A empresa e rede social X, de Elon Musk, juntou-se às proibições já anteriormente impostas pelo Facebook, Instagram e Snapchat, e bloqueou as contas de dissidentes na Arábia Saudita, a pedido das autoridades locais.
Em maio, o jornal The Guardian noticiou que, sob acusações de violação da lei, vários ativistas sauditas viram as suas contas suspensas nas plataformas da Meta e da Snap Inc. Na altura, a rede X avisou os utilizadores que não tinha cedido às ordens das autoridades da Arábia Saudita e que acreditava “firmemente na defesa e no respeito pela opinião” dos utilizadores.
No entanto, ao longo das últimas semanas, mais de 60 contas na Arábia Saudita foram desativadas através de bloqueio geográfico, impedindo os cidadãos de aceder ao conteúdo.
Entre os afetados estão Yahya Assiri, ativista e fundador da organização saudita de direitos humanos ALQST, e Abdullah Alaoudh, crítico ativo do Governo saudita. “Estávamos a lutar contra tiranos no nosso país e agora estamos a lutar contra tiranos e os seus cúmplices aqui, onde estamos em exílio”, acusou Alaoudh, que agora reside nos Estados Unidos.
Os utilizadores receberam apenas e-mails do X a informar que o seu conteúdo tinha sido removido no país “de forma a seguir as obrigações do X ao abrigo da legislação local da Arábia Saudita”. “É censura”, afirmou Alaoudh.
Já Abdullah Aljuraywi não pareceu chocado com as notícias, mas criticou as ações das empresas norte-americanas. “As autoridades têm um longo historial de silenciar críticas no país e de tratar os sauditas que se manifestam a partir do estrangeiro (…) como uma ameaça. O que é mais preocupante é que as empresas tecnológicas contribuam para esta repressão, em vez de protegerem a liberdade de expressão que frequentemente afirmam defender”, disse Aljuraywi, membro da organização ALQST, cuja conta também foi bloqueada.
Outras contas visadas incluem a de Ghanem al-Masarir, um satirista saudita. No início do ano, al-Masarir foi vítima de hack pelo spyware Pegasus e de uma agressão física em frente à loja do Harrods, em Londres. Em maio, o homem foi notificado pelo YouTube — plataforma onde reunia mais de 800 mil subscritores — e pelo X que as suas contas seriam bloqueadas na sequência de queixas legais apresentadas por uma “entidade governamental”.
“Não me surpreende que a Arábia Saudita tenha pedido o bloqueio, mas surpreende-me que Elon Musk tenha dado ouvidos“, citou o jornal britânico.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]