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Wildberries. Ucrânia ataca armazéns e centros logísticos da Amazon russa: "Até setembro, não vai sobrar nada"

Ucrânia diz que ataques contra a Wildberries servem para prejudicar economia russa e criam problemas à máquina de guerra russa. Diretora da empresa critica "ataques sem senso".

José Carlos Duarte
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A Wildberries funciona como uma loja online em que se pode encomendar quase tudo. É quase uma substituta da Amazon, a multinacional norte-americana que abandonou a Rússia após a invasão da Ucrânia. Nas últimas semanas, um pouco por todo o território russo, os armazéns e centros logísticos da empresa fundada por Tatyana Bakalchuk em 2004 têm sido alvo de violentos ataques com drones. Quem está por trás? A Ucrânia.

Além de refinarias e bases militares, a Ucrânia tem-se focado em atacar infraestruturas ligadas à Wildberries, nomeadamente aquelas que guardam os produtos antes de serem enviados para os clientes. As autoridades ucranianas acusam a empresa de servir como uma facilitadora da cadeia de abastecimento militar russa. “São instalações logísticas russas, especificamente armazéns utilizados para fornecer material de guerra: equipamento de navegação, componentes para a produção de drones e outros mantimentos para o exército russo”, já acusou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Por sua vez, o Kremlin rejeita estas acusações. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, acusou a Ucrânia de “atacar alvos” que não são militares. Na mesma linha, a diretora-executiva da Wildberries, Tatyana Kim, queixou-se de que “não havia lógica, senso, racionalidade” nas ações dos “terroristas” ucranianos: “O inimigo apenas admitiu que os ataques são direcionados a cidadãos comuns. O objetivo único é fazer pressão, desestabilizar, gerar o pânico e o choque entre variadas pessoas”.

Numa entrevista ao portal Balticsentinel, Robert Brovdi (com o nome de código de Magyar), que é o atual comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, explicou quais eram os objetivos da ofensiva ucraniana contra os edifícios da Wildberries, uma empresa que angariava “milhões de vendedores”: “Mais de um milhão de vendedores num país de 140 milhões de pessoas. Cada vendedor emprega uma, duas, três ou mesmo dez pessoas”.

“Isto significa que um terço — ou mesmo que seja um quinto — da população russa está conectada de uma forma ou outra com estes vendedores, com os membros da família ou com os seus empregados. E o país é composto por consumidores”, prosseguiu Magyar, que também justificou os ataques com o facto de a Wildberries “apoiar ativamente a guerra”.

O militar ucraniano frisou que a empresa “nunca escondeu o facto de que estava a ganhar dinheiro” com a guerra, distribuindo produtos para as Forças Armadas russas. Magyar deixou uma pergunta no ar nessa mesma entrevista: “Lembrem-se das minhas palavras no meio de setembro. Irá a Wildberries existir até aí?”. Magyar ameaçou mesmo que “nada sobrará” até meados do próximo mês.

Ainda esta quarta-feira, as forças armadas ucranianas atacaram um centro logístico da Wildberries na província de Tula. Segundo uma contagem feita na imprensa independente russa, cerca de 14 armazéns — com 1,5 milhões de metros quadrados — já tinham sido atacados. Isso corresponde a cerca de 27% do espaço que a empresa dedica à armazenagem.

Tendo ouvido especialistas no assunto, a versão russa da Forbes estima que os prejuízos já se aproximem dos 280 mil milhões de rublos (cerca de três mil milhões de euros). Existe ainda o risco de haver indemnizações aos clientes que tinham feito encomendas e que ficarão sem os produtos que encomendaram na Wildberries. Além disso, Tatyana Kim já assinalou que a empresa não tem legalmente de compensar os vendedores, mas que está a arranjar forma de o fazer.

Estes ataques e as disrupções criadas no funcionamento da Wildberries terão impactos na economia russa. Ainda assim, segundo o economista Dmitry Nekrasov, citado pelo Moscow Times, os ataques até podem criar danos para vendedores e para a perceção pública da guerra. No entanto, dificilmente afetariam diretamente o PIB russo, sendo que a empresa representa “menos do que 0,1% do PIB”.

De qualquer forma, os ataques à Wildberries afetam a vida de milhões de russos — e esse parece ser o objetivo. A empresa russa é a principal loja de retalho online na Rússia — representa 45% do mercado online russo — seguida da rival na mesma categoria, Ozon.

[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS.  Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]