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O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, revelou esta quarta-feira que a comunicação com o líder supremo Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde a sua nomeação em março, é “muito difícil de momento”.
“A comunicação com ele é muito difícil de momento, mas a sua presença é, sem dúvida, um grande trunfo para nós, permitindo-nos prosseguir”, frisou Masoud Pezeshkian num discurso televisivo, referindo-se ao filho e sucessor de Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra iniciada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Ferido durante os ataques, que também mataram vários oficiais iranianos, Mojtaba Khamenei tem comunicado desde a sua nomeação apenas através de declarações que lhe são atribuídas.
Nos últimos dias, Masoud Pezeshkian encontrou-se com o ayatollah Mojtaba Khamenei, após os rumores de que o Presidente iraniano se demitiria. O chefe de Estado negou a veracidade dos rumores que davam conta de que sairia do cargo, mas ter-se-á encontrado com o líder supremo do Irão por causa disso.
https://observador.pt/2026/08/05/se-me-demitir-irei-anuncia-lo-oficialmente-presidente-do-irao-rejeita-rumores-sobre-ter-ameacado-demitir-se-durante-negociacoes/
Segundo relata o canal da oposição Iran Internacional, Masoud Pezeshkian foi levado para uma localização secreta em Teerão. E terá apenas sido permitido estar num carro alguns minutos com o líder supremo. Ainda assim, o Presidente do Irão nunca foi capaz de ver Mojtaba Khamenei — e até duvidou de que tivesse sido ele a falar com ele.
Este encontro terá sido, de acordo com a mesma estação televisiva, uma concessão do líder supremo, depois de o Presidente iraniano se ter ameaçado demitir. Masoud Pezeshkian não foi levado para a residência oficial do ayatollah, mas antes para um carro com vidros fumados. Quando o chefe de Estado chegou, Mojtaba Khamenei já estava dentro da viatura.
O local era escuro o suficiente para o Presidente iraniano não conseguir ver Mojtaba Khamenei; aliás, nem sequer lhe foi permitido dar um aperto de mão ao ayatollah. Este tratamento terá indignado Masoud Pezeshkian, que o interpretou como um tratamento humilhante. Assim, pediu uma segunda reunião — desta vez na residência oficial de Khamenei. O pedido ainda não terá sido autorizado.
Publicamente, Masoud Pezeshkian, no entanto, tem defendido prontamente o ayatollah, afirmando que o recebeu com “amabilidade e muita racionalidade” durante os seus encontros. “Infelizmente, a situação atual permite que indivíduos mal-intencionados o retratem de forma diferente e apresentem uma imagem distorcida do mesmo”, criticou.
Também esta quarta-feira, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, adiantou que recebeu mensagens dos Estados Unidos a manifestar disponibilidade para retomar os compromissos assumidos no memorando de entendimento assinado em junho, mas indicou que ainda não decidiu se vai aceitar reiniciar as negociações.
Gharibabadi falava em entrevista à agência de notícias estatal IRNA, em resposta às recentes declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre um possível retomar das negociações entre os dois países.
O governante apontou que continua a analisar as mensagens enviadas pela Casa Branca para determinar se existem garantias suficientes de que os Estados Unidos honrarão os seus compromissos e evitarão um novo colapso no processo.
O diplomata insistiu que o cumprimento das obrigações dos Estados Unidos é uma condição necessária, mas não suficiente, para a reabertura do Estreito de Ormuz, e voltou a negar que Washington esteja a participar nas negociações que o Irão mantém com Omã sobre a gestão desta passagem marítima estratégica.
O Irão anunciou esta quarta-feira que chegou a acordo com Omã sobre uma nova rota marítima no Estreito de Ormuz, mas avisou, no entanto, que a conclusão do entendimento não significa a reabertura imediata da estratégica via.
https://observador.pt/2026/08/05/irao-anuncia-acordo-com-oma-sobre-nova-rota-no-estreito-de-ormuz/
Gharibabadi explicou que esta nova rota passará parcialmente por águas territoriais do Irão e de Omã e permitirá o trânsito de embarcações comerciais sob um novo regime de gestão, substituindo as rotas provisórias estabelecidas até agora pelos dois países.
O potencial acordo surge depois de Trump ter afirmado ter suspendido um ataque ao Irão no fim de semana para dar tempo às negociações que, segundo o republicano, começariam na segunda-feira, alegação negada por Teerão.
O Irão e os Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, com a mediação do Paquistão e do Qatar, para pôr fim à guerra, mas as hostilidades foram retomadas no início de julho, levando Teerão a encerrar o estratégico Estreito de Ormuz e Washington a restabelecer o bloqueio naval na costa iraniana.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]