O congressista republicano Max Miller está a ser alvo de uma investigação por parte da Comissão de Ética da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos após ser acusado de violência doméstica e de uso de drogas ilícitas. A informação foi avançada pela própria comissão em comunicado.
Miller é acusado pela ex-mulher de abuso físico contra ela e a filha de dois anos do casal, algo que o congressista nega, refere o The Washington Post. As acusações sobre uso de drogas ilícitas referem-se a uma “terapia de substituição de testosterona” e não ao consumo de substâncias ilícitas, garantiu Miller numa entrevista concedida na terça-feira à CNN, referindo que o caso tinha acontecido “há vários anos”.
Na terça-feira, o congressista republicano afirmou no X que iria colaborar com a comissão e entregar documentação para “limpar” o seu nome, sublinhando que “não tem nada a esconder”.
“Daremos à comissão todos os documentos necessários para uma análise detalhada. As acusações continuam a mudar, mas os factos permanecem os mesmos. Aguardo ansiosamente que os meus colegas leiam tudo por si mesmos”, referiu.
https://twitter.com/MaxMillerOH/status/2084665339799822436
O congressista está a concorrer à reeleição pelo sétimo distrito eleitoral e afirmou que não irá desistir da corrida na sequência da investigação. O sogro, o senador republicano Bernie Moreno, afirmou que Miller “não está apto” para continuar como congressista, e Donald Trump também o terá avisado de que vai ser “uma disputa difícil” se não desistir. “Ele disse: ‘Não sei se vais conseguir reverter esta situação'”, relatou Miller à CNN, citando o Presidente dos Estados Unidos.
Max Miller e Emily Moreno casaram-se em agosto de 2022 e divorciaram-se em junho de 2025. No depoimento policial da queixa por violência doméstica, a ex-mulher afirmou que, no dia em que planeava deixar o congressista, este “atirou-lhe água quente de uma panela com ovos que acabara de cozinhar“, o que a fez cair.
Miller também é acusado de ter agredido a filha de dois anos, que sofreu uma fratura na clavícula e que apresentava “uma contusão que acompanha a lesão, que parece ser uma marca de mão e aparenta ter sido infligida”. Miller também terá apontado uma arma à cabeça de Moreno, além de a agredir à frente da filha.
O congressista nega as acusações, afirmando que a ex-mulher sofre de problemas mentais, algo que é negado pelos advogados, e que o incidente com água quente foi uma “brincadeira“, que não envolveu líquidos quentes. Também chegou a apresentar uma queixa por violência contra Moreno, que foi arquivada. Miller e Moreno pediram ordens de restrição mútuas um contra o outro.
Bernie Moreno pediu publicamente mesmo a demissão do congressista, descrevendo-o como “um perigo”. “Foi horrível assistir a tudo isso acontecer em público, sabendo que uma menina inocente de dois anos estava no meio de tudo. A nossa prioridade sempre foi proteger a nossa filha e a nossa neta. Por preocupação com a segurança da minha família, eu esperava manter o assunto em sigilo, mas o comportamento cada vez mais errático e perigoso de Max Miller tornou isso impossível”, lamentou o senador, no X.
https://twitter.com/berniemoreno/status/2083936589424582942
O congressista também é acusado de divulgar fotografias íntimas da filha, que se encontravam junto de documentos partilhados num Dropbox para provar a sua inocência. As imagens faziam parte de uma troca de mensagens entre Miller e Moreno, datada de 18 de fevereiro de 2025, quando aguardavam a decisão sobre a guarda da menor, e que mostrava um grande hematoma na clavícula da criança. A lesão motivou uma investigação policial que terminou sem que nenhuma acusação fosse formalizada, segundo a CNN.
Na entrevista concedida à mesma estação televisiva, afirmou que nunca foi a sua intenção divulgar as fotografias, mas que não considerava tal como sendo “chocantemente imprudente”. O seu advogado assumiu a responsabilidade pela publicação da fotografia, por não ter visto as três últimas páginas de um documento que continha as imagens.
Estas não são as primeiras acusações de violência contra o congressista. Stephanie Grisham, ex-secretária de imprensa da Casa Branca e ex-namorada de Miller, também o acusou de violência doméstica, em 2021, quando fez uma publicação no Washington Post a acusar um homem de violência, sem o nomear. No entanto, Miller processou Grisham por “declarações caluniosas e difamatórias”. Posteriormente, foi revelado que o acusado era o congressista. Grisham pediu uma ordem de restrição contra Miller na segunda-feira, refere o The Washington Post.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]