. “Merz está num túnel, ele não vai conseguir ver a luz. Acabou”, resumiu um membro da CDU à Der Spiegel.

Ainda assim, a cena política alemã é marcada por um profundo gosto pela estabilidade. Contrariamente a países como Itália ou mesmo o Reino Unido, não existe na Alemanha uma tradição de derrubar chanceleres apenas por estarem a atravessar um mau momento na opinião pública. O histórico conservador Konrad Adenauer, o primeiro líder após o final da Segunda Guerra Mundial, acabou por ser pressionado pelo partido a sair do cargo, devido ao seu longo mandato. O seu substituto, Ludwig Erhard, também renunciou, mas porque perdeu a confiança do parceiro de coligação, o FDP.

"A bola está na marca de penálti. O guarda-redes nem está na baliza. E Merz consegue marcar um golo contra a equipa em que está."
Membro da CDU à Der Spiegel

Seria, assim, algo inédito ver um chanceler abandonar o cargo tão cedo, quando ainda nem cumpriu dois anos de mandato. Se perante a pressão interna Friedrich Merz se demitir, o processo de sucessão será relativamente simples. Contudo, se pretender manter-se no cargo, apenas poderá ser destituído através de uma moção de censura no Parlamento — o que exige que exista já um sucessor formalmente aprovado pelos deputados. Trata-se de um mecanismo que comporta enormes riscos: poderia provocar o colapso da coligação entre a CDU/CSU e o SPD e até pôr à prova a própria união histórica entre a CDU e a CSU.

É certo que há algum descontentamento na CDU. Porém, coexiste uma sensação de apreensão, precisamente porque depor Friedrich Merz contra a sua vontade seria um processo extremamente complexo e que ganharia facilmente contornos fratricidas. Acima de tudo, nenhum conservador deseja convocar eleições antecipadas num momento em que a Alternativa para a Alemanha continua tão forte nas sondagens.

Mas para muitos críticos de Friedrich Merz dentro da CDU, uma humilhação nas eleições regionais de setembro no Leste da Alemanha equivaleria a um golpe final — e não haveria nenhuma forma de se conseguir levantar, obrigando-o a demitir-se. Até lá, principalmente durante o verão, vai-se preparando o terreno para um sucessor, que seria muito provavelmente Hendrik Wüst, o atual líder da Renânia do Norte-Vestfália, uma figura que governa em coligação com Os Verdes um dos estados mais populosos e ricos da Alemanha. É um rosto conciliador com um estilo de governação muito parecido com o de Angela Merkel.

No entanto, os principais barões e líderes da CDU/CSU ainda optam pela estabilidade. O caso mais paradigmático é o de Markus Söder, o chefe dos conservadores bávaros — um apoio fundamental num contexto marcado pela incerteza. “Estou totalmente convencido de que Friedrich Merz vai manter-se chanceler”, referiu o líder da Baviera numa entrevista, argumentando que, caso saísse do cargo, causaria “caos entre os conservadores”. “Podia também levar a novas eleições. E quem quer eleições está apenas a promover uma coisa: que se traga os radicais para o poder.”

“O meu aviso urgente é que nos foquemos no trabalho e percamos menos tempo em especular nos bastidores”, atirou Markus Söder, num recado direto para as fações da CDU que contestam a liderança de Friedrich Merz. A Baviera é um bastião eleitoral decisivo para os conservadores e o apoio da CSU ao chanceler é indiscutivelmente um trunfo. De qualquer modo, não é vitalício; as eleições de setembro estão ao virar da esquina e podem ser fatais para o futuro político do líder germânico.

Os desentendimentos no SPD e a esquerda alemã

Se a CDU está dividida, o panorama não é muito diferente no SPD. Os sociais-democratas alemães registam um resultado em redor dos 12% nas sondagens — um autêntico desastre, caso se confirme nas urnas. Nas próximas eleições regionais, correm o risco de perder o estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental para a AfD. Estando numa coligação com os conservadores, acabam por pagar a fatura das ações menos populares de Friedrich Merz. O partido tem também demonstrado enorme dificuldade em impor-se e tenta ainda recuperar da pesada herança deixada por Olaf Scholz.

À esquerda, o SPD tem sido ultrapassado pelos Verdes nas sondagens, enquanto o Die Linke — o partido de esquerda radical — se aproxima dos sociais-democratas. Perante estes resultados e a crise que os centristas na coligação enfrentam, cresce o debate interno: deve o SPD manter a rota ao centro para tentar segurar o eleitorado moderado ou reorientar-se à esquerda para estancar a fuga de votos?

A imprensa alemã dá conta de que se está a formar uma “revolta” contra a liderança bicéfala no SPD de Bärbel Bas e Lars Klingbeil — que é também ministro das Finanças e vice-chanceler. As fações mais à esquerda têm tentado ganhar peso nas lutas internas contra os dirigentes centristas que dominam o aparelho do partido. Mesmo que ainda não tenham sugerido romper diretamente com a CDU no Governo, pretendem que o partido volte à sua matriz social-democrata e aprove coligações à esquerda nos parlamentos regionais.

Quem tem aproveitado para crescer — ainda que timidamente — são os Verdes, que ficaram fora de uma solução governativa. Chegando aos 14% nas sondagens, o partido poderá tornar-se a terceira força mais votada. Apostando num tom crítico ao Governo, mas prometendo nunca ceder à extrema-direita, o partido ecologista espera angariar votos de moderados descontentes com o Executivo.

No panorama político alemão, o Die Linke vem ganhando protagonismo. Após ter sido a grande surpresa nas eleições de 2025, o partido de esquerda radical tem crescido de forma sustentada e chega já aos 11% em várias sondagens nacionais. Porém, a maior reviravolta dá-se em Berlim, onde o Die Linke lidera as intenções de voto e tem reais hipóteses de vencer as eleições regionais — um feito inédito na capital. A corrida disputa-se a três — entre CDU, AfD e Die Linke — com as sondagens a mostrarem um cenário de empate técnico.

AfD: o domínio na política alemã, mas com um cordão sanitário

Quando Alice Weidel ficou em segundo lugar nas eleições de 2025, a dirigente partidária não pareceu ficar nada incomodada. Paciente e pragmática, a líder política sabia que o seu momento chegaria mais tarde. Afinal de contas, a Alternativa para a Alemanha tornara-se a principal força da oposição. Seria a AfD a desafiar Friedrich Merz e a coligação entre a CDU/CSU e o SPD, ganhando pelo meio tempo para criar as bases para chegar ao poder em 2029.

A estratégia de oposição constante ao Executivo de Friedrich Merz deu frutos. A Alternativa para a Alemanha lidera todas as sondagens recentes, numa tendência de crescimento das intenções de voto que chega agora aos 28%. Aproveitando a desilusão de muitos eleitores com o Governo e a normalização que sofreu nos últimos tempos, a AfD tem dominado a política alemã — em particular no Leste da Alemanha, onde a sua mensagem antissistema é ouvida e encontra terreno fértil devido às disparidades económicas com o Oeste.

A perspetiva nas eleições regionais é bastante positiva para o partido. A Alternativa para a Alemanha deve vencer as eleições na Saxónia-Anhalt e pode aproximar-se da maioria absoluta. Caso aconteça este cenário, a AfD vai governar pela primeira vez um governo regional, subindo mais um patamar no caminho até à institucionalização. Em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido deverá sagrar-se vencedor, embora muito longe da maioria, ao passo que em Berlim a corrida é renhida.

Ainda assim, o partido continua a enfrentar um obstáculo estrutural. Apesar de vencer eleições regionais e até poder vencer as federais, a AfD embate de frente contra o cordão sanitário construído pelos partidos alemães. O centro-direita e todas as forças da esquerda tradicional recusam-se categoricamente a colaborar com a Alternativa para a Alemanha — com a exceção da Aliança Sahra Wagenknecht (BsW), o partido de esquerda conservadora que até se tem mostrado disponível para votar propostas e acordos pontuais com a extrema-direita.

A estratégia de Alice Weidel é que, perante os bons resultados do partido, se torne impossível de ignorar e que a CDU/CSU cedam. Quase ninguém no centro-direita apoia esta solução. Ainda em meados de julho, Friedrich Merz declarou: “Se um partido de extrema-direita for governo na Alemanha, teria um significado completamente diferente do que noutro país da UE”. “Farei tudo ao meu alcance para o prevenir.”

Ora, isto é verdadeiramente um obstáculo para a Alternativa para a Alemanha. No plano federal e até regional, é praticamente impossível garantir uma maioria absoluta sozinha — o sistema político alemão baseia-se em coligações, uma lição que ficou da Segunda Guerra Mundial e do nacional-socialismo. Não tendo nenhum parceiro viável, a AfD continua sozinha. Ciente desta realidade, Alice Weidel reconhece que as opções continuam limitadas e vai continuar a desgastar o centrão.

Lidando com as cicatrizes históricas do Holocausto e do regime de Adolf Hitler, a AfD continua a ser rejeitada por grande parte da sociedade alemã. E há quem avance com uma proposta: banir a Alternativa para a Alemanha da política do país. A Sociedade para os Direitos Civis — uma influente organização não governamental — concluiu que seria possível apresentar uma providência legal capaz de comprovar que a AfD é “inconstitucional”, abrindo caminho para a sua proibição.

Os Verdes e o Die Linke tendem a apoiar a proposta, mas o SPD e a CDU/CSU mantêm fortes dúvidas sobre a viabilidade de banir um partido e sobre o impacto que a medida poderia ter na liberdade de expressão. Alice Weidel desvalorizou a iniciativa da Sociedade para os Direitos Civis, classificando-a como uma “piada” e aproveitou para reforçar a narrativa de que a AfD desafia o sistema — e que este, por essa mesma razão, a quer banir.

Friedrich Merz tem sido incapaz de travar a subida do partido que prometeu que nunca chegaria ao poder. O seu estilo muitas vezes intempestivo e os seus sucessivos lapsos (como ficou provado na remodelação governamental) parecem estar a afastar o chanceler alemão desse objetivo. A AfD mantém uma tendência crescente e a CDU começa a ficar ansiosa com essa ascensão e com a possibilidade real de perder o poder. Será este cenário suficiente para afastar o seu líder?