Um cidadão do El Salvador morreu no passado sábado num centro de detenção de imigrantes do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, sigla inglesa), em Nova Jérsia. A causa da morte está a ser investigada, mas a família exige uma investigação porque, alegadamente, o homem não estava a receber tratamento médico adequado para a diabetes, pressão arterial e epilepsia.
“O meu filho precisava de atenção médica e não recebeu”, lamentou a mãe, numa conferência de imprensa, citada pela Associated Press, acrescentando que foi sempre proibida de visitar o filho por não ser uma cidadã norte-americana. A filha da vítima referiu que as condições de saúde do pai tinham piorado nos últimos dias.
Edwin López-Cornejo, que a família diz que tinha 39 anos ao contrário dos 41 avançados pelas autoridades, foi detido a 18 de junho, após ter entrado ilegalmente nos Estados Unidos, segundo o ICE. A agência afirma que o homem “recebeu tratamento médico adequado e foi visto por profissionais médicos”.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, morreram, pelo menos, 56 pessoas sob custódia do ICE, muitas delas por falta de tratamento médico adequado. No caso de López-Cornejo, o homem sofreu uma “emergência médica” não especificada, e acabou por morrer no Hospital Universitário de Newark, de acordo com o ICE, citado pelo jornal espanhol ABC.
O episódio motivou pedidos de supervisão, mas também de fecho permanente do centro de detenção de Delaney Hall, que têm sido feitos há vários meses devido às condições da prisão, como falta de água potável, e a propagação de surtos, como de gripe e de COVID-19.
“Visitei as instalações pessoalmente e testemunhei estas condições em primeira mão, portanto, digo isto claramente: Delaney Hall deve ser fechada imediata e permanentemente”, apelou o senador democrata Cory Booker.
Em dezembro de 2025, um cidadão do Haiti morreu devido a um coágulo sanguíneo que impedia a circulação de sangue para os pulmões, enquanto, em junho de 2026, um homem morreu nove dias após ter sido libertado, quando se encontrava em coma, refere a Associated Press.
“Qualquer tentativa de bloquear a supervisão levanta sérias questões sobre o que está a acontecer dentro de Delaney Hall e o que aqueles que a administram estão a tentar esconder”, afirmou Mikie Sherrill, governadora de Nova Jérsia, que refere que os esforços de inspeção do centro de detenção “continuam a enfrentar impedimentos”.
A posição é partilhada por Ras Baraka, presidente da Câmara de Newark, que acusou o ICE, mas também a empresa que gere o centro de “desprezo pela transparência, pela supervisão pública e pelas leis destinadas a proteger a saúde, segurança e dignidade das pessoas sob custódia”, cita a ABC.
O centro de detenção de Delaney Hall, com capacidade para mil pessoas, é gerido pelo Geo Group, “uma empresa privada que administra diversos centros de detenção nos Estados Unidos”, explica a Associated Press. A companhia viu-se envolvida em várias polémicas, uma das mais recentes que envolve o impedimento por parte da empresa em permitir que as autoridades de saúde investiguem um caso de tuberculose no centro de detenção do Colorado, refere o The Denver Post.
A autarquia de Newark e a empresa enfrentam uma batalha jurídica há mais de um ano “para expulsar o Geo Group do Delaney Hall, alegando que a empresa não obteve as licenças necessárias para reabrir as instalações, que haviam sido fechadas no ano passado”, apesar de a companhia afirmar que tem um contrato com o ICE, refere a NBC News.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]