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Francisco Carvalho Guerra, fundador da Católica do Porto, morre aos 94 anos

Conhecido por muitos como "Pai Guerra", o professor catedrático de Bioquímica morreu esta quinta-feira. Montenegro lamentou a morte do "distintíssimo cientista e académico".

Agência Lusa
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O professor catedrático Francisco Carvalho Guerra, fundador da Universidade Católica do Porto, morreu esta quinta-feira aos 94 anos, informou a instituição que o recorda como “figura incontornável” da cidade e da ciência em Portugal.

Numa nota publicada na rede social X, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, lamentou a morte de Francisco Carvalho Guerra, considerando que o professor “não foi apenas um distintíssimo cientista e académico, foi um grande empreendedor, seja como vice-reitor da Universidade do Porto, seja como verdadeiro fundador da Universidade Católica no Porto (presidindo longos anos ao Centro Regional)”.

https://twitter.com/LMontenegro_PT/status/2085326918799298749

Luís Montenegro assinala que Francisco Carvalho Guerra “dedicou a sua vida à causa da educação, às relações com a África de língua portuguesa, às florestas e à afirmação da região Norte no panorama nacional e internacional” e recorda-o como um “líder carismático, católico empenhado e convicto”, que “marcou fortemente muitas gerações de universitários no meio académico do Porto”.

“O seu humanismo e o seu exemplo de serviço ao próximo e ao país não serão esquecidos”, salienta.

Luís Montenegro assinala igualmente que conhecia bem Francisco Carvalho Guerra e dirigiu “sentidas condolências” à família, à Universidade do Porto e à Universidade Católica Portuguesa.

Numa nota de pesar assinada pela reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, esta instituição de ensino superior recorda, “com profundo pesar”, Carvalho Guerra como um homem que “deixou uma marca profunda na afirmação e no desenvolvimento desta casa de ensino“.

Francisco Carvalho Guerra nasceu em Braga, a 19 de outubro de 1932. Formou-se em Farmácia, em 1956, pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, onde concluiu ainda o doutoramento em Bioquímica, em 1964.

Professor catedrático na área da Bioquímica, foi também bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, presidente da Sociedade Portuguesa de Bioquímica e presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, “entre muitas outras responsabilidades assumidas ao longo de uma vida dedicada à ciência, ao ensino e ao serviço público”, lê-se na publicação feita no site oficial da Católica.

Foi também vice-reitor da Universidade do Porto entre 1985 e 1991.

Isabel Capeloa Gil recorda que o professor era “carinhosamente conhecido por muitos como ‘Pai Guerra’” e descreve-o como “uma força inspiradora para gerações de estudantes, professores e investigadores, tendo sido decisivo na promoção da investigação científica em Portugal e na construção de pontes entre a razão e a fé, entre a ciência e a cultura”.

“A Universidade Católica Portuguesa presta homenagem à sua memória, ao seu legado e ao seu contributo incomparável, e apresenta à sua família, amigos e a todos quantos com ele privaram as mais sentidas condolências. Os visionários nunca desaparecem, ao partir do nosso convívio, mantém-se viva a sua presença indelével”, termina.

Em nota publicada na sua página oficial, também a Ordem dos Farmacêuticos (OF) lembra que o seu primeiro bastonário “foi um dos mais notáveis farmacêuticos portugueses”.

“Foi e será sempre uma referência para todos os colegas, mesmo para aqueles que não foram seus alunos. O legado que deixa nas Ciências Farmacêuticas, mas também o seu caráter humano, altruísta e multifacetado será sempre recordado e evocado, não só pela profissão, como por todo o país. A sua vida e obra assim o merecem”, refere o bastonário, Helder Mota Filipe, citado na nota.

Refere a OF que “a sua dedicação à Igreja Católica foi reconhecida pelo Papa João Paulo II, em 2003, e pelo Papa Francisco, em 2020, com uma das mais altas insígnias atribuídas pela Santa Sé: a Comenda de São Gregório Magno”. Em Portugal, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, concedida pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 1995.

Pelo “seu inestimável contributo para o desenvolvimento da profissão”, a ordem atribui-lhe, em 2012, a sua Medalha de Ouro.

“A Ordem dos Farmacêuticos endereça as mais sentidas condolências à Família e amigos e manifesta o seu enorme pesar pela perda de um dos seus mais ilustres membros”, conclui.

Também esta quinta-feira, a Câmara de Braga emitiu uma nota manifestando “o seu mais profundo pesar” pela morte do “ilustre bracarense, natural de São Pedro de Oliveira, cuja vida fica indelevelmente marcada por um percurso académico, científico e cívico de exceção”.

O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, recorda-o, citado na nota, como “um dos bracarenses mais distintos da sua geração, cuja inteligência, visão e inteira dedicação ao conhecimento deixam uma marca indelével na vida pública portuguesa”.

“Braga despede-se de um cidadão exemplar que, mantendo sempre uma forte ligação às suas raízes, levou o nome da nossa cidade aos mais elevados patamares da ciência e da academia. Em nome do Município de Braga, presto homenagem a esta vida de excelência e endereço à família as mais sentidas condolências”, destaca o autarca.

O executivo municipal irá, na próxima reunião de câmara, apresentar formalmente um voto de pesar, “em sinal de justo reconhecimento pelo seu extraordinário percurso científico e cívico”.