13%. O número não engana: o chanceler alemão atingiu um recorde histórico de impopularidade. Apenas esta percentagem de inquiridos, em várias sondagens, aprova a governação de Friedrich Merz. O líder da União Democrata-Cristã (CDU) — o principal partido de centro-direita na Alemanha — está a enfrentar uma profunda crise de reputação. Apesar de estar a iniciar um programa de reformas e prometer mudanças, os alemães parecem não estar nada agradados com o líder do país. E estão a ver na Alternativa para a Alemanha (AfD, sigla em alemão) uma opção cada vez mais viável para governar.
Segundo as sondagens, a AfD seria o partido mais votado no país se a Alemanha tivesse eleições legislativas agora. Ainda que a maioria absoluta estivesse muito longe, a força política liderada por Alice Weidel começa a configurar-se como uma verdadeira alternativa de poder, recolhendo cerca de 28% das intenções de voto. Na Alemanha, contudo, continua a haver um cordão sanitário à extrema-direita, num país que ainda tem bem vivas as cicatrizes do nacional-socialismo de Adolf Hitler. Mesmo assim, a ineficácia de Friedrich Merz e do centro político, juntamente com uma esquerda a perder terreno, estão a alimentar o crescimento da AfD.
Ainda em julho, Friedrich Merz aproveitou a saída por motivos pessoais do líder parlamentar da CDU e CSU (a União Social-Cristã, o partido do centro-direita alemão na Baviera), Jens Spahn, para fazer mudanças no Governo e tentar trazer alguma estabilidade ao Executivo. As alterações não surtiram efeito: as sondagens praticamente não se mexeram e a AfD continuou a subir. Ao mesmo tempo, existe um sentimento de desilusão profundo na Alemanha: o motor económico da União Europeia (UE) parece ter perdido muito do seu brilhantismo, registando um crescimento económico praticamente nulo.
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Há cerca de uma década, com a antiga chanceler Angela Merkel, o país parecia assumir um lugar de destaque na Europa. Friedrich Merz não tem sido capaz de revitalizar a economia alemã e trazer de volta essa grandeza ao país. Pelo meio, o líder germânico tem ainda de lidar com uma coligação com o Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão). A força política de centro-esquerda também atravessa uma profunda crise e vê-se superada pelos Verdes e a ser ameaçada pelo Die Linke.
No calendário político alemão, existem três marcos essenciais que deverão determinar o futuro político do líder da CDU. Estão previstas eleições regionais em setembro para a Saxónia-Anhalt (um dos fortes bastiões da AfD), para Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e para Berlim. Estas regiões (à exceção de Berlim Ocidental) pertenciam à comunista República Democrática Alemã, uma zona onde Friedrich Merz — um advogado que cresceu no próspero Oeste — enfrenta níveis elevados de rejeição e onde a AfD é cada vez mais aclamada.
As sondagens anteveem um cenário de perda de votos quer para a CDU (que lidera os governos regionais em Berlim e na Saxónia-Anhalt), quer para o SPD (que governa Meclemburgo-Pomerânia Ocidental). Caso se confirmem os maus resultados, isso forçará ambas as forças políticas a refletir sobre o seu futuro. No pior dos cenários, os conservadores alemães poderão mesmo pressionar para que Friedrich Merz se afaste da liderança do partido — existem, aliás, vários membros da CDU profundamente descontentes com o seu rumo.

Merz remodelou o Governo — e piorou a sua situação interna
A tendência de queda nas sondagens da CDU dura praticamente desde que Friedrich Merz tomou posse. Nas eleições de fevereiro de 2025, os alemães procuravam alternância política. Tendo governado a Alemanha desde 2021 até 2025, a coligação que juntou o SPD, os Verdes e os liberais do Partido Democrático Livre (FDP, sigla em alemão) revelou-se disfuncional e o ex-chanceler Olaf Scholz estava longe de ser uma figura consensual. Os conservadores regressaram ao poder, mas, logo nessa altura, existiam fortes dúvidas sobre o novo líder do partido.
Friedrich Merz nunca foi uma figura popular na Alemanha, mesmo tendo vencido as eleições em 2025. É milionário, gosta de provocar os rivais e acumulou gaffes ao longo da sua carreira política. Tende a tomar decisões impulsivas e move-se com demasiado conforto nos círculos de poder. Foi por esta postura que talvez tenha sido um antagonista de Angela Merkel, a sua principal rival interna na CDU. A ex-chanceler era ponderada, modesta e preferia adiar decisões a expor-se a uma posição de vulnerabilidade.
O atual chanceler está nos antípodas de Angela Merkel. Toma riscos, inventa soluções e usa uma retórica autoconfiante. Gosta de jogos de poder e de os ganhar. Nesse sentido, em julho, avançou com uma remodelação após a demissão de Jens Spahn — de quem nunca gostou particularmente. O antigo líder parlamentar da CDU/CSU no Bundestag rivalizava com Friedrich Merz no partido e mantinha disputas acesas nos bastidores. Acabou por se demitir do cargo após ter recorrido a uma barriga de aluguer nos Estados Unidos para ter um filho, que vai criar com o marido — algo que o político admitiu chocar contra a matriz conservadora da CDU.

Já se especulava que, perante os péssimos números das sondagens, Friedrich Merz teria de mexer no Governo. A mudança estava prevista para o outono, em plena rentrée política. Porém, o chanceler alemão antecipou-a, aproveitando o timing da saída de Jens Spahn. Assim sendo, demitiu o ministro dos Transportes (pelos atrasos constantes da Deutsche Bahn, a rede ferroviária germânica), Patrick Schnieder, e escolheu Steffen Bilger para o substituir.
Para além disso, perante o vazio na liderança da bancada parlamentar, Friedrich Merz escolheu o seu chefe de gabinete, Thorsten Frei, para o cargo, nomeando Nina Warken — até então ministra da Saúde — para ocupar esse lugar de destaque no seu gabinete. Problema? Na pasta da Saúde, havia que encontrar um substituto. Carsten Linnemann, secretário-geral da CDU, foi o eleito, apesar da falta de experiência. E isso veio a tornar-se um erro capital por parte do chanceler alemão.
A tutela da Saúde é uma das mais importantes no Governo alemão. Existem vários focos de tensão (e divergências ideológicas) entre a CDU e o SPD nesta pasta. Friedrich Merz escolheu um perfil mais à direita e que agradava à ala mais liberal do seu partido, o que desencadeou fortes críticas da oposição, dos sociais-democratas e de setores do seu próprio partido. O pior disto tudo? O próprio Carsten Linnemann deu uma entrevista, em 2025, na qual recusava ser ministro — e, pior do que isso, especificava que não fazia sentido ficar com a tutela da Saúde.

“Ser ministro para que isso fique registado na Wikipédia? Isso não faz o meu género. Se me tivessem indicado para ministro da Saúde, provavelmente não teria tido sucesso. As pessoas diriam: ‘Porquê ele para a pasta da Saúde? O que é que ele tem a ver com isso?’ Por isso, cada um deve fazer aquilo que sabe fazer melhor”, declarou na altura o governante. As declarações foram logo recuperadas pela oposição para criticar a remodelação e expor a fragilidade da escolha de Friedrich Merz.
A remodelação — uma esperança de que a imagem do Governo melhorasse — ficou envolta nesta polémica. Para complicar a situação, a escolha de Franziska Hoppermann para substituir Carsten Linnemann como nova secretária-geral da CDU também motivou duras críticas internas, com vários membros do partido a contestarem abertamente a forma apressada como Friedrich Merz reorganizou as estruturas do partido sem que fossem consultados de antemão.
Mudança de chanceler ou estabilidade? O dilema da CDU/CSU
A impulsividade e autoconfiança de Friedrich Merz vieram ao de cima com a remodelação. Dentro da CDU, reina a exasperação. O chanceler alemão perdeu uma oportunidade de ouro para dar um novo rumo ao Governo, ainda para mais em clima pré-eleitoral. Como relata a Der Spiegel, ninguém está a acusar o líder político de má vontade — e até lhe reconhecem boas intenções. Mas a imagem que fica é de alguém que não se consegue livrar de gaffes inexplicáveis, num momento particularmente frágil. Bastava que alguém o tivesse avisado da entrevista para repensar a escolha de Carsten Linnemann.
https://observador.pt/especiais/provocador-milionario-e-um-rival-de-merkel-friedrich-merz-o-enfant-terrible-da-cdu-prestes-a-tornar-se-chanceler-alemao/
“A bola está na marca de penálti. O guarda-redes nem está na baliza. E Merz consegue marcar um golo contra a equipa em que está”: esta é a metáfora que um membro influente da CDU usou à Der Spiegel para descrever a atuação do chanceler nos últimos tempos. E com uma agravante: o atual chanceler nunca gozou de um verdadeiro estado de graça entre os alemães, nunca conseguindo descolar da imagem de alguém arrogante e autoconfiante em demasia.
Neste contexto, o futuro do líder germânico está verdadeiramente em risco. Muitos dos seus correligionários dizem que é tempo de lhe retirar a confiança política. Os desastrosos números das sondagens, juntamente com o facto de Friedrich Merz não conseguir — apesar de várias tentativas — mudar a trajetória errática, levam muitos a antecipar que nem sequer chega ao Natal enquanto chanceler. “Merz está num túnel, ele não vai conseguir ver a luz. Acabou”, resumiu um membro da CDU à Der Spiegel.
Ainda assim, a cena política alemã é marcada por um profundo gosto pela estabilidade. Contrariamente a países como Itália ou mesmo o Reino Unido, não existe na Alemanha uma tradição de derrubar chanceleres apenas por estarem a atravessar um mau momento na opinião pública. O histórico conservador Konrad Adenauer, o primeiro líder após o final da Segunda Guerra Mundial, acabou por ser pressionado pelo partido a sair do cargo, devido ao seu longo mandato. O seu substituto, Ludwig Erhard, também renunciou, mas porque perdeu a confiança do parceiro de coligação, o FDP.
Seria, assim, algo inédito ver um chanceler abandonar o cargo tão cedo, quando ainda nem cumpriu dois anos de mandato. Se perante a pressão interna Friedrich Merz se demitir, o processo de sucessão será relativamente simples. Contudo, se pretender manter-se no cargo, apenas poderá ser destituído através de uma moção de censura no Parlamento — o que exige que exista já um sucessor formalmente aprovado pelos deputados. Trata-se de um mecanismo que comporta enormes riscos: poderia provocar o colapso da coligação entre a CDU/CSU e o SPD e até pôr à prova a própria união histórica entre a CDU e a CSU.
É certo que há algum descontentamento na CDU. Porém, coexiste uma sensação de apreensão, precisamente porque depor Friedrich Merz contra a sua vontade seria um processo extremamente complexo e que ganharia facilmente contornos fratricidas. Acima de tudo, nenhum conservador deseja convocar eleições antecipadas num momento em que a Alternativa para a Alemanha continua tão forte nas sondagens.
Mas para muitos críticos de Friedrich Merz dentro da CDU, uma humilhação nas eleições regionais de setembro no Leste da Alemanha equivaleria a um golpe final — e não haveria nenhuma forma de se conseguir levantar, obrigando-o a demitir-se. Até lá, principalmente durante o verão, vai-se preparando o terreno para um sucessor, que seria muito provavelmente Hendrik Wüst, o atual líder da Renânia do Norte-Vestfália, uma figura que governa em coligação com Os Verdes um dos estados mais populosos e ricos da Alemanha. É um rosto conciliador com um estilo de governação muito parecido com o de Angela Merkel.

No entanto, os principais barões e líderes da CDU/CSU ainda optam pela estabilidade. O caso mais paradigmático é o de Markus Söder, o chefe dos conservadores bávaros — um apoio fundamental num contexto marcado pela incerteza. “Estou totalmente convencido de que Friedrich Merz vai manter-se chanceler”, referiu o líder da Baviera numa entrevista, argumentando que, caso saísse do cargo, causaria “caos entre os conservadores”. “Podia também levar a novas eleições. E quem quer eleições está apenas a promover uma coisa: que se traga os radicais para o poder.”
“O meu aviso urgente é que nos foquemos no trabalho e percamos menos tempo em especular nos bastidores”, atirou Markus Söder, num recado direto para as fações da CDU que contestam a liderança de Friedrich Merz. A Baviera é um bastião eleitoral decisivo para os conservadores e o apoio da CSU ao chanceler é indiscutivelmente um trunfo. De qualquer modo, não é vitalício; as eleições de setembro estão ao virar da esquina e podem ser fatais para o futuro político do líder germânico.
Os desentendimentos no SPD e a esquerda alemã
Se a CDU está dividida, o panorama não é muito diferente no SPD. Os sociais-democratas alemães registam um resultado em redor dos 12% nas sondagens — um autêntico desastre, caso se confirme nas urnas. Nas próximas eleições regionais, correm o risco de perder o estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental para a AfD. Estando numa coligação com os conservadores, acabam por pagar a fatura das ações menos populares de Friedrich Merz. O partido tem também demonstrado enorme dificuldade em impor-se e tenta ainda recuperar da pesada herança deixada por Olaf Scholz.

À esquerda, o SPD tem sido ultrapassado pelos Verdes nas sondagens, enquanto o Die Linke — o partido de esquerda radical — se aproxima dos sociais-democratas. Perante estes resultados e a crise que os centristas na coligação enfrentam, cresce o debate interno: deve o SPD manter a rota ao centro para tentar segurar o eleitorado moderado ou reorientar-se à esquerda para estancar a fuga de votos?
A imprensa alemã dá conta de que se está a formar uma “revolta” contra a liderança bicéfala no SPD de Bärbel Bas e Lars Klingbeil — que é também ministro das Finanças e vice-chanceler. As fações mais à esquerda têm tentado ganhar peso nas lutas internas contra os dirigentes centristas que dominam o aparelho do partido. Mesmo que ainda não tenham sugerido romper diretamente com a CDU no Governo, pretendem que o partido volte à sua matriz social-democrata e aprove coligações à esquerda nos parlamentos regionais.
Quem tem aproveitado para crescer — ainda que timidamente — são os Verdes, que ficaram fora de uma solução governativa. Chegando aos 14% nas sondagens, o partido poderá tornar-se a terceira força mais votada. Apostando num tom crítico ao Governo, mas prometendo nunca ceder à extrema-direita, o partido ecologista espera angariar votos de moderados descontentes com o Executivo.

No panorama político alemão, o Die Linke vem ganhando protagonismo. Após ter sido a grande surpresa nas eleições de 2025, o partido de esquerda radical tem crescido de forma sustentada e chega já aos 11% em várias sondagens nacionais. Porém, a maior reviravolta dá-se em Berlim, onde o Die Linke lidera as intenções de voto e tem reais hipóteses de vencer as eleições regionais — um feito inédito na capital. A corrida disputa-se a três — entre CDU, AfD e Die Linke — com as sondagens a mostrarem um cenário de empate técnico.
AfD: o domínio na política alemã, mas com um cordão sanitário
Quando Alice Weidel ficou em segundo lugar nas eleições de 2025, a dirigente partidária não pareceu ficar nada incomodada. Paciente e pragmática, a líder política sabia que o seu momento chegaria mais tarde. Afinal de contas, a Alternativa para a Alemanha tornara-se a principal força da oposição. Seria a AfD a desafiar Friedrich Merz e a coligação entre a CDU/CSU e o SPD, ganhando pelo meio tempo para criar as bases para chegar ao poder em 2029.
A estratégia de oposição constante ao Executivo de Friedrich Merz deu frutos. A Alternativa para a Alemanha lidera todas as sondagens recentes, numa tendência de crescimento das intenções de voto que chega agora aos 28%. Aproveitando a desilusão de muitos eleitores com o Governo e a normalização que sofreu nos últimos tempos, a AfD tem dominado a política alemã — em particular no Leste da Alemanha, onde a sua mensagem antissistema é ouvida e encontra terreno fértil devido às disparidades económicas com o Oeste.

A perspetiva nas eleições regionais é bastante positiva para o partido. A Alternativa para a Alemanha deve vencer as eleições na Saxónia-Anhalt e pode aproximar-se da maioria absoluta. Caso aconteça este cenário, a AfD vai governar pela primeira vez um governo regional, subindo mais um patamar no caminho até à institucionalização. Em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido deverá sagrar-se vencedor, embora muito longe da maioria, ao passo que em Berlim a corrida é renhida.
Ainda assim, o partido continua a enfrentar um obstáculo estrutural. Apesar de vencer eleições regionais e até poder vencer as federais, a AfD embate de frente contra o cordão sanitário construído pelos partidos alemães. O centro-direita e todas as forças da esquerda tradicional recusam-se categoricamente a colaborar com a Alternativa para a Alemanha — com a exceção da Aliança Sahra Wagenknecht (BsW), o partido de esquerda conservadora que até se tem mostrado disponível para votar propostas e acordos pontuais com a extrema-direita.
A estratégia de Alice Weidel é que, perante os bons resultados do partido, se torne impossível de ignorar e que a CDU/CSU cedam. Quase ninguém no centro-direita apoia esta solução. Ainda em meados de julho, Friedrich Merz declarou: “Se um partido de extrema-direita for governo na Alemanha, teria um significado completamente diferente do que noutro país da UE”. “Farei tudo ao meu alcance para o prevenir.”

Ora, isto é verdadeiramente um obstáculo para a Alternativa para a Alemanha. No plano federal e até regional, é praticamente impossível garantir uma maioria absoluta sozinha — o sistema político alemão baseia-se em coligações, uma lição que ficou da Segunda Guerra Mundial e do nacional-socialismo. Não tendo nenhum parceiro viável, a AfD continua sozinha. Ciente desta realidade, Alice Weidel reconhece que as opções continuam limitadas e vai continuar a desgastar o centrão.
Lidando com as cicatrizes históricas do Holocausto e do regime de Adolf Hitler, a AfD continua a ser rejeitada por grande parte da sociedade alemã. E há quem avance com uma proposta: banir a Alternativa para a Alemanha da política do país. A Sociedade para os Direitos Civis — uma influente organização não governamental — concluiu que seria possível apresentar uma providência legal capaz de comprovar que a AfD é “inconstitucional”, abrindo caminho para a sua proibição.
Os Verdes e o Die Linke tendem a apoiar a proposta, mas o SPD e a CDU/CSU mantêm fortes dúvidas sobre a viabilidade de banir um partido e sobre o impacto que a medida poderia ter na liberdade de expressão. Alice Weidel desvalorizou a iniciativa da Sociedade para os Direitos Civis, classificando-a como uma “piada” e aproveitou para reforçar a narrativa de que a AfD desafia o sistema — e que este, por essa mesma razão, a quer banir.

Friedrich Merz tem sido incapaz de travar a subida do partido que prometeu que nunca chegaria ao poder. O seu estilo muitas vezes intempestivo e os seus sucessivos lapsos (como ficou provado na remodelação governamental) parecem estar a afastar o chanceler alemão desse objetivo. A AfD mantém uma tendência crescente e a CDU começa a ficar ansiosa com essa ascensão e com a possibilidade real de perder o poder. Será este cenário suficiente para afastar o seu líder?