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(A) :: Um azar nunca vem só, que o diga João Almeida: português envolveu-se em queda massiva que neutralizou corrida e despediu-se da geral

Um azar nunca vem só, que o diga João Almeida: português envolveu-se em queda massiva que neutralizou corrida e despediu-se da geral

Depois de uma época de sonho, 2026 não é o ano de João Almeida. Depois de ter recuperado do vírus e de ter redefinido objetivos, português caiu a duas semanas da Vuelta, mas acabou etapa.

Tiago Gama Alexandre
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Uma, duas, três. O arranque da Volta à Polónia não podia ter corrido melhor a Jonathan Milan (Lidl-Trek), que envergou pela primeira vez a camisola de campeão de Itália, embora só a tenha vestido no dia inaugural. Afinal, depois de ter vencido na estreia, embalou nas restantes etapas em linha e, ao terceiro dia, já tinha completado o hat-trick nesta 83.ª edição, que deverá ser suficiente para assegurar o seu lugar no pódio como vencedor da classificação por pontos. Por outro lado, João Almeida (UAE Team Emirates-XRG) voltou bem à competição, aproveitando os três dias teoricamente mais tranquilos para ganhar ritmo de corrida.

https://observador.pt/2026/08/05/a-maquina-de-lavar-voltou-a-embalar-um-jonny-cada-vez-mais-amarelo-milan-completa-hat-trick-em-dia-de-aniversario-de-joao-almeida/

“Sei que estou em boa forma neste momento. Treinei mesmo muito na preparação para esta corrida e estava muito motivado para uma segunda metade da época forte. A equipa fez um trabalho brilhante hoje [quarta-feira] e acreditou mesmo em mim. Por isso, quando todos estão empenhados, sei que os resultados aparecem. Vi dois ciclistas a atacar no início do dia e, como estava na frente, pensei: ‘Porque não acompanhá-los?’. Assim, quando abrimos uma pequena vantagem, mantive-me na frente até que o pelotão se voltou a juntar”, explicou o italiano que continua a ser o sprinter do WorldTour com mais vitórias em 2026 (11).

A partir de agora, os protagonistas eram outros e Almeida passava a entrar em casa. A quarta etapa ligou Zagan a Karpacz num percurso com 175,5 quilómetros e aproximadamente 2.500 metros de desnível positivo acumulado, naquele que era o primeiro teste nas montanhas polacas. No total contavam-se três subidas categorizadas, com a primeira a surgir já na segunda metade da tirada, em Antoniów (1,4 km a 7,8%). Seguiu-se a primeira grande dificuldade, em Borowice (4,6 km a 5,7%), que tinha o topo localizado a 21 quilómetros da meta. Por fim, a subida de Karpacz (7 km a 6,2%) perfilava-se como fundamental na decisão da etapa, já que o alto se encontrava a apenas 4,5 quilómetros da meta, que estava instalada no tradicional Muro de Orlinek (1,1 km a 8%), que tem pendentes na ordem dos 15%.

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Sem Anton Schiffer (Visma-Lease a Bike) à partida, o dia começou calmo, com a Emirates a mostrar-se pela primeira vez na frente do pelotão, na tentativa de controlar a fuga de Dries de Bondt (Jayco AlUla), Matteo Malucelli (XDS Astana) e dos colegas Tobiasz Pawlak e Patryk Stosz (Polónia). A formação do Bota Lume prosseguiu na dianteira até à fase decisiva da etapa, primeiro com o campeão belga, Rune Herregodts, a trabalhar, e depois com Vegard Stake Laengen. A chuva acabou por aparecer pela primeira vez na competição após a passagem por Antoniów, em que Almeida se apresentou com sinais positivos, mantendo-se na frente do pelotão ao lado dos companheiros, excetuando Jan Christen, que continuou a correr de forma independente.

Contudo, tudo mudou a 42 quilómetros da meta. Com o piso escorregadio, uma curva traiçoeira para a esquerda, feita em velocidade, atirou ao chão meio pelotão e neutralizou a corrida, por falta de meios de emergência. Entre os afetados estava João Almeida, que embateu fortemente no chão com o lado esquerdo do seu corpo e, apesar de se ter levantado, mostrou-se a coxear e com dificuldades em andar. Dentro da Emirates, Christen também caiu e Juan Sebastián Molano foi o mais afetado, ficando no chão durante vários minutos, antes de seguir diretamente para o hospital. Bart Lemmen e Wilco Kelderman (Visma), Herregodts, Benoît Cosnefroy (Emirates) — que também abandonou — e Rudy Molard (Groupama-FDJ United) também caíram. Na fase da neutralização, Milan furou, seguindo tranquilamente.

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Cerca de 30 minutos depois, a corrida foi retomada e com alterações, com a organização a optar por retirar a primeira subida de primeira categoria, em Borowice. Com 1.50 minutos de diferença entre os grupos e 25 quilómetros por fazer, a Decathlon CMA CGM assumiu o comando do pelotão e João Almeida não aguentou muito mais tempo no pelotão, continuando na corrida com o lado esquerdo do seu corpo bastante maltratado. Nas contas da etapa, Lemmen atacou em Karpacz e venceu isolado em Orlinek, somando a primeira vitória como profissional, bem como a liderança da geral e da montanha. O Bota Lume acabou por terminar a etapa, cortando a meta a 16 minutos do neerlandês, no 137.º lugar.

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