Nem o FC Porto, o campeão em título. Nem o Sporting, o antigo bicampeão em título que nas quatro rondas iniciais da prova joga duas vezes a uma sexta-feira. Nem o Benfica, o clube mais vezes campeão que antes de ir à procura de chegar novamente ao título anda nas qualificações europeias. A Primeira Liga de 2026/27 vai arrancar esta sexta-feira na Amoreira, com o Estoril, agora treinado por Vasco Matos, a receber o Famalicão, que apostou em Carlos Carvalhal na sequência da saída de Hugo Oliveira para o Estrasburgo (20h15). No entanto, grande parte do foco voltará a estar nos crónicos candidatos ao título – sempre com essa porta entreaberta ao que possa fazer o Sp. Braga, que voltou a perder titulares mas que voltou a reforçar-se bem.
Antes de tudo aquilo que já começou e que provavelmente vai continuar em torno de lances de arbitragem, nomeações e demais questões que não têm diretamente a ver com o futebol (podendo ou não influenciá-lo), e olhando apenas para as quatro linhas, esta é uma época que se vai definir entre três ciclos: o ciclo do FC Porto, que procura estabilizar aquilo que conseguiu fazer (bem) em 2025/26 com o maior investimento de sempre da SAD dos azuis e brancos; o ciclo do Sporting, que encerrou um capítulo com a saída (confirmada ou em vias de) de mais de metade dos habituais titulares e a chegada de uma nova base para os próximos anos; e o ciclo do Benfica, retardado pelo vai-não-vai-vai-não-vai de Mourinho para o Real e “atrapalhado” pela vitória do Torreense na final da Taça de Portugal que colocou a equipa a disputar as pré-eliminatórias e playoff da Liga Europa, que está ainda em fase prematura para se definir em relação ao resto da época.
Essas dúvidas, neste caso transversais a todos os candidatos, entroncam muito naquilo que irá acontecer nas três semanas que faltam ainda de mercado de transferências. Como dizia Pimenta Machado, o ex-presidente do V. Guimarães, “o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira” – e o último disso mesmo foi Ousmane Diomande, grande prioridade de Oliver Glasner no Nottingham Forest que parecia estar “feito” mas viu as negociações voltarem quase à estaca zero por problemas com intermediários. Muita água irá correr até ao fecho desta janela que tem sempre oportunidades à porta até ao último dia mas a base daquilo que serão os projetos desportivos dos candidatos está definida. A partir de agora, vai começar a corrida.
FC Porto. A consolidação de um ciclo, só com um investimento mas sem saídas (para já)
Quando chegou a janeiro de 2025, já a sentir que o ciclo Vítor Bruno no comando técnico podia ser bem mais curto do que antevia, André Villas-Boas tinha pela frente uma das decisões mais complicadas na nova pele de presidente do FC Porto. Por um lado, nunca lhe passou pela cabeça que pudesse ter uma tomada de posição que não colocasse a vertente desportiva em primeiro plano – porque é assim que olha para o futebol, mesmo neste tempo de sociedades, bolsas, exercícios e afins. Por outro, percebia que existia algo maior em causa e que passava pela viabilidade financeira dos dragões (não era “sustentabilidade”, era uma questão de quase sobrevivência). Foi aí que contrariou todos os seus instintos e viabilizou as saídas de Nico González e Galeno, dois titulares indiscutíveis, por um valor a rondar os 100 milhões de euros, sem ter depois forma de suprir as lacunas da mesma forma no mercado. Os azuis e brancos acabaram em terceiro por um bem maior.
https://observador.pt/especiais/operacoes-reunioes-internas-mais-investimento-claques-e-uma-nova-estrutura-como-villas-boas-mudou-o-seu-fc-porto-para-um-novo-fc-porto/
A aposta em Martín Anselmi, o plano B perante a impossibilidade de chegar a um Francesco Farioli que era líder da Eredivisie pelo Ajax, correu pior do que pensava, não só no Campeonato mas também no Mundial de Clubes, e foi aí também que o telefone do técnico transalpino, que entretanto perdera várias chamadas com a ponta final desastrosa na Liga neerlandesa, voltou a tocar. Aceitou chegar onde estava prometido há seis meses. E tinha uma promessa: o maior investimento de sempre da FC Porto SAD para construir um novo ciclo em 2025/26 que pudesse recolocar os dragões na rota do título. Foi na mouche e o tiro acertou em cheio no alvo que era necessário para consolidar a gestão de Villas-Boas. No entanto, e mais uma vez, o líder dos azuis e brancos voltou a ter de consolidar o seu ímpeto instintivo para consolidar esse ciclo no Dragão.

Sem “folga” para grandes investimentos, muito por culpa dos encargos que vinham de trás, Villas-Boas não teve a margem suficiente para fazer uma versão 2.0 melhorada da base que construíra na última temporada e optou por segurar ao máximo a base que tinha. Foi por isso que, no único montante mais substancial pago, ficou a título definitivo com Jakub Kiwior, elemento fulcral a par de Jan Bednarek na ressurreição dos azuis e brancos. Além do defesa polivalente polaco, o FC Porto contratou o internacional sul-coreano Hwang Inbeom ao Feyenoord, resgatou André Silva de regresso ao Dragão a custo zero por estar a acabar contrato com o Elche e assegurou dois jovens a pensar no médio prazo: o médio norueguês Eirik Granaas e o avançado Mame Niang. Em sentido inverso, além das vendas de Namaso ao Auxerre e de Ángel Alarcón ao Utrecht, saíram em final de contrato ou empréstimo Thiago Silva, Luuk de Jong, Fofana, Karaboh e Terem Moffi.
Existem ainda alvos e posições para tentar colmatar. Mais em específico, duas: o lado esquerdo da defesa, caso exista a oportunidade de vender Zaidu ou Francisco Moura para assegurar outro jogador para o lugar, e o centro do ataque, tendo em conta que Samu continua a recuperar da operação à rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito e só deverá regressar, na melhor das hipóteses, em novembro. Santiago Giménez, avançado argentino do AC Milan que quando estava no Feyenoord era seguido pelos três grandes nacionais, foi mais um jogador tentado por empréstimo mas os rossoneri só estão disponíveis para uma venda a título definitivo. Antes, Robert Lewandowski foi o grande tiro tentado pela administração dos azuis e brancos por estar livre após deixar o Barcelona mas a diferença salarial era demasiado grande.
https://observador.pt/2026/08/01/mais-um-titulo-que-foi-conseguido-ha-373-dias-em-copenhaga-a-cronica-do-fc-porto-torreense/
Em paralelo, e até ao final do mercado de transferências, há dois casos que deixam os responsáveis portistas em alerta. Por um lado, a possibilidade de cair alguma peça no dominó de guarda-redes das principais ligas europeias, o que poderia reativar de forma inevitável o nome de Diogo Costa, que foi um dos melhores no último Campeonato do Mundo. Para já, o ataque do PSG a Zion Suzuki, internacional japonês dos italianos do Parma, deixou a ideia “congelada” mas apenas à condição. Por outro, a hipótese de Victor Froholdt passar a ser a prioridade número 1 do Newcastle na sequência da saída de Bruno Guimarães para o Arsenal. O cenário está ainda dependente das opções do novo técnico, Matthias Jaissle, que substituiu Eddie Howe no comando dos magpies, mas os ingleses, não sendo os únicos interessados, têm margem para isso. A par disso, e caso surja uma proposta como aquela que o Al-Ittihad chegou a ventilar no último verão, o futuro de Rodrigo Mora está ainda em aberto – com a nuance de estar bem mais rodado no 4x3x3 de Farioli.
Apesar de partir com o escudo de campeão no peito, o FC Porto quer fazer desta temporada um ano 1 e não ano 2 do atual ciclo. O regresso à Liga dos Campeões é um momento importante para os dragões, a nível desportivo, financeiro e reputacional, mas a prioridade passa pela reconquista do título nacional, algo que não acontece desde o tri entre 2011 e 2013 que começou com André Villas-Boas (e terminou com Vítor Pereira, o seu antigo adjunto). Com o plano institucional estabilizado, com a onda de apoio a fazer-se sentir na mesma até nos encontros de pré-temporada, este é um ano de consolidação de projeto, quase com bases iguais às de 2025/26 mas com dois novos “obstáculos” face à estreia de Farioli: encontrar nuances que ainda possam causar efeito surpresa no adversário dentro de um estilo de jogo que vai manter a mesma fisicalidade que fez a diferença na última época e ter músculo para aguentar as oito partidas da Champions até janeiro.
- Guarda-redes: Diogo Costa, Cláudio Ramos, João Costa e João Afonso
- Defesas: Alberto Costa, Martim Fernandes, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Nehuén Pérez, Dominik Prpic, Francisco Moura e Zaidu
- Médios: Pablo Rosario, Alan Varela, Victor Froholdt, Hwang Inbeom, Vasco Sousa e Eustáquio
- Médios ofensivos/alas: Gabri Veiga, Rodrigo Mora, William Gomes, Pepê, Borja Sainz e Pietuszewski
- Avançados: André Silva, Deniz Gül e Samu

Sporting. O início de um novo ciclo, com outra ideia de jogo e muitos milhões a circular
Ainda não está tudo tecnicamente fechado antes do início da Liga, como era o objetivo dos responsáveis do Sporting, também não anda longe disso. A ideia geral para a temporada de 2025/26 passava por assumir um “novo ciclo”, algo que acabou por ser ainda mais precipitado pela forma como os leões perderam na final da Taça de Portugal frente ao Torreense, fazendo um dos maiores encaixes de sempre em termos de mercado de transferências (que será mesmo o maior de sempre da SAD verde e branca) mas tendo também capacidade de investimento para formar uma nova base para um projeto a três/quatro anos que pudesse depois ir sendo melhorada e reajustada como aconteceu no ciclo com Ruben Amorim entre 2020 e 2024. Com outra nuance – terminar de vez com os laços que existiam com o agora treinador do AC Milan, que foi a figura mais marcante que passou pelo comando técnico dos leões a par do húngaro Joseph Szabo, nos anos 30 e 40.
https://observador.pt/2026/05/27/queremos-quem-queira-tambem-ganhar-trofeus-no-seu-clube-varandas-critica-jogadores-e-vira-a-pagina-para-novo-ciclo-em-alvalade/
O ciclo virou, a ideia de jogo também mudou e o mercado de transferências funcionou como espelho dessa mudança de paradigma em Alvalade, tendo como base um setor em específico que mudou por completo e de forma radical. Morita saiu a custo zero (reforçou o Hull City, da Premier), Morten Hjulmand foi vendido ao Atl. Madrid, Daniel Bragança também estará de saída, o próprio Pedro Gonçalves que recuava muitas vezes para a posição já fez uma espécie de despedida a caminho da Arábia Saudita. Sobrou João Simões, que ainda recupera da operação ao quinto metatarso do pé direito, e grande parte dos reforços: Sergi Altimira, ex-Betis; Silas Andersen, ex-BK Hacken; Issa Doumbia, ex-Veneza; Pedro Lima, ex-AVS; e o próprio Rodrigo Zalazar, ex-Sp. Braga, que em caso de necessidade tática ou técnica pode descer para ‘8’. Ponto comum? Todos jogadores jovens, com potencial de rentabilização desportiva e financeira e mais fortes na dimensão física.

É no meio-campo que entronca grande parte do sucesso ou não do Sporting na presente época, num plantel que sofreu mais alterações no centro da defesa (Diomande continua a ser negociado do Nottingham Forest, Ibrahima Ba chegou do Famalicão com um perfil idêntico) e no apoio ao avançado, com as confirmações das vendas de Francisco Trincão, Alisson Santos, Souleymane Faye e Geovany Quenda, que no último ano já estava cedido pelo Chelsea. Jesse Derry foi emprestado pelos londrinos para ter mais minutos do que aqueles que poderia ganhar na equipa principal agora comandada por Xabi Alonso, Yeremay voltou a ser tentado sem sucesso, Irakunda passou a ser o alvo para suprir a lacuna no ataque e há ainda duas alternativas: Flávio Gonçalves, que deu uma grande resposta como ala esquerdo ou ’10’ na pré-época, ou o avanço de Doumbia.
Nem tudo está fechado. Maxi Araújo, que renovou contrato, ainda não tem uma alternativa direta depois da saída de Ricardo Mangas (neste caso, segundo apurou o Observador, porque o principal alvo numa aposta a breve e médio prazo está num contexto que obriga a um compasso de espera), Gonçalo Inácio e Geny Catamo têm sido alvo de sondagens e existe ainda a situação de Luis Suárez, a grande referência ofensiva que faz 29 anos em dezembro, não teve qualquer abordagem desde a promessa eleitoral de que foi alvo nas eleições do Fenerbahçe e foi protagonista num episódio que causou desagrado esta semana num treino na Academia (entretanto resolvido sem necessidade de processos disciplinares). Apesar disso, a base está consolidada, podendo depois haver ajustes até ao final do mercado por vendas inesperadas ou oportunidades de negócio.
https://observador.pt/2026/07/25/uns-sairam-outros-ainda-estao-insubstituivel-so-o-clube-varandas-recusa-nova-era-e-diz-que-vendas-maiores-so-na-premier/
Até este momento, a fatura do investimento já superou ligeiramente os 100 milhões de euros e deve subir até aos 120/125 milhões de euros mas as vendas chegarão de forma natural a uma fasquia de quase 200 milhões de euros sem contar com Quenda, que diz respeito a um exercício anterior, assumindo aqui um valor a rondar os 80 milhões mais objetivos de Diomande, Pote e Bragança e os cerca de 11 milhões recebidos de mais-valias de jogadores que não estavam no clube mas foram transferidos (Afonso Moreira, Mateus, Nazinho ou Fatawu). Ou seja, criando uma nova base na equipa e sem necessidade de contar neste caso com receitas extra como os prémios por participação na Liga dos Campeões, o Sporting conseguiu apenas com transações de passes de jogadores criar folga de tesouraria e para pagamento de obrigações financeiras.
O ano trouxe uma outra novidade que pode “ajudar” esta nova versão verde e branca, com os protocolos com as claques, nomeadamente a Juventude Leonina, a enterrarem o machado de guerra e a prepararem terreno para a aplicação de safe standings a médio prazo em Alvalade. Agora, a equipa e Rui Borges precisam do que não se consegue “comprar”: tempo e paciência. Os sinais da pré-temporada são muito positivos, não só pelo caminho 100% vitorioso (e com muitos golos) feito contra Celtic, Estrasburgo, Mónaco e Nottingham Forest mas também pelo nível exibicional já apresentado. Falta mais parte física, falta maior entrosamento, falta saber como reagem os leões à competição a sério e a todas as adversidades que daí podem resultar, da parte dos resultados à problemática questão das lesões que foi um calcanhar de Aquiles nas duas últimas épocas. As bases da nova ideia estão lançadas, entre dúvidas em torno da hierarquia dos capitães e da própria liderança em campo da equipa, mas o calendário sobretudo até dezembro/janeiro não promete facilidades.
- Guarda-redes: Rui Silva, João Virgínia e Diego Callai e Francisco Silva
- Defesas: Iván Fresneda, Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Zeno Debast, Ibrahima Ba, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo e Nuno Santos
- Médios: Sergi Altimira, Silas Andersen, Issa Doumbia, João Simões, Pedro Lima e Daniel Bragança (?)
- Médios ofensivos/alas: Geny Catamo, Luis Guilherme, Rodrigo Zalazar, Jesse Derry, Flávio Gonçalves e Nestory Irakunda (?)
- Avançados: Luis Suárez, Fotis Ioannidis e Rafael Nel

Benfica. Um ciclo que pode dar consolidar o de 2025/26 ou ser novo a partir de 2026/27
Todos já tinham percebido qual seria o final da novela, ninguém podia antecipar capítulos dessa novela – até porque, se por alguma razão inexplicável, Florentino Pérez perdesse as eleições do Real Madrid, já havia um treinador que tinha contrato com o Benfica chamado José Mourinho. Entre a última partida oficial da época de 2025/26 e a oficialização do técnico português no Santiago Bernabéu, passou quase um mês. Marco Silva era há muito o escolhido para fazer a sucessão mas, até por haver uma renovação de contrato em cima da mesa, os encarnados estavam quase de mãos atadas à espera que os espanhóis decidissem o seu futuro. Na conferência de imprensa de balanço da temporada anterior, também ela adiada à espera desse desfecho, Rui Costa assegurou que tudo continuava a ser tratado. No entanto, a realidade mostra outro filme.
https://observador.pt/2026/06/11/nao-ficamos-na-mao-de-ninguem-controlamos-sempre-a-situacao-rui-costa-sobre-mourinho-marco-silva-epoca-atipica-e-arbitragem/
Com um início de época oficial antecipado pela surpresa do Torreense na final da Taça de Portugal frente ao Sporting, o que colocou os encarnados a terem de passar três eliminatórias para entrarem na Liga Europa, o contexto inicial do Benfica era ainda mais complicado do que em 2025/26, quando teve pouco tempo entre o final do Mundial de Clubes e a Supertaça jogada logo no final de julho frente ao rival lisboeta. Ciente da importância de conseguir resultados, Marco Silva chegou e tentou preparar de forma imediata a equipa para a competição, passando o St. Gallen entre uma derrota na Suíça e uma goleada na Luz antes de chegar à atual terceira pré-eliminatória diante do Hearts (seguindo-se em caso de passagem o playoff com Aarhus ou Sabah) que será discutida com o início do Campeonato pelo meio. O plantel, esse, vai-se fazendo.

Essa é, nesta fase, a principal diferença entre a formação da Luz e os outros candidatos assumidos ao título: o FC Porto vai tentar consolidar um novo ciclo, o Sporting abriu um novo ciclo, o Benfica ainda está a tentar perceber em que ciclo se encontra em 2026/27. Grande parte dessa resposta chegará com a forma final do plantel com o fecho do mercado de transferências, sendo claro que existe uma vontade clara de estabelecer uma base com jogadores que mantêm e outros que chegarão mas que essa ideia dependerá em igual proporção daquilo que for acontecendo a nível de saídas para ganhar folga em termos financeiros.
As melhores notícias nesse plano acabam por chegar da última temporada, com as cláusulas de compra após empréstimo de Kökçu e Florentino Luís a renderem cerca de 50 milhões de euros, a que se juntaram ainda os 32 milhões das vendas este verão de António Silva (Bournemouth) e Sidny Lopes Cabral (Trabzonspor) mais 12 milhões de outras saídas mais “modestas” como Gonçalo Oliveira (Rennes), Rodrigo Rêgo (Brighton), Rafa Rodrigues (Al Ain) e Gustavo Varela (Monza). No entanto, pode não ser suficiente. E, a par disso, há mais dois possíveis “problemas”: a permanência de Andreas Schjelderup, que ainda não deu resposta ao novo contrato com melhores condições oferecido pelos encarnados, e de Pavlidis, a grande referência ofensiva.
https://observador.pt/2026/06/09/agora-sim-e-oficial-mourinho-sai-do-benfica-real-madrid-paga-15-milhoes-e-vai-seguir-se-oficializacao-de-marco-silva/
Em contraponto, e até ao momento, o Benfica fez quatro contratações: Lenglet, que veio substituir de forma direta o antigo capitão Nico Otamendi vindo do Atl. Madrid; Kaminski, extremo polaco que esteve no Colónia por empréstimo do Wolfsburgo na última temporada; Jhon Durán, avançado colombiano cedido pelo Al Nassr (com uma taxa total de encargos de 6,1 milhões de euros) que procura reencontrar o momento que o colocou em destaque no Aston Villa; e o jovem Gabriel Índio, central brasileiro ex-Atl. Mineiro que é encarado como uma promessa de futuro. O que falta? Muito: pelo menos um central, um lateral esquerdo se existir margem (caso contrário, José Neto será o número 2 de Dahl), um médio defensivo com características diferentes que possa ser o pêndulo de todo o meio-campo – o internacional João Palhinha está cada vez mais próximo – e um ala. Quer isso dizer que não haverá mais entradas? Não. Mas, olhando para aquilo que é hoje o plantel, estas são as prioridades antes de atacar outros alvos mediante propostas de saída que surjam.
É com todos estes dados que Marco Silva corre contra o tempo para consolidar uma ideia de jogo e a partir daí potenciar cada um dos elementos à disposição dentro dessa identidade. Estabilizar o setor defensivo, algo que será mais “fácil” com as chegadas do central e do ‘6’ desejados, e rotinar um meio-campo base são duas das principais premissas do treinador dos encarnados, que só agora começa a contar com unidades que serão fulcrais como Schjelderup e Richard Ríos (Aursnes ainda recupera em termos físicos). Ainda assim, e mesmo tendo começado mais cedo a temporada em termos oficiais, o Benfica parte como principal incógnita na corrida pelo título. Não pela qualidade do plantel, não pelo trabalho do treinador, mas por necessitar de mais tempo (e paciência) para montar uma estrutura que consiga quebrar o atual jejum na Primeira Liga.
- Guarda-redes: Anatoliy Trubin, Samuel Soares e Diogo Ferreira
- Defesas: Amar Dedic, Alexander Bah, Daniel Banjaqui, Tomás Araújo, Lenglet, Gabriel Índio, Joshua Wynder, Samuel Dahl e José Neto
- Médios: Manu Silva, Enzo Barrenechea, Aursnes, Richard Ríos, Leandro Barreiro e Miguel Figueiredo
- Médios ofensivos/alas: Lukebakio, Prestianni, Rafa, Sudakov, Schjelderup, Kaminski e Umeh
- Avançados: Pavlidis, Jhon Durán e Anísio Cabral
