O corpo estava na Austrália, a cabeça estava em Itália, parte do coração caiu no vazio. Com a equipa agora comandada por Ruben Amorim em plena digressão pela Austrália, o AC Milan fazia a última despedida do eterno capitão, Franco Baresi. Foram milhares e milhares de pessoas a marcarem presença junto à Basílica de Santo Ambrósio, com muitos antigos companheiros italianos e figuras dos rossoneri a prestarem também uma última homenagem ao antigo número 6 que faz parte da história do clube (ou melhor, construiu grande parte da história do clube). A muitos, muitos quilómetros de distância, o técnico português não esqueceu o que se passava no norte de Itália, falando do coração como um autêntico adepto sobre Il Capitano.
https://observador.pt/2026/07/31/para-sempre-ele-e-eterno-morreu-franco-baresi-lenda-do-ac-milan-e-campeao-mundial-pela-italia-tinha-66-anos/
“As nossas condolências à família de Baresi, aos seus amigos e a todos os colegas de equipa que teve ao longo da sua carreira. Creio que sou a última pessoa que deveria falar de Baresi, porque estou aqui há dois minutos, mas posso explicar um pouco o sentimento que existe no nosso staff. Primeiro, ninguém chama Baresi de Baresi: ele é o Franco, e isso significa alguma coisa… Quando se fala dele, as pessoas do clube ficam com lágrimas nos olhos. Quando vamos jantar, o Michele, o nosso chef, continua a mostrar-me fotografias dele com o senhor Baresi, a contar-me muitas histórias. Falei com muitas pessoas sobre o Franco e ninguém fala das Ligas dos Campeões ou dos campeonatos que ele ganhou. Todos dizem uma coisa, a mesma coisa: ‘Quando descemos à Serie B, não nos abandonou’. E isso é especial”, começou por sublinhar.
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“Agora que já não está connosco, ensina-nos que os sucessos são uma coisa muito bonita, mas que são importantes para o nosso ego. O fundamental, no final, é o caráter e quem se é, não o que se conquistou. O Franco era tudo pela equipa. É este o seu legado. Não sei o que acontecerá no futuro em termos de resultados, não posso controlar nem prometer nada. Mas uma coisa posso prometer: a equipa é a coisa mais importante do nosso clube e vamos levar por diante o legado do Franco. A equipa, até ao meu último dia aqui, será a coisa mais importante do nosso clube”, prosseguiu na antecâmara do segundo jogo à porta aberta desta pré-temporada, neste caso em Perth e logo frente ao rival direto Inter, atual campeão.
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Falando de tudo aquilo que representava Franco Baresi, Amorim aproveitou para deixar uma mensagem para dentro em relação ao que pretende de um gigante em reconstrução, ainda abalado pela forma como acabou por cair na parte final da última temporada ainda com Massimiliano Allegri até terminar na quinta posição, fora dos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Era por isso também que o jogo com os nerazzurri era importante, a par de algumas dúvidas que ainda subsistem em relação ao plantel para 2026/27.
“Estou muito satisfeito com a equipa que tenho. Estamos a construir a nossa ideia de jogo. Se tivermos de começar a temporada com esta equipa, creio que seremos competitivos em todos os jogos e que podemos vencer todos os jogos. Tenho a sensação de que todos os jogadores estão a trabalhar muito bem. Rafael Leão? O Rafael tem sorte de estar num clube como o AC Milan, deve estar feliz. Sinto que está feliz e motivado. Já o Luka [Modric] é muito humilde, não gosta muito de toda a atenção que recebe. Tem uma experiência enorme e vou tratá-lo como um jogador normal. Terá de lutar pelo seu lugar mas é claro que é um jogador especial”, apontou. “Queremos vencer o Inter, mas também queremos preparar-nos para o jogo contra o Torino na Serie A. A nossa preparação é fundamental porque nos ajuda a jogar de determinada maneira: queremos vencer mas fazê-lo a jogar muito mal não transmite confiança”, adiantara sobre o dérby della Madonnina.
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O meu objetivo é colocar estes rapazes nas melhores condições para mostrarem o seu talento. Há muitos treinadores bons e sou um admirador de todos eles, em particular de Gasperini, que vencia sempre contra o meu Sporting… A Serie A não é só catenaccio. É preciso estar muito enganado para pensar que os treinadores do nosso campeonato fazem apenas catenaccio…”.
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Antes, o treinador português já tinha manifestado esse mandamento número 1 nesta nova era em San Siro: primeiro o clube e a equipa, depois o individual. “A equipa é o mais importante. Falarei com Rafael [Leão], com o [Gonçalo] Ramos, com o Saelemaekers e com todos os outros jogadores que estão a voltar do Mundial para lhes explicar o que faremos. Sei que há muitos rumores sobre alguns dos nossos jogadores, mas são nossos até prova em contrário. Todos treinarão por um lugar na equipa, isso é uma certeza. Não há novidades. Trato os jogadores de forma diferente, pois cada um é um ser humano diferente, mas as regras aplicam-se a todos. É muito simples”, explicara Amorim, numa conferência onde “anunciou” novo outfit.
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“Senti alguma pressão do meu staff, que me disse que aqui as coisas são diferentes e que tenho de me apresentar de outra forma. Milão é a cidade da moda, portanto tenho de representá-la da melhor forma possível. E parte da história deste clube não se limita à forma como jogamos mas também como nos representamos e à cidade. Portanto, é assim que me vestirei no banco”, explicara, entre uma declaração onde recuperou a ligação que tinha desde infância ao AC Milan, o seu outro clube além do Benfica. “O AC Milan é o AC Milan. O AC Milan não se resume apenas a troféus, representa algo que não se pode comprar. Para mim, desde criança, sempre foi o AC Milan. Por isso, abram o YouTube, vejam os vídeos e perceberão porque escolheria sempre o AC Milan”, fez questão de voltar a destacar em relação a essa admiração pelos rossoneri.
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Ainda antes do dérbi, e mesmo tratando-se de um jogo particular, Amorim comentava na transmissão de TV que “um dérbi é sempre um dérbi”. E, entre muitas ausências que tem ainda entre mundialistas e reforços que ainda não chegaram, começava a aproximar as escolhas às opções disponíveis a três semanas do início da Serie A, fazendo algumas mexidas na equipa em comparação com as opções que defrontaram o Celtic em Glasgow no empate a dois: Torriani continuou na baliza; Tomori, Gabbia e Pavlovic mantiveram a linha de três atrás; Chukwueze em vez de Athekame na ala direita com Bartesaghi na esquerda; Fofana e Musah como médios centro nos lugares de Ricci e Comotto; Loftus-Cheek e Cissé, em vez de Ossola, no apoio ao avançado, que foi agora Camarda e não Andrej Kostic. E as primeiras impressões foram muito positivas.
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Contra um Inter que empatara no sábado com o Manchester City (vencendo depois nas grandes penalidades) e num encontro marcado pelas homenagens a Baresi, do minuto de silêncio antes do início aos aplausos de pé no sexto minuto, o AC Milan foi melhor durante toda a primeira parte, dominando por completo a equipa nerazzurri e mostrando princípios de jogo a serem assimilados que foram colocando o campeão transalpino várias vezes em dificuldades. Cissé teve um remate perigoso ao lado após jogada de Loftus-Cheek (7′), Camarda e Bartesaghi ficaram perto de desviar na pequena área um cruzamento de Chukwueze da direita (13′), Cissé acertou no poste na sequência de uma jogada que teve Loftus-Cheek a ganhar a profundidade (18′), Fofana atirou para defesa de Josep Martínez (26′). Do outro lado, só uma ameaça antes do intervalo…
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Já com várias figuras que em condições normais serão titulares ao longo da época, como Pavard, Bisseck, Bastoni, Barella, Stankovic, Di Marco ou Esposito, num grupo ainda sem o reforço John Stones, Akanji, Çalhanoglu, Marcus Thuram ou Lautaro Martínez, o Inter não conseguia disfarçar as dificuldades sem as principais unidades no ataque mas o AC Milan mostrava já uma ideia mesmo sem figuras como Luka Modric, Rafael Leão (caso permaneça no clube), Gonçalo Ramos, Alexis Saelemaekers, Pervis Estupiñan, Koni De Winter, o também reforço Mario Gila, Rabiot, Nkunku ou Pulisic (Santi Giménez ainda deve sair): Loftus-Cheek e Cissé interpretavam da melhor forma as transições com e sem bola, Chukwueze estava a ser uma aposta ganha a fazer toda a ala direita. No entanto, e como era expectável, o jogo mudou depois.
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O Inter entrou de outra forma no segundo tempo, assumindo por completo o jogo e bloqueando todas as vias de saída do AC Milan com bola. Andy Diouf deixou o primeiro aviso para defesa de Torriani (51′), Di Marco fez de seguida o 1-0 numa jogada em que Barella ganhou as costas de Estupiñan antes da assistência para o ala esquerdo (52′). Mkhitaryan, que entrara ao intervalo, teve também um remate com muito perigo a rasar o poste (58′) com os rossoneri completamente perdidos perante a subida de linhas do conjunto de Chivu quer na linha defensiva, quer nas zonas de saída em pressão do meio-campo. Era hora de mexer, com Amorim a fazer oito alterações aos 62′ lançando em campo nomes como Luka Modric, Rafael Leão, o estreante Gonçalo Ramos, Saelemaekers ou Koni De Winter, entre outros. Estava a ter início um novo dérbi em Perth.
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Ponto prévio: qualquer jogo com Modric em campo, mesmo com 40 anos, é diferente. Parado, é um craque. E foi assim, parado a receber e distribuir, que fez o passe para Nkunku antes da falta na área que deu a hipótese ao avançado francês de fazer o empate de penálti (81′). Houve muito mais AC Milan depois do quarto de hora falhado após o intervalo, com Gonçalo Ramos a ter uma entrada positiva na combinação com as unidades mais ofensivas e Rafael Leão a conseguir duas boas arrancadas que não resultaram depois em oportunidade, mas o empate acabaria por subsistir até ao final, com Torriani a ter mais duas intervenções numa fase em que o jogo estava mais partido que mostraram ser um suplente à altura para o titular Mike Maignan. Os rossoneri tiveram mais um bom teste. Há muito trabalho a fazer, já existe trabalho feito.
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