A Iniciativa Liberal (IL) pediu esta quarta-feira uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, do proprietário da Construbarcelos, João Carvalho, e do diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, bem como das atual e anterior ministras da Justiça.
Este pedido foi formalizado pelo Grupo Parlamentar da IL num requerimento dirigido à presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a social-democrata Paula Cardoso.
Neste requerimento o partido não define qualquer data, pedindo apenas urgência nestas audições, mas fonte da bancada liberal indicou à Lusa que o objetivo é que estas se realizem logo após o reinício dos trabalhos parlamentares depois das férias, em setembro.
A IL justifica este pedido com o “alarme social e a ausência de esclarecimentos cabais e definitivos” sobre as polémicas a envolver os mandatos do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária (PJ).
“Em causa está, nomeadamente, o esclarecimento sobre as condições em que um prestador de serviços da própria Polícia Judiciária acabou igualmente a executar obras em propriedades privadas do então Diretor Nacional da instituição e as circunstâncias em que uma quantidade relevante de produtos químicos precursores de drogas previamente apreendidos foram entregues a esse mesmo prestador de serviços”, escreve o partido.
Os liberais consideram que “estas questões não foram até à data cabalmente esclarecidas” e que “a recente conferência de imprensa do Diretor Nacional da Polícia Judiciária à data, Dr. Luís Neves” ficou “longe de esclarecer estas questões” e “adensou a inquietação pública relativamente ao rigor dos procedimentos adotados pela instituição”.
Por isso, a IL pede a audição do ministro Luís Neves (identificado no requerimento apenas como antigo diretor nacional da PJ), do seu sucessor à frente da PJ, Carlos Cabreiro, e de João Carvalho, proprietário da Construbarcelos, empresa no centro da polémica.
A Construbarcelos fez obras para a PJ quando Luís Neves era diretor nacional e também na propriedade familiar do ministro em Odemira. A empresa esteve também envolvida na polémica por ter sido encontrado nas suas instalações um atrelado com bidões de químicos apreendido num processo de tráfico de droga.
Os liberais pedem também que vá ao Parlamento a atual ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, bem como a sua antecessora Catarina Sarmento e Castro, do último Governo do PS.
A IL tem sido bastante crítica do ministro Luís Neves, tendo a líder do partido, Mariana Leitão, afirmado na segunda-feira, após uma audiência em Belém com o Presidente da República, que as polémicas que envolvem o passado do ministro Luís Neves à frente da PJ têm contribuído para um “degradar das instituições” e que o governante “não tem adequação” para o cargo que ocupa.
A presidente da IL pediu a António José Seguro que “através da sua magistratura de influência, garanta que este contínuo degradar das instituições é estancado e que conseguimos garantir a defesa e a salvaguarda do nosso sistema democrático”.