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A cabeça aprisionada dos portugueses

O marxismo já se acabou, o wokismo está-se a acabar, a "solidariedade", a "solidariedade...

Luiz Cabral de Moncada
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1 Muitos portugueses continuam com a cabeça aprisionada. Aprisionada por três cretinismos, o marxista, o «antifascista» e o «solidário».

O cretinismo marxista ainda continua. O marxismo é a última edicão do racionalismo iluminista europeu. Está na linha de Descartes, Hobbes, Leibniz, Pufendorf e Hegel, entre outros. A receita é muito simples. Aceita-se um conjunto de pressupostos tidos por infalíveis e deduz-se tudo a partir daí. A realidade não interessa para nada e a verdade ainda menos. O que interessa é a consistência lógica da construção. Tudo se reconduz aos pontos de partida.

O marxismo é a mais estúpida das construções racionalistas. Muito inferior à dos outros filósofos que referi, que merecem toda a consideração. É fácil de compreender e fácil de articular. É por esta razão que muitos portugueses nele embarcam. Parte do inacreditável materialismo histórico, dourado com uma pinceladas dialécticas, alicerçado na luta de classes e desenvolve  a partir daí uns raciocínios circulares que vão sempre dar ao mesmo. É muito útil para cabeças apoucadas. É como a taboada. Mas a taboada não é a matemática. Li muito o marxismo na minha juventude (e ainda hoje o releio) e percebi-o bem. É por isso que nunca tive dúvidas quanto ao respectivo resultado.

2 Vem depois o cretinismo «anti-fascista». Sobre ele já aqui discorri. É o resultado de uns raciocínios escassos que execram tudo aquilo que os seus adeptos não compreendem e que lhes é, por essa razão, alheio. Como não se sentem muito à vontade com a tarefa de pensar, pensam com os pés ou seja, desatam aos pontapés. Usam o vocábulo «fascista» como podiam usar outro qualquer do tipo «mau pai de família», «infiel», «inimigo», «caloteiro» ou «corrécio». O fascismo já não é uma categoria política substantiva que fez a sua época há cem anos mas sim um adjectivo. É também por esta fácil razão que  muitos tugas a adoptam: não pensam, adjectivam. Não dá que pensar, vem a propósito de tudo o que não percebem e é «aderencial».

3 Mais estúpido ainda é o cretinismo «solidário». Entende este que os países ocidentais mais ricos têm o dever de abrir fronteiras sem restrições de modo a receber todo e qualquer arrivista que chegue nem se sabe de onde e de lhe atribuir todas as prebendas que ele quiser e mais algumas pelo aniversário e isto em nome da «integração», da «humanidade», da «dor das mães», da «aflição dos pais», da »compaixão» pelo assassino afegão que matou duas mulheres em Lisboa no centro ismaelita e outros dislates papagueados por umas débeis mentais cujo cérebro deve ter o tamanho de uma ervilha e cuja cultura é, consequentemente, menos que rudimentar. Claro que são insensíveis às centenas de cristãos que são anualmente assassinados e martirizados na Nigéria, no Sudão e na República Democrática do Congo, além de outros países. Que autoridade têm aquelas alarves para falar? Deviam ter era vergonha. Mas como os acontecimentos que lhes interessam estão perto, põem-se em bicos de pés para dar nas vistas. Não têm cabeça para mais. O péssimo jornalismo que temos amplia este fenómeno. O fundamento do cretinismo «solidário» não é sequer  religioso: é simplesmente pateta.

Como o marxismo já não pega e a visão de uma sociedade sem classes garantida pela constituição já não impressiona ninguém, sendo certo que a programaticidade constitucional «morreu» como reconheceu honestamente, não há muito, quem ainda não há trinta anos dela fazia bandeira, é agora a «solidariedade» que está a dar. É ver os políticos a querer pescar em águas turvas com esse isco. Sanchéz, Melenchon e o inacreditável Costa bem tentaram e tentam invocar a «solidariedade», mesmo que isso contrarie os interesses nacionais de segurança e de concórdia. Tudo vale para arregimentar mais uns votos: abrir fronteiras, legalizar imigrantes à pressa e atacar por qualquer meio a cultura ocidental que os incomoda. São mais votos garantidos. Aqueles políticos não querem saber dos interesses nacionais para nada: querem é garantir o seu futuro político.

4 Os portugueses são dados a modas e esta da «solidariedade» ainda vai durar um tempo. Julgam que seguir a moda é sinal de profundidade cultural e que é assim que se revelam alcançados de inteligência. Enganam-se. A moda é hoje criada pelos oportunistas, divulgada pelo jornalixo que temos e ampliada pelos comentadeiros televisivos (já que vem a talho de foice: porque não contratam só os comentadores de futebol? É que dizem menos asneiras que os outros e falam melhor português). Seguir a moda é fraco sinal.

Já passou a moda do marxismo, salvo em algumas escolas povoadas por burocratas do ensino dos quais não sai uma ideia que seja e está a passar a do antifascismo, de tão estúpida que é. O wokismo já viu melhores dias porque é um atentado à inteligência (leiam um notável livro, recente, do Prof. Manuel Maria Carrilho sobre o wokismo intitulado «A Nova Peste»). Resiste a moda da «solidariedade».  Mas vai passar. A seguir a ela não sei o que virá. Talvez a atracção pelo exotismo. Não seria a primeira vez, mas neste mundo globalizado o exotismo já não é o que era. Talvez o paganismo? Eu sei lá. A estupidez humana não tem limites.