Mais de 30 utilizadores de um canal sexista na plataforma Telegram vão ser julgados em França por alegada difusão de mensagens contra mulheres, após uma investigação que deteve 45 pessoas em junho, noticiou esta quinta-feira o jornal Le Figaro.
O canal, denominado Femmeblancherie, chegou a reunir 1.758 utilizadores e era utilizado para partilhar imagens e vídeos de mulheres, acompanhados de comentários depreciativos, insultos e mensagens contra o sexo feminino.
Uma investigação dirigida pelo Ministério Público de Paris permitiu identificar vários membros do grupo, incluindo o seu administrador.
Entre 3 e 16 de junho, 45 homens foram detidos por suspeitas de crimes de “provocação pública ao ódio ou à violência com base no sexo”, “provocação à discriminação” e “insultos públicos”, segundo o Le Figaro.
Estes crimes podem ser punidos em França com penas até um ano de prisão e multas que podem atingir 45 mil euros.
Dos detidos, 34 deverão começar a ser julgados em tribunal criminal a partir de novembro, tendo alguns ficado sujeitos a controlo judicial, incluindo a proibição de utilizar o Telegram ou de contactar outras pessoas envolvidas na investigação.
Outros dez homens foram alvo de medidas alternativas, incluindo multas ou a frequência de ações de sensibilização contra o ódio na Internet.
Segundo o jornal francês, os suspeitos apresentam perfis sociais e profissionais diversificados, incluindo um enfermeiro, um guarda prisional e um condutor de metro, residem em diferentes regiões de França e, na maioria dos casos, não mantinham relações entre si fora da plataforma.
A maioria admitiu ter publicado as mensagens investigadas, mas vários suspeitos justificaram-nas como “humor negro” ou “humor de mau gosto”, enquanto outros alegaram ter escrito sob o efeito de álcool ou em momentos de raiva.
A análise dos telemóveis apreendidos revelou também, segundo o Le Figaro, interesse de vários dos suspeitos por páginas de extrema-direita e por conteúdos associados a figuras anteriormente condenadas por incitamento ao ódio.
A investigação marcou igualmente uma mudança na cooperação entre o Telegram e as autoridades francesas, tendo a plataforma fornecido dados sobre utilizadores do canal a pedido do Ministério Público.
O Le Figaro relaciona essa maior colaboração com os processos judiciais instaurados em França contra o fundador da plataforma, Pavel Durov, detido e constituído arguido em 2024.
O canal Femmeblancherie foi eliminado após as detenções, mas uma nova versão surgiu posteriormente no Telegram, apresentando-se como um espaço humorístico e satírico.
A operação integra uma estratégia mais ampla das autoridades francesas de acompanhamento dos denominados movimentos sexistas na Internet.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público de Paris encarregou o Gabinete Central de Combate aos Crimes contra a Humanidade e aos Crimes de Ódio (OCLCH), unidade especializada da Gendarmaria, de acompanhar espaços digitais onde este tipo de discurso é difundido.
O Senado francês já tinha alertado para a expansão de correntes sexistas, que associou a discursos que defendem a superioridade masculina e responsabilizam as mulheres pela alegada deterioração da condição dos homens.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]